Crónicas

"A era do medo e do esquecimento", por Vera Xavier

Quando o medo fecha olhos e mentes, é preciso coragem para abrir corações.

LifeCoach, Hackeadora de Destinos & Criadora de Novas Histórias de Vida
  • 17 jun 2025, 15:28
Vera Xavier
Vera Xavier

Vivemos tempos estranhos, onde o racismo aumenta, a xenofobia torna-se confortável na mente dos néscios e a misógina cresce a olhos vistos. Tudo isso porque, simples assim, as pessoas não lêem! Demasiadas pessoas acreditam no fácil, no mastigado, e isso faz-lhes sentido. "Hum, gosto do que ele diz."; "Porquê?"; "Porque ele é que fala as verdades!"; "Que verdades?"; "Atão, aquilo dos outros, eles são todos uns bandidos!".

E, assim, vamos perdendo o pensamento crítico, esquecendo a nossa História - desde a mais antiga, a colonização, digo, a invasão - até à mais recente, às bidonvilles por essa Europa afora. Somos um país de emigrantes, sempre fomos.

Desde o declínio do império, tornámo-nos um país pobre - situação que se agravou com o Estado Novo. Ninguém entrava neste cantinho à beira-mar esquecido, só saía. Sempre saímos.

 

"Vivemos tempos estranhos, onde o racismo aumenta, a xenofobia torna-se confortável na mente dos néscios e a misógina cresce a olhos vistos."



Agora, no século XXI, finalmente saímos do anonimato económico e - pasme-se! - até recebemos imigrantes: pessoas que procuraram o nosso país para terem uma vida melhor e não entendemos que este é um fenómeno positivo. 

Por outro lado, isso não nos faz questionar as condições em que essas pessoas - estes novos co-cidadãos - viviam? A miséria, a guerra, a perseguição?

O que terão vivido estes seres, também eles filhos de Abraão, para se verem obrigados a abandonar as suas casas com um saco cheio de nada nas mãos? Que dores, que medos e que esperanças carregavam enquanto se entregavam nas mãos de - esses, sim - escroques sem alma, que, ao menor sinal de fragilidade ou doença, os transformam em fardos, descartando-os como se fossem lixo, atirando-os ao mar ou abandonando-os no deserto à sua "sorte", perdão, à morte?

 

"Pergunto: o que está errado neste comportamento? O que leva um ser humano a ter um pensamento deste tipo, totalmente desprovido de… humanismo?"



E nós, sentadinhos confortavelmente no sofá, a ver as notícias na TV, cerveja na mão, ousamos pensar: "Estes gajos vêm praqui viver às nossas custas!"

Pergunto: o que está errado neste comportamento? O que leva um ser humano a ter um pensamento deste tipo, totalmente desprovido de… humanismo?

É um ser humano a falar de outro ser humano. É uma pessoa que, se lhe perguntarmos, acredita em Deus e no seu profeta Jesus, que disse, sem gaguejar: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!" Não havia letras pequeninas, não havia asteriscos.

O que está por detrás deste comportamento? É o medo. O medo do desconhecido.

Quem são estes? Que roupas vestem? O que pensam? O que raio comem?

 

"E, quinhentos anos depois, ironicamente, carregamos um medo irracional do desconhecido, do diferente." 



Paradoxalmente, os portugueses são mundialmente reconhecidos - lá está, por aqueles que leem - pela sua coragem e bravura porque, na verdade, os navegadores que desbravaram os mares lançaram-se ao desconhecido com poucos instrumentos marítimos, muitos deles ainda por inventar. Que orgulho! E, sem certezas ou mapas, partiram audazes e fizeram-se ao mundo, mudando para sempre a História. Disso, tenho um orgulho profundo, que deve pulsar no sangue de cada português.

E, quinhentos anos depois, ironicamente, carregamos um medo irracional do desconhecido, do diferente. 

Depois da chegada, a coisa, que podia ter corrido tão bem, o ser humano usou novamente o… ego. E foi o princípio do fim do Império Português.

Sim, naquele momento em que decidimos usar a força e construímos um império às custas do sofrimento dos mais frágeis, foi o princípio do fim... mais um paradoxo.

Assim aconteceu com o Império Romano, tinha acontecido com a Atlântida, aconteceu com todos e vai continuar a acontecer. Os próximos são os EUA.

E, ainda assim, a humanidade não aprende. A História repete-se incessantemente e continuamos a repetir, over and over again, os mesmos erros.

Vide, Israel - Palestina. De perseguidos a criminosos de guerra.

A Palestina estava sossegada no seu canto quando levou com os judeus em cima.

A História repete-se e a Humanidade recusa-se - como colectivo - a crescer.

 

"E, ainda assim, a humanidade não aprende. A História repete-se incessantemente e continuamos a repetir, over and over again, os mesmos erros."



Resta-nos fazer o nosso trabalho individual. É fundamental que o façamos. 

E, se cada um de nós amadurecer um pouco, o nosso mundo amadurece também.

Porque só amadurecendo como seres humanos podemos apagar o fogo do medo = ignorância e reacender a chama da humanidade.

Porque, no fundo, a nossa luta é pela verdadeira: Liberté, Égalité, Fraternité.

Vera Xavier
LifeCoach, Hackeadora de Destinos & Criadora de Novas Histórias de Vida
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