Crónicas

"A coerência do Homem vs. a complexidade da Mulher", por Vera Xavier

Há uma crença muito difundida de que os homens são confusos. Não são. São coerentes, mas tão carentes que é quase comovente.

Hackeadora de Destinos & Mentoria de Empoderamento Feminino | Academia da Nova Mulher
  • 21 dez 2025, 16:10
Vera Xavier
Vera Xavier

Não é um mistério. É tão claro que emociona. O problema é que, quando emociona, nós ficamos sensíveis… e mulheres sensíveis têm esta tendência curiosa para achar que há profundidades escondidas onde, na verdade, só há consistência básica. O óbvio tem este defeito: estraga a esperança.

Eles dizem pouco e fazem pouco. Não porque sejam maus ou frios, mas porque é exatamente isso que têm para dar naquele momento. Nem mais, nem menos. Não há código secreto, nem mensagem cifrada, nem camada extra à espera de interpretação criativa. Há coerência. É quase pedagógico.

Quando eles dizem que "não sabem o que querem"… por favor, acredita. Não sabem mesmo, irmã. Não visualizes uma crise existencial digna de um filme francês a preto e branco, nem um processo espiritual no Tibete. É literal. É o som do vento a passar num descampado.

Irmã, eles pescam! Passam horas a olhar para uma cena de cortiça com uma lagartinha pendurada!

E, sis, enquanto não sabem, não escolhem. E enquanto não escolhem, deixam-te ali, em stand-by, como aquele separador aberto no computador que temos medo de fechar: "Receita de mousse de lima" — importante, mas não urgente. Já foste esse separador, não foste? Eu já. Ficamos ali a gastar memória RAM à toa.

Quando dizem que não querem, aqui peço-te um favor dos grandes: ouve à primeira! Não à quinta conversa ou sms, não depois de mais um café “para ver se muda ou se se apaixona”, não depois de analisares o mapa astral ou o trauma da infância. Não querem, não querem. The end. Next!

Eles aparecem quando lhes convém e desaparecem quando deixa de convir. Não é Mercúrio retrógrado, não é o Muladhara desalinhado, não é azar do caneco. Estão quando lhes sabe bem, saem quando deixa de saber. Uma coerência tão certinha que até dá vontade de tirar notas, certo, mulheres? Aprendamos com eles. E por eles, quero dizer homens imaturos.

Tratam-te como opção porque, naquele capítulo da vida deles, tu és uma opção. Eu sei, isto dói um poucaxinho, mas diz-me com honestidade: consegues mesmo descansar num lugar onde és um "logo se vê"? Onde és um "vamos sentindo"? Onde és plano B com esperança de promoção? Pois é…

E quando não investem, é porque não estão investidos. Simples. Não cruel, é simples. Quem quer, mexe a real regueija. Quem quer, aparece. Quem quer, arranja tempo, palavras e atitude. O resto são desculpas e, bolas, nem sempre bem amanhadas. Algumas são tão tontas que roçam o ofensivo, e mais sério, faz-nos questionar se perdemos neurónios nesses dias.

E mesmo que esse "não" venha carregado de traumas, medos e uma história de vida trágica reais ou que criaste na tua mona linda… respeita. O medo explica comportamentos, mas não justifica desrespeito. Um homem assustado continua a ser um homem que não está lá.

E acerca do síndrome de enfermeira, sim, sis, a farda fica-te lindamente, eu sei. Na verdade… qual é a mulher a quem não fica, hã, homens? Mas é para usares, sabes onde? Isso mesmo.

Vou partilhar contigo, há uma farda que eu acho particularmente sexy: a das enfermeiras da Segunda Guerra Mundial. As de bivac. Sabes quais são? Dobráveis, verde-azeitona ou bege, firmes, feitas para sobreviver em terreno difícil. Zero rendas, zero romantização. Muito poder feminino ali. Muito “sei exatamente o que estou a fazer”. Boom! Confesso que acho super sexy.
MAS talvez esteja na hora de um upgrade, de médica. Afinal, já passámos da fase do “vou tratar de ti” para o “senta-te aí que eu explico”… e temos de explicar tanta coisa… que cansativo, valham-nos os deuses

E, sobretudo — sublinha, escreve num post-it, tatua se for preciso - não sejas enfermeira de quem não te pediu!

Agora, outro assunto, vamos ser justas, irmã, porque aqui entra o bom senso - coisa que às vezes nos escapa. É normal não haver certezas no início. Claro que é. As pessoas conhecem-se, convivem, observam-se, sentem. Ninguém saudável olha para alguém num primeiro date e pensa: "É esta criatura, vou hipotecar a casa!" (Conheço quem o tenha feito. Correu bem? Claro que não)

O romance precisa de tempo. Precisa de espaço. De sedução, de toque, de olhar. Precisa de curiosidade. Não precisa de urgência nem de pressão. Precisa de tesão, isso, sim, no sentido mais lato do termo.

O problema não é deixar fluir.
O problema é confundir fluir com ausência de intenção.

E é aqui que entra aquela nossa velha conhecida: a carência. A danada! Aquela que chega mansinha e diz: “Decide já, só para eu me sentir segura.” Isso não existe! Isso é um demolidor de romances!

A carência tem pressa. Quer garantias antes do tempo. Como?

Quer rótulos antes de conteúdo. Como?

Quer segurança antes de conhecer. Como?

Não porque sejas fraca, claro que não, mas porque és humana e tens medo. Aquele medo irracional que gere as tuas decisões… todas.

Mas repara nisto: quando é a carência a gerir, o tempo angustia. Quando é encontro, o tempo aproxima. Já notaste a diferença?

Assim sendo, por favor, irmã, não saltes etapas. Namorar é tão bonito! É sensualmente lento, é meio desajeitado, é imperfeito, mas é tão bom. Dá tempo para rir, para errar, para perceber se dá gosto estar ali, em vez de estares apenas a tentar encaixar as peças à martelada só porque tens medo que o stock de moçoilos do mundo se esgote. Encaixar à força não é amor, é, again, carência.

Quando saltamos etapas, não há maturidade nenhuma - há pânico. E o medo, irmã, mata o romance antes de ele ter sequer oportunidade de se manifestar.

Por isso, da próxima vez que te sentires a mergulhar numa análise profunda sobre o "vazio existencial" dele, lembra-te da cana de pesca. Pendura a farda, guarda o estetoscópio e deixa o peixe na água. Se ele quiser morder o isco, ele que morda. E se não morder? Não é o teu fish. Seguinte!

Vera Xavier
Hackeadora de Destinos & Mentoria de Empoderamento Feminino | Academia da Nova Mulher

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