"Tinha 500 amigos. Sentia-se sozinho", por psicóloga Vera de Melo
Neste artigo, a psicóloga Vera de Melo aborda o impacto de estarmos rodeados de pessoas e, ainda assim, podermos sentir-nos sós, e partilha a técnica L.A.Ç.O.
- 11 jun, 15:24
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O telemóvel não parava. Mensagens. Notificações. Comentários. Gostos. Todos os dias havia alguém do outro lado do ecrã. Mas, quando a tristeza aparecia, não sabia a quem ligar.
Nunca estivemos tão ligados. E nunca houve tantos relatos de solidão. Parece um contrassenso. Mas não é.
Na psicologia, sabemos que a solidão não depende da quantidade de pessoas à nossa volta. Depende da qualidade das ligações que construímos.
Uma pessoa pode estar sozinha e sentir-se profundamente acompanhada. E pode estar rodeada de pessoas e sentir um vazio difícil de explicar.
Porque aquilo que combate a solidão não é a presença. É a conexão. É sentir que podemos ser quem somos sem máscaras. É saber que alguém conhece as nossas fragilidades e continua a ficar. É ter um lugar onde não precisamos de fingir que está tudo bem.
Muitas vezes confundimos contacto com proximidade. Falamos com dezenas de pessoas. Mas mostramos a poucas aquilo que realmente sentimos.
Partilhamos fotografias. Mas escondemos preocupações. Mostramos conquistas. Mas guardamos medos.
E, aos poucos, a distância emocional cresce, mesmo quando a distância física desaparece. Talvez por isso tantas pessoas digam:
"Tenho tudo para não me sentir sozinho. E, no entanto, sinto." Não porque lhes faltem pessoas. Mas porque lhes faltam encontros verdadeiros.
Por isso, experimenta a técnica L.A.Ç.O.
L – Liga a alguém em vez de enviares apenas uma mensagem.
A – Abre espaço para conversas autênticas.
Ç – Cria momentos de presença sem distrações.
O – Observa quem te faz sentir verdadeiramente visto e investe nessa relação.
A solidão não desaparece quando aumentamos o número de contactos. Diminui quando aumentamos a profundidade das ligações.
Porque, no fim, não precisamos que muitas pessoas nos conheçam. Precisamos apenas de algumas que nos conheçam de verdade. E isso pode fazer toda a diferença.
