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Jogador do FC Porto quebra o silêncio sobre "risco de amputação da perna": "Momentos muito difíceis"

Em sentida entrevista, Vasco Sousa abriu o coração e fez chocantes revelações.

Vasco Sousa

Vasco Sousa não tem vivido tempos fáceis, mas graças à respetiva força de vontade a luz ao fundo do túnel está cada vez mais próxima. Em fevereiro de 2025, o futebolista do Futebol Clube do Porto sofreu uma fratura grave do perónio e, depois de recuperado e de voltar a jogar, lesionou-se no mesmo sítio no fim desse ano. Seguiu-se um verdadeiro calvário: 39 dias de internamento e mais de 20 intervenções cirúrgicas devido a uma infeção rara.

O jovem concedeu uma profunda entrevista ao site "Zerozero", no qual explicou tudo ao pormenor.

"Os valores da PCR [proteína c-reativa], que indicam a existência ou não de uma infeção no corpo, aumentaram muito mesmo. Chegaram a níveis de 11 mil, o que não é normal [um paciente comum deve ter os valores abaixo de dez]. Passados três dias, tiveram de me abrir a perna. Podia não voltar a jogar futebol e perder essa perna", começou por dizer.

"Tratou-se de uma síndrome de compartimento. Ou seja, o músculo estava em sofrimento, o oxigénio já não chegava ao músculo. Estava de tal forma em sofrimento, que não tinha mais espaço para respirar. Tiveram de me abrir a perna para o músculo relaxar e perceber as consequências deixadas pelos níveis altíssimos da PCR no meu corpo"

"Nessa altura, numa manhã, o doutor António Sousa [médico do FC Porto] entrou no quarto e disse assim: 'Tenho de levar o Vasco para o bloco operatório, se não ele pode nunca mais jogar futebol'. A Joana [noiva] ficou perplexa… a tentar perceber o que se passava. Quando eu já estava no bloco, o doutor ligou ao presidente Villas-Boas, ao vice-presidente Tiago Madureira e à Joana, para lhes dizer que o cenário era mesmo muito grave. A probabilidade de voltar ao futebol era muito baixa e o risco de amputação muito elevado", recordou o atleta.

No entanto, esse risco não desapareceu com a referida cirurgia. "Continuou a existir porque eu perdi um terço do meu músculo. O que era significativo. Para uma pessoa normal, sem esse músculo, o pé não mexeria. Mas eu tenho a felicidade de ter mais músculo do que o normal. O doutor achava que o músculo que eu tinha era suficiente para conseguir trabalhar. A probabilidade de amputar a perna ainda estava em cima da mesa, mas tiveram fé em mim. Devido à minha massa muscular natural e à minha dedicação, acreditaram sempre que eu ia conseguir", contou, ainda, Vasco Sousa.

"Não me lembro de tudo. Foram 39 dias horríveis, foram 39 dias sob o efeito de morfina, dores constantes, um desconforto enorme. Para uma pessoa que está habituada a ter um ritmo diário alto… ver-se numa cama de hospital, sem ter certeza de nada, com dores imensas. Só a morfina é que me tirava daquele pesadelo. Foram momentos muito, muito difíceis", confidenciou.

Por fim, o futebolista explicou o porquê de ter ido tantas vezes ao bloco operatório: "Fiz quatro operações: a fratura do perónio, a abertura da perna [síndrome do compartimento] e depois duas vezes na tal infeção. Nas 17 restantes tinha de ir ao bloco, abrir a perna e retirar o músculo morto. Eles tinham de ver se eu tinha ou não mais necroses. E mais à frente também tinha de ir ao bloco fazer o penso. Fazer o penso a sangue frio era desumano, no bloco era mais confortável."

Neste momento, Vasco Sousa encontra-se a recuperar diariamente no Olival, o centro de treinos dos dragões.

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