Big Brother

"O irmão dela é maluco". Soraia Moreira recorda comentário malicioso e assume: "Nunca vou esquecer a dor"

Nas redes sociais, Soraia Moreira não deixou nada por dizer.

Soraia Moreira recorreu às redes sociais para falar abertamente sobre a doença mental do irmão, Manolo.

"Há 15 anos que convivemos com a esquizofrenia. Muitas vezes, não entendia o comportamento do meu irmão e dói dizer que, durante muito tempo, também não compreendia a doença. Cheguei a sentir vergonha da forma como as pessoas olhavam para nós na rua, quando o meu irmão gritava, fugia, saía sem roupa, batia nas coisas, ou fazia algo menos adequado. Mas se, durante estes 15 anos, eu tivesse visto um vídeo de alguém a viver o mesmo que eu, teria sentido mais conforto. Ter-me-ia sentido mais abraçada. Perceberia que o meu mundo afinal também é normal e não me teria sentido tão sozinha", começou por escrever a jovem.

"Ainda me lembro de que, há dois anos, estava na praia em Sesimbra com o meu irmão e ouvi um grupo de adolescentes dizer: 'Sim, ela ganhou o 'Big Brother' e o irmão dela é maluco'. Eram adolescentes, mas já deveriam saber medir as palavras. Nunca vou esquecer a dor que isto me causou, nem com a minha mãe partilhei. A falta de informação, que muitas vezes começa em casa, é preocupante", lamentou a vencedora do "Big Brother 2020", da TVI.

"O meu irmão não é maluco. O meu irmão tem uma doença mental que se manifestou na adolescência. Ele era uma criança maravilhosa, muito inteligente, mas os ataques de bullying que sofreu enquanto adolescente (sem nós darmos conta de nada) trouxeram-lhe esta doença e o nosso mundo virou de cabeça para baixo. Ele continua a ser um rapaz meigo e incrível. Tem 30 anos, mas é tão mimado e bem cuidado pela minha mãe que parece uma eterna criança. Ele tem momentos bons e momentos maus, como todos nós. Mas merece usufruir e ocupar o seu lugar na sociedade, e é por isso que lutamos por ele todos os dias", contou, ainda, a noiva de Daniel Guerreiro.

Soraia Moreira explicou que Manolo "está medicado e é acompanhado". "Mas a esquizofrenia dele é bastante resistente, infelizmente. Tem sido difícil acertar na medicação, é uma batalha longa. Criar consciencialização sobre estas doenças mentais é muito importante. Afinal, eles também merecem um lugar na nossa sociedade. Há muito que precisa de ser falado e mostrado", rematou.

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