Enquanto psicóloga, passo grande parte do meu tempo a explicar que o sono não é um "luxo para os fracos" ou um "intervalo na produtividade" para os workaholics. O sono é o serviço de limpeza municipal do nosso cérebro. Sim, sim... bem sei como funcionam (ou não) esses serviços. Mas este tem que ser o momento em que o sistema glinfático entra em ação para remover detritos metabólicos (o Seu cérebro faz literalmente lixo). Sem isso, o que temos no dia seguinte é uma selfie com olheiras que nenhum filtro consegue salvar.
Para que a sua manifestação de vontade e a sua autenticidade não fiquem reduzidas a uma versão irritadiça de si mesmo logo ao pequeno-almoço, aqui ficam quatro mandamentos científicos para dominar a arte de bem descansar:
A tirania da luz azul ("sol de bolso")
O seu cérebro é um órgão ancestral que ainda pensa que vivemos numa gruta. Quando olha para o ecrã antes de dormir, a sua glândula pineal recebe a mensagem: "Weeeepaaa! O sol nasceu! 'Bora lá". Resultado? A produção de melatonina (a nossa hormona da "boa noite") é interrompida. Quer mudar a qualidade de sono? Passe para o analógico 60 minutos antes da cama. O seu ritmo circadiano agradece.
O quarto não é um escritório (nem uma sala de cinema)
Na psicologia comportamental, falamos muito de controlo de estímulos. Se trabalha na cama ou discute a sua relação entre os lençóis (e da pior das formas), o seu cérebro faz uma associação neurocognitiva: cama = stress. Pois...não queremos isso. Certo? O quarto deve servir para duas coisas: dormir e... bem, a outra também é excelente para o bem-estar.
Mantenha o santuário sagrado.
A temperatura do "Self"
A ciência é clara e explica-nos que, para adormecer, a nossa temperatura corporal central precisa de baixar cerca de 1°C a 1.5°C. Se o seu quarto parece uma sauna em agosto, o seu cérebro vai lutar para entrar em sono profundo. Um quarto fresco e um duche morno antes de deitar (que provoca uma vasodilatação periférica e ajuda a arrefecer o corpo) são ferramentas de wellness mais eficazes do que qualquer medicação pseudo-milagrosa.
O "Braindump": o exorcismo das preocupações
Muitas vezes, a insónia é apenas o nosso Self a tentar resolver equações de física quântica às 3h30 da manhã. Truque de especialista? Mantenha um bloco de notas (de papel!) na mesa de cabeceira. Escreva o que o preocupa, o que tem pendente para fazer, os medos ou a lista de compras para o almoço de amanhã. Ao externalizar o pensamento, "autoriza" o cérebro a relaxar a vigilância.
Dormir bem é o ato mais radical de amor-próprio que pode praticar. É a base biológica para que os seus arquétipos de sucesso e clareza mental possam florescer durante o dia. Portanto, despeça-se das notificações, baixe a temperatura e lembre-se: a pessoa mais interessante com quem vai dormir hoje é o seu subconsciente. Trate-o bem.
