Crónicas

"A casa estava limpa. A alma exausta", por psicóloga Vera de Melo

Neste artigo, a psicóloga Vera de Melo aborda o impacto da exaustão, e partilha a técnica A.L.M.A.

  • 13 jun, 15:49

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A loiça estava arrumada. A roupa dobrada. As tarefas cumpridas. Os e-mails respondidos. Tudo parecia estar no lugar. Tudo, menos ela.

Por fora, a vida funcionava. Por dentro, algo começava a faltar.

Na psicologia, existe uma forma de exaustão que nem sempre é fácil de reconhecer. Não surge de um grande acontecimento. Não aparece de um dia para o outro.

Instala-se devagar. Em pequenas exigências diárias. Em responsabilidades acumuladas. Em listas intermináveis de coisas para fazer. Em dias tão cheios que já não sobra espaço para sentir.

Muitas pessoas vivem assim. Levantam-se cansadas. Passam o dia a cumprir tarefas. Deitam-se cansadas. E repetem tudo novamente no dia seguinte.

Durante muito tempo acreditam que o problema é falta de férias. Falta de descanso. Falta de tempo. Mas, muitas vezes, aquilo que está em falta não é tempo. É significado. É prazer. É presença. É a sensação de que estamos a viver e não apenas a cumprir.

Porque existe uma diferença importante entre estar ocupado e estar realizado.

Uma agenda cheia não é necessariamente uma vida preenchida. E uma pessoa pode cumprir todas as suas obrigações e, ainda assim, sentir-se vazia.

Talvez porque passou tanto tempo a cuidar de tudo o que estava à sua volta que se esqueceu de cuidar daquilo que estava dentro de si.

Por isso, experimenta a técnica A.L.M.A.

A – Abranda durante alguns minutos por dia.

L – Liga-te a algo que te dê prazer e não apenas produtividade.

M – Mantém momentos só teus, sem culpa.

A – Agradece uma coisa que tenha dado sentido ao teu dia.

Não é uma fórmula mágica. Mas é um lembrete importante. Nem tudo o que precisa da tua atenção está na agenda. Há partes de ti que também precisam de ser cuidadas.

Porque uma casa impecável pode impressionar quem entra. Mas é a forma como te sentes por dentro que determina a qualidade da vida que realmente estás a viver.

Vera de Melo
Psicóloga Clínica

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