Passámos décadas a falar da emancipação da mulher. Libertámo-nos de corsets - por isso é que sorriamos tanto, para disfarçar o facto de não conseguimos respirar -, de fogões de ferro, de contratos de casamento assinados pelo pai. Que boa é a sensação de sermos trocadas por terra! E por gado? Maravilhoso.
Temos contas bancárias em nosso nome, empregos, liberdade para decidir se queremos filhos ou não, maridos ou não, amantes ou não. Temos até vibradores com três velocidades e controlo remoto. Mas, e eles?
Quando é que os homens se vão emancipar?
Porque, sejamos honestas, muitos não saem debaixo da saia da mãe, só mudam de modelo. Passam da saia materna para a da primeira mulher. Depois para a da segunda. Depois para a da terceira. E alguns, muitos, mais tarde, instalam-se confortavelmente debaixo da saia das filhas. E a pergunta é inevitável: quando, exatamente, é que se tornam independentes? Boa pergunta? Também achei, em particular depois de ler a estrondosa Virginie Despentes.
A verdade é dura: muitos homens nunca aprenderam a viver sem uma mulher a servir de rede de segurança. Crescem habituados a que a mãe faça, cuide, organize. Casam e a história repete-se: a mulher faz, cuida, organiza. Divorciam-se, encontram outra que faz, cuida, organiza. Até que, mais velhos, é a filha que lhes serve o prato, marca as consultas e limpa as lágrimas de remorsos.
E chamam a isto emancipação masculina? Não, não, isto chama-se dependência emocional… mas eles batizaram de, way for it… liderança masculina. Tão queridos.
Está na hora de dizê-lo sem rodeios: homens, emancipem-se, masé, atão?!
Aprendam a cozinhar a vossa própria sopa - sim, a cebola é primeiro -, a gerir a vossa própria agenda, a cuidar das vossas emoções sem precisar de uma mulher a traduzir-vos a alma.
"Tenho uma dor no peito, querida."
"Isso chama-se ansiedade, 'mor. Ansiedade é medo e é natural sentires medo. Vá, respira fundo… não, não é enfarte, meu valente macho latino!"
Bonitinho? É. Mas sejamos francas: isto é conversa de mãe para filho, e não de mulher para marido. Certo?
Rapazes, aprendam a ser adultos e não eternos adolescentes de barba por fazer… que não vos fica mal de todo.
Porque, caso não tenham reparado, nós já não queremos ser mães de maridos. Sim, já não temos interesse em controlar-vos, em moldar-vos à nossa imagem. Não temos tempo nem paciência. É isso.
Se nós conseguimos quebrar séculos de patriarcado, vocês também conseguem largar a saia da mãezinha. Prometo: não custa assim tanto. É só querer. Bom… primeiro é preciso reconhecerem que ainda lá estão.
Quando isto acontecer, quando homens e mulheres forem ambos seres independentes, maduros, aí sim, podemos finalmente falar de verdadeiras parcerias, porque já não temos medo uns dos outros, já não sentimos insegurança, logo, necessidade de controlo. Eis que as relações se tornam saudáveis. Nós, mulheres e homens, somos opostos complementares. Será assim tão difícil de compreender esta verdade quase absoluta?
Até lá, desculpem, mas emancipação não é coisa só de mulheres.
Vocês, homens, têm muito trabalhinho para fazer.
PS: Sabem o que é mesmo, mesmo sexy, homens? Dizerem a uma mulher independente:
"'Mor, estás cansada. Deita a cabeça no meu colo e relaxa."
Isso, sim, é sexy.
Isso, sim, é de Homem.
