Rita Rodrigues nasceu em Aveiro, em 1981, e durante a adolescência já sabia que queria entrar pela casa das pessoas através das notícias, de preferência de última hora. Começou pela imprensa escrita, seguiu-se a rádio e depois a televisão. Chegou ao grupo Medica Capital, mais concretamente à TVI em 2009 para o lançamento da TVI24.
Agora, podemos vê-la na antena da CNN Portugal, no formato "Arena CNN" e foi a propósito deste desafio que a SELFIE conversou com a jornalista.
A "Arena CNN" é o mais recente desafio na CNN Portugal, o que representa este novo projeto na sua carreira?
Estou muito entusiasmada, porque precisamos de novos projetos para nos mantermos entusiasmados com o grande projeto que é a CNN Portugal.
O "Agora CNN" tinha sido um espaço ótimo porque, de certa forma, vimo-lo nascer, eu e o Pedro Bello Moraes, mas este novo projeto está a animar-me bastante, até porque gosto muito de moderar, de entrevistar, de ouvir e de conversar com as pessoas e é um programa que tem mais essa possibilidade de escutar vozes diferentes e de moderar opiniões distintas. Portanto, estou muito entusiasmada!
E se esta "Arena CNN" se transformar literalmente numa Arena, como vai fazer?
Ótimo, ótimo! (risos) Desde que haja respeito entre convidados, cá estarei também para moderar e garantir que o respeito prevalece. Mas quanto mais diferentes forem as ideias, melhor.
Como está a ser gerir o novo desafio com a vida pessoal e familiar?
Mantém-se tudo igual, porque a hora de saída é a mesma. Eu começo logo de manhã, mal acordo, a pegar nos assuntos, nas notícias, ainda em casa, a ler entrevistas, a ler notícias. Portanto, nesse capítulo não mudou muito em termos pessoais e familiares, mantenho exatamente o mesmo registo.
Portanto, leva-se um bocadinho do trabalho para casa?
Levo, completamente, porque quando chego a casa, à noite, continuo a ver informação.
E a família não reclama?
Reclama um bocadinho! (risos) As filhas reclamam um bocadinho, o marido também, porque, às vezes, quer ver séries e eu quero continuar a ver as notícias, mas conseguimos conciliar e equilibrar as coisas. Dá tempo para continuar a acompanhar as notícias e também para acompanhar o entretenimento. E, de manhã, como elas já estão na escola, não têm como se queixar de que a mãe esteja a ler as notícias e que precisa estar concentrada a preparar-se.
Sendo uma mulher num lugar de destaque, de forma gere o papel de contribuir para o empoderamento das novas gerações e, sobretudo, das suas filhas?
Em termos de exemplo para as minhas filhas, é quase uma réplica daquilo que a minha mãe também foi para mim. Ela sempre foi muito trabalhadora e sempre teve um trabalho com enorme responsabilidade e eu olhava para ela e inspirava-me e dizia que, um dia, também gostava de ser uma trabalhadora como ela era. Essa é a imagem que eu também passo para as minhas filhas, para que elas, um dia, escolham uma profissão, uma área que gostem e que se sintam entusiasmadas todos os dias a ir trabalhar e que não sintam aquilo como um peso nem uma carga negativa. Em termos de assumir responsabilidades, de assumir desafios e até sairmos da nossa zona de conforto, como se costuma dizer, é um exemplo bom que devemos deixar às mulheres, aos jovens, mas também aos rapazes. É importante desafiarmos-nos a nós próprias e superarmos eventuais bloqueios que às vezes nos surjam, será que tenho condições, será que realmente estou disposta a negar algum conforto por causa do trabalho? Acho que é importante desafiarmos-nos e percebermos que conseguimos. Quando superamos esses pequenos bloqueios só ficamos com vontade de fazer mais, de continuar, de assumir novos desafios, porque isso também nos rejuvenesce. E é energia extra para enfrentar o dia-a-dia. É importante para os mais jovens treinarem esse músculo da superação.
Alguma das suas filhas já tem esta veia jornalística?
Não sei... Elas são as duas muito comunicativas, mas nenhuma tem uma área profissional definida, nem a mais velha, que está quase a fazer 14 anos e que não tarda muito terá de escolher uma área para seguir os seus estudos. Mas não me parece que seja essa a área que elas querem seguir, porque percebem que é uma área em que tem de se trabalhar muito, veem isso todos os dias em casa, mas eu também costumo dizer-lhes - e acho que é importante ter essa noção - o jornalismo está em mudança, em transformação, e, quando elas começarem a trabalhar, não sei se será nos moldes em que é hoje e nos quais eu trabalho. Sinto que, desde que comecei a trabalhar, há mais de 20 anos, o jornalismo mudou, daqui a 20 anos certamente estará bem diferente, não sei se para melhor - espero que sim, tenho de ser otimista -, mas não sei, elas têm de seguir a área em que se sentirem mais felizes e realizadas.
Assumiu que levar o trabalho para casa: como é que desliga? Consegue isso com a corrida?
As corridas estão, agora, em segundo plano, porque tenho uma lesão nas costas e, portanto, correr está completamente fora de questão. Agora, em termos desportivos estou a fazer pilates para ver se também consigo superar esta lesão. Mas gosto de ouvir podcasts quando estou a sair do trabalho, no trânsito ou até ir buscá-las.
Podcasts jornalísticos?
Ouço de tudo! Adoro humor e, portanto, também gosto muito de podcasts de humor, que me façam rir, outros que me façam pensar, ouvir pessoas inspiradoras com histórias de vidas extraordinárias e empoderadas. É ótimo, é uma maneira de aproveitar o tempo desperdiçado no trânsito quando saio daqui, mas eu facilmente desligo, porque, quando chego a casa e continuo a ouvir notícias, já é do ponto de vista da telespetadora que gosta de estar informada, não é do ponto de vista da pressão do trabalho. Portanto, desligar é tranquilíssimo!
Sendo fã de podcast, já pensou em fazer um?
Gostava imenso de fazer um, mas é a mesma história como quando os blogues estavam no boom. Começo a pensar que já há tantos, o que é que eu iria acrescentar? Mas gosto imenso de conversar com pessoas, de preferência pessoas que não tenham nada a ver com a minha área e que me acrescentem ao ouvi-las, que me acrescentem com as suas vidas, com os seus exemplos, e acho que também é isso que as pessoas gostam quando procuram um podcast. Adoraria fazer, mas fico sempre com este receio de ser apenas mais um. Mas, quem sabe, 2025 não traz um novo desafio! (risos)
E como mantém o ar jovial? Quais são os segredos?
Bem, acho que posso agradecer aos genes que os meus pais me deram. (risos)
Mas os genes podem ser bons, mas há que ter alguns cuidados: quais são?
Sim, tento cuidar, tento manter-me jovem, com o desporto, com a alimentação saudável. O carinho da minha família também me ajuda a manter-me assim. Portanto, quando nós estamos satisfeitos no trabalho, em casa, com os amigos, acho que isso depois, também, se reflete na nossa imagem exterior.
Isso é evidente: durante esta entrevista, esteve sempre com um sorriso no rosto...
É verdade! Eu sou muito sorridente e muito transparente com as minhas emoções. Eventualmente, é isso que as pessoas gostam de ver quando estão em casa ou noutras plataformas a assistir aos jornais. Perceber que aquela jornalista sente o que está a dizer, quando é bom e quando, infelizmente, é mais dramático.
