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Após tragédia em Almada, Mafalda Anjos recorda momento angustiante que viveu com a filha bebé: "Senti uma dor física"

A morte da menina de 18 meses, que foi esquecida durante várias horas numa viatura de uma creche em Almada, continua a provocar uma onda de reações.

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A comentadora da CNN Portugal Mafalda Anjos recorreu às redes sociais para partilhar um testemunho pessoal e apelar a uma maior compreensão perante a tragédia.

"Certo dia, vinha do pediatra com a minha filha, e ela adormeceu no banco de trás. Silenciosamente. Chego à rotunda pelo caminho que fazia todos os dias e segui em direção ao Expresso. Dei rapidamente por isso, foram apenas uns segundos, mas senti uma dor física, tive um baque mesmo violento", começou por escrever Mafalda Anjos, recordando um episódio que viveu quando a filha era bebé e que, admite, nunca mais esqueceu.

A comentadora explica que esse momento a fez perceber como uma distração pode acontecer em circunstâncias de grande desgaste: "Percebi que a distância que me separava de alguém que se esquece de um bebé no carro pode ser muito pequena. Muito stress acumulado, muitas noites mal dormidas, vidas destroçadas por preocupações - tudo isto faz-nos 'perder a cabeça' de variadas formas."

Referindo-se ao caso de Almada, Mafalda Anjos sublinha que nada justifica o que aconteceu, mas defende que é importante olhar para todas as vítimas desta tragédia com humanidade: "O que aconteceu em Almada não devia ter acontecido. É um drama humano imenso. Não imagino, não quero sequer imaginar, a dor dilacerante destes pais. Mas não imagino também a dor desta mulher, que terá de lidar para sempre com a culpa desta distração fatal, certamente não intencional."

A comentadora revelou ainda ter recebido uma mensagem de uma mãe que conhece tanto a família da criança como a funcionária envolvida no caso: "Diz que é uma 'mulher sensível e amável que cometeu um erro grave'. Tem de ter consequências pelo seu ato de negligência, com certeza. Mas não sejamos lestos a atirar pessoas para a fogueira."

No final da publicação, Mafalda Anjos deixa ainda um apelo às autoridades, defendendo a criação de mecanismos que possam evitar tragédias semelhantes no futuro: "Quanto ao Estado, regula sobre tanta coisa comezinha, estava na hora de regular a obrigatoriedade dos sistemas de alerta de transporte de bebés."

A morte da criança, de apenas 18 meses, continua a ser investigada pela Polícia Judiciária, que procura esclarecer as circunstâncias em que a menina permaneceu durante várias horas no interior da viatura.

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