Vera de Melo desabafa sobre a "escolha mais difícil": "Iria roubar-me a paz"
A propósito do livro "Ser Feliz é uma Escolha", a psicóloga Vera de Melo falou, em exclusivo para a SELFIE, sobre a escolha mais difícil que já fez.
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Igor Pires
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Cátia Soares
- 1 fev 2025, 18:35
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O que a levou a escrever o "Ser Feliz é uma Escolha"?
A ideia nasceu daquilo que vejo todos os dias no consultório e na minha própria vida. Há uma falsa crença de que a felicidade é algo que nos acontece, como um acaso. Escrever este livro foi a minha forma de desconstruir essa ideia e mostrar que ser feliz é, antes de tudo, um ato de coragem. A coragem de olhar para dentro, enfrentar dores, padrões, e fazer escolhas que nem sempre são fáceis. Foi também uma forma de partilhar as ferramentas que acredito serem universais, porque já as vi transformar vidas.
Que feedback é que tem recebido? Houve alguma mensagem em especial que a emocionou?
O feedback tem sido avassalador, e, nas redes sociais, sinto isso diariamente. Uma mensagem em particular ficou completamente gravada em mim: uma jovem partilhou que, ao ler o livro, sentiu pela primeira vez que tinha permissão para priorizar a sua felicidade sem culpa. Referiu algo maravilhoso : "As suas palavras fizeram-me perceber que mereço mais do que apenas sobreviver." Foi um momento que reforçou o propósito do que faço, não só no livro, mas também nas plataformas digitais. É ali, nas interações diretas com as pessoas, que percebo como a mensagem ecoa e transforma vidas.
Escrever este livro foi um exercício de introspeção para a própria Vera? Sente que aplica cada uma das sete chaves para a felicidade?
Completamente. A escrita foi como um espelho que me obrigou a revisitar as minhas escolhas, a reavaliar se estou a viver em coerência com aquilo que partilho. As sete chaves não são dogmas; são ferramentas. E, como qualquer ferramenta, requerem prática. Eu erro, tal como qualquer pessoa. Mas o segredo está em corrigir e não desistir.
Sempre foi uma pessoa descomplicada? Ou é algo que se vai ganhando com a experiência?
Sempre fui prática e descomplicada por natureza, talvez até por influência da minha infância, onde aprendi que simplificar as coisas tornava tudo mais leve. Mas isso não significa que a vida não me tenha testado. Houve momentos em que tive de relembrar essa essência e ajustá-la às circunstâncias. Ser descomplicada não é ausência de problemas, mas sim uma escolha de não os deixar dominar-me. Com o tempo, fui refinando essa forma de estar, aprendendo a equilibrar o que é essencial com aquilo que pode ser deixado para trás.
Mesmo nas alturas mais difíceis, consegue escolher ser feliz? Por exemplo, numa situação de separação ou de luto?
Nessas alturas, a felicidade não é uma explosão de alegria. É um fio de esperança que precisamos segurar com todas as forças. Num luto, por exemplo, a escolha que fiz foi permitir-me viver a dor, abrindo espaço para a gratidão pelo que vivi, senti e aproveitei com a pessoa em causa. É difícil, mas possível.
Houve algum momento na sua vida em que sentiu que a felicidade estava fora do seu alcance? Como conseguiu dar a volta por cima e escolher ser feliz?
Sim, houve momentos em que pensei: "Será que algum dia vou voltar a sentir alegria? Mas foi nesses momentos que aprendi que a felicidade não é a ausência de problemas; é a capacidade de encontrar propósito mesmo no caos. Escolhi começar por coisas pequenas: um passeio, um momento de silêncio, um abraço da minha filha. Foram esses gestos que me devolveram a força.
Qual foi a escolha mais difícil que já teve de fazer em nome da sua própria felicidade?
A escolha mais difícil foi dizer "não" a um projeto profissional que parecia perfeito aos olhos de todos, mas que eu sabia, no fundo, que iria roubar-me a paz. Foi um momento em que tive de priorizar o meu bem-estar em detrimento da expetativa dos outros. Escolher-me, mesmo sabendo que poderia ser incompreendida, foi um dos atos mais libertadores da minha vida.
