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"Quando me disseram que tinha morrido, enchi a cara de lágrimas": Júlio Isidro lamenta sobre conhecido ator!

Foi no Facebook que o apresentador Júlio Isidro desabafou sobre um conhecido ator português.

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Na passada semana, completaram-se três anos desde o falecimento de Ruy Castelar. Daí que Júlio Isidro tenha prestado uma homenagem ao conhecido locutor e ator.

"Quando na manhã deste dia há três anos me disseram de mansinho que o Ruy Castelar tinha morrido, enchi a cara de lágrimas. Estava aberta mais uma clareira na minha vida? Neste oásis cada vez mais diminuto em que sobrevivo, à volta o deserto cresce, povoado de sombras. Um dia foram imagens vivas, hoje memórias que me mantêm vivo", começou por referir na legenda de uma fotografia antiga, na qual posa com Ruy Castelar.

De seguida, Júlio Isidro recordou: "O Ruy Castelar não gostaria que eu enchesse este texto de lamúrias saudosistas. O Ruy, um homem que fez da noite dia e que às três da matina, todos os dias, acendia as estrelas para iluminar aqueles que tinham medo do escuro, sempre pronto para mais três horas de emissão. Comecei a trabalhar com ele em 1968 no programa 'A Noite é Nossa', no qual aconteceu rádio ao vivo, viva e atrativa. O estúdio era pequeno para o produtor/radialista que conhecia as noites de Lisboa como ninguém. Era Carnaval e lá estava eu numa boite da época, talvez a Cave, ou a Tágide, ou o Príncipe Negro a reportar em cadeia, o ambiente festivo, cheio de música, gente animada e muitos copos para animar. E vinha a passagem de ano com a larga equipa da 'Noite' a passar a meia-noite entre funfuns e gaitinhas, tudo regado a whisky que eu não bebia e que, diziam as más línguas, nalguns casos era artesanato de Sacavém. Lembro-me da Galeria 48 ali na avenida da Liberdade em que uma cara muito conhecida da nossa praça me pediu para eu não assinalar a sua presença naquele espaço e muito menos, fazer referência à companhia..."

"Noutras boites, os meus colegas transmitiam as imagens que só a voz bem utilizada consegue fazer. O Ruy lançou-me no teatro de revista. Disse ao puto para fazer a reportagem em direto dos bastidores nas estreias, enquanto ele ficava na plateia a sussurrar os quadros que se sucediam, sendo que tudo bisava, ou trisava. O que eu gostava de ir de camarim em camarim, preso ao cabo do microfone, para entrevistar as vedetas, naquela azáfama de pintar a cara e mudar de roupa para o próximo quadro. E quando as bailarinas passavam à minha frente, no estreito corredor dos bastidores, já vestidas ou despidas, exuberantes nas plumas, e provocantes nos eflúvios de perfumes que quase me anestesiavam? A segunda sessão terminava às seis da manhã e lá ia eu com o 'patrão' sempre muito bem acompanhado, para o Cacau da Ribeira, matar a fome e acalmar a líbido reprimida com uma sanduiche de presunto e um cacau é claro!", exclamou, antes de acrescentar: "O Ruy Castelar foi um grande e criativo radialista, ator e profissional da vida. Tomou a concessão da boite Porão da Nau, ali ao Saldanha, montou uma cabine de rádio ao lado da pista e, naquele aquário, animei e entrevistei tudo quanto era vedeta deste país e do estrangeiro. Consumiam-se whiskies, gins tónicos e eu emborcava Tang, uma bebida com sabor a laranja cujo pó, do citrino só tinha a cor. Dancei muito, flirtei alguma coisa e fiz amizades que ainda duram, com tantos já de partida para outras noites. Naqueles espaços, o Ruy criou shows nunca vistos cá na terra, transformismo, música, humor e bailados. Casa sempre a abarrotar e o Ruy a sonhar com a Broadway. Eu estava no Porão da Nau, já com a madrugada do 25 de abril a nascer."

Júlio Isidro continuou nesta viagem no tempo: "Ainda fui a casa e daí parti para o Rádio Clube Português, na qual a música era outra. A marcha do MFA abria e fechava os comunicados da revolução. Estava a fazer a 'Noite é Nossa', sozinho na cabine com o Carlos Carrilho na técnica, quando a terra tremeu naquela madrugada de 28 de Fevereiro de 1969. No fundo, devo ao Ruy dois sismos que aconteceram neste Portugal que ele amava. Mas Lisboa, era o seu recreio. O alto profissional, radialista de estilo único, companheiro generoso, bom pagador mesmo que com alguns delays, apaixonado pela imagem da mulher, namoradeiro, politicamente do meu lado oposto, bem humorado, sportinguista e amante da vida... caiu e partiu. Nunca mais vamos ver no seu Facebook as fotos dos manjares que cozinhava, no apartamento em que morava, e que apelidou de Chez Castelar. Vem-me à cabeça uma frase de Marylin Monroe e que o Ruy bem gostaria de ter conhecido: 'Quem disse que as noites são para o sono?'"

"Passaram três anos mas o céu nunca mais teve sossego com a animação do Ruy", completou.

Veja, agora, a imagem partilhada por Júlio Isidro na galeria de fotografias que preparámos para si.

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