A inveja é uma facada autoinfligida que damos no peito enquanto olhamos para o prato do vizinho.
Muitas vezes, perdemos tempo a falar de quem é invejado, da "energia negativa" que recebem ou do "olho gordo". Mas a verdadeira tragédia não está na vítima. A verdadeira destruição acontece dentro de quem sente.
O Monstro de "Olhos Verdes"
Sabias que a expressão "monstro de olhos verdes" não é um clichê moderno? Devemos a expressão a William Shakespeare. Em Otelo, o vilão Iago descreve a inveja/ciúme como um monstro de olhos verdes que "zomba da carne com que se alimenta".
A escolha da cor verde não é por acaso. Remete para a bílis, para a náusea e para a palidez da doença. Ter inveja é, literalmente, estar num estado de intoxicação interna. É uma patologia da alma que transforma o sucesso alheio na nossa própria insuficiência.
A psicologia do "scroll" e o abismo da comparação
Se antigamente a nossa comparação era com o vizinho da frente, hoje comparamo-nos com o mundo inteiro à distância de um clique. A psicologia explica que o cérebro humano não foi desenhado para processar 500 "vidas perfeitas" por dia.
A ilusão do palco
Nas redes sociais, comparamos os nossos "bastidores" (as contas para pagar, a cara lavada, o cansaço) com o "palco" dos outros (o filtro, a viagem, o ângulo certo).
O ciclo da escassez
Quem sente inveja vive num estado mental de escassez. Acredita que, se o outro tem sucesso, sobra menos "sucesso" no mundo para si. É um erro matemático e emocional.
A paralisia
O maior perigo da comparação constante é a paralisia. Enquanto ficas obcecado com o que o outro conquistou, deixas de regar o teu próprio jardim. A tua vida fica em standby enquanto assistes à série da vida alheia.
O diagnóstico é cruel, mas a cura existe
A inveja é, no fundo, um grito de socorro da nossa própria autoestima. Ela diz-nos o que queremos, mas revela que não acreditamos ser capazes de o conseguir.
Não te enganes. O "monstro verde" não destrói a vida de quem tu invejas. Ela continua a viajar, a sorrir e a vencer. Quem fica no escuro, a remoer e a destilar veneno, és tu. E o veneno, quando guardado no frasco, acaba sempre por corroer o vidro.
Liberta-te. O brilho do outro não apaga o teu, a menos que tu decidas fechar os olhos. A inveja é um sinal. Em vez de a usares para destruir, usa-a como um GPS. E se a inveja é um "GPS" mal calibrado, estes exercícios servem para ajustar a rota. Aqui tens um plano de ação psicológico para transformar esse sentimento destrutivo em combustível de alta performance.
