Lua Minguante: a varredora de sombras
A lua minguante é a varredora de sombras do céu: discreta, paciente, mas implacável. Não precisa de fazer alarido, nem fogo-de-artifício. Basta-lhe encolher-se, e o que já não serve começa a ser varrido para fora da nossa vida. É como um aspirador estelar que limpa os cantos da alma sem sequer pedir gorjeta!
No budismo dir-se-ia que a lua minguante nos lembra do anicca, a impermanência: tudo passa, nada é fixo, nem sequer os nossos dramalhões histriónicos... muito menos esses.
No hinduísmo, é o momento de Shiva a dançar a sua tandava - a dança que destrói para dar lugar ao novo. Na Cabala, é o recuo da Shekinah, a energia feminina que se esconde para que aprendamos a viver sem muletas. E no gnosticismo? É o véu a cair, o despojar-se da ilusão.
Se pensares bem, todas as tradições dizem a mesma coisa: o desapego não é perda, é liberdade! Vou repetir: o desapego não é perda, é liberdade! Repito? Não?! Okay.
Só que nós, humanos casmurros, preferimos guardar fantasmas, colecionar dores e exibir cicatrizes como se fossem troféus de guerra - e alguns são. Pergunto-te: será que precisamos mesmo de andar por aí com a alma cheia de entulho? Ou será que o verdadeiro luxo é estar leve, como quem anda descalço na praia ao pôr-do-sol? É a segunda!
Humor à parte, a lua minguante é a terapeuta silenciosa que nos recorda: "Filha, larga o que não presta, senão não cabe mais nada."
Coaching versão cósmica, PNL versão lunar: A vida não é só acumular, é também desaprender, desfazer, desapegar. Deixa cair. Tira os remos da água... isso. Larga... Que bom...
Ritual da Lua Minguante — O Aspirador Estelar
Materiais:
- Uma vela branca ou violeta (purificação e fim de ciclo).
- Um copo de água com sal (purificação e ancoragem).
- O teu corpo, presença e respiração.
Passo-a-passo:
1 - Acende a vela e coloca o copo de água à tua frente.
2 - Fecha os olhos e imagina a lua a ligar o aspirador estelar bem no centro do teu peito - o plexo cardíaco.
3 - Respira fundo: ao expirar, visualiza medos, preocupações e cansaços a serem sugados pelo tubo lunar. Repete até te sentires mais leve. Respira sempre devagar. Não queremos ter tonturas.
4 - Passa as mãos pelo corpo, pelo teu campo magnético, como quem varre pó invisível, e sopra essa energia três vezes para a água, entregando-lhe o que já não te serve.
5 - Coloca o copo com água e sal na tua mesa de cabeceira e deixa-o ali durante a noite. Ele atuará como filtro, absorvendo quaisquer resíduos energéticos que ainda andem à solta.
6 - Na manhã seguinte, despeja a água na pia, agradecendo:
O que era sombra foi levado, o que era peso foi transformado. Assim é e assim será.
Este detalhe da água na cabeceira é poderoso porque dá continuidade ao ritual, como se a Lua e a Terra ficassem a trabalhar por nós enquanto dormimos.
Reflexão final
A lua minguante não representa falta, representa espaço. É o intervalo entre notas que faz a música soar. É a pausa na respiração que dá sentido ao ar. E é, sobretudo, a lembrança de que o que fica pesado não é a vida, é a bagagem que insistimos em carregar escusadamente.
Pergunta-te:
— Que poeira emocional preciso deixar que a lua aspire?
— Que fantasmas continuo a alimentar só porque tenho medo do silêncio?
— Será que estou cansada… ou apenas entupida de entulho velho, inútil?
A resposta, como sempre, está no teu subconsciente - mesmo debaixo da confusão mental. Escuta-te. O que te diz o silêncio?
By Tarot de Ísis
