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Filhos de Robin Williams reativam Instagram para combater uso de IA

Doze anos depois da morte do ator, os três filhos decidiram recuperar a conta oficial do pai. O objetivo é criar um espaço com conteúdos autênticos e travar a utilização da imagem e da voz de Robin Williams em conteúdos criados por inteligência artificial.

Robin Williams (Foto: Reprodução)
Robin Williams (Foto: Reprodução)

Mais de uma década depois da morte de Robin Williams, os filhos do ator decidiram voltar a dar vida às redes sociais do pai. Zak, Zelda e Cody Williams reativaram esta semana a conta oficial de Instagram do artista, que estava inativa desde 2014, com uma missão muito concreta: combater a utilização da sua imagem e da sua voz em conteúdos gerados por inteligência artificial.

A decisão surge numa altura em que as recriações digitais de figuras públicas, incluindo artistas que já morreram, se multiplicam nas redes sociais. No caso de Robin Williams, os filhos querem garantir que os fãs conseguem distinguir o verdadeiro legado do ator das imitações criadas digitalmente.

"À medida que a tecnologia evolui, queremos que este seja um lugar seguro e de confiança, onde as histórias, fotografias, vídeos e memórias partilhados reflitam o seu legado com autenticidade, carinho e cuidado", escreveram os três irmãos na primeira publicação da conta em 12 anos.

Zelda Williams, atriz e realizadora, tem sido particularmente vocal contra a utilização da inteligência artificial para recriar o pai. Na sua própria conta de Instagram, explicou que a reativação do perfil oficial pretende precisamente oferecer aos fãs uma fonte de conteúdos reais.

"Criar um espaço onde as pessoas possam encontrar vídeos e fotografias autênticos dele é uma das melhores formas que encontrámos para combater o abuso desenfreado da IA à voz e à imagem dele", afirmou a atriz.

A filha de Robin Williams reconhece, contudo, que esta estratégia pode parecer pequena perante a dimensão do problema: "Pode ser uma gota no oceano, mas estamos a tentar."

A decisão dos irmãos não surge do nada. No ano passado, Zelda Williams fez um apelo público para que deixassem de lhe enviar vídeos criados com inteligência artificial que simulavam o pai.

Para a filha do ator, o problema vai muito além da tecnologia: está em causa a forma como a memória de uma pessoa é preservada depois da sua morte.

Recorde-se que a conta oficial de Robin Williams estava praticamente congelada desde a sua morte, em agosto de 2014.

A última publicação tinha sido uma mensagem de aniversário dedicada a Zelda, publicada poucos dias antes da morte do ator. Agora, os filhos pretendem transformar o perfil num arquivo digital do pai, recuperando fotografias, vídeos, momentos da carreira e memórias que permitam às novas gerações conhecer o verdadeiro Robin Williams.

A família também está a direcionar os seguidores para outras plataformas oficiais, incluindo TikTok, Facebook e YouTube, onde podem ser encontrados conteúdos relacionados com a carreira e os espetáculos de comédia do artista.

A reativação das redes sociais aconteceu precisamente no período em que Robin Williams completaria 75 anos.

O ator, um dos nomes mais marcantes da comédia e do cinema norte-americano, morreu a 11 de agosto de 2014, aos 63 anos. Ao longo de uma carreira de várias décadas, tornou-se conhecido por filmes como "O Clube dos Poetas Mortos", "Mrs. Doubtfire", "Jumanji" e "O Bom Rebelde", além de ter conquistado um Óscar pelo seu desempenho neste último.

"Este é o nosso modo de partilhar o seu talento único e o seu humor com o mundo", escreveram Zak, Zelda e Cody, numa homenagem ao pai e ao legado que procuram proteger numa era em que a inteligência artificial tornou cada vez mais difícil distinguir o real do artificial.

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