Ricardo de Sá, que tem abraçado diversos projetos em diferentes áreas nos últimos tempos, esteve à conversa com a SELFIE. Leia a entrevista na íntegra.
Juntamente com a Oceana Basílio, dá a cara pelo projeto "Futuro Brilhante", da Universidade Autónoma de Lisboa. Vê o Ensino Superior como uma mais valia e uma oportunidade que todos deveriam ter?
Sem dúvida! O Ensino Superior não é apenas sobre tirar um diploma, é sobre adquirir ferramentas para pensar de forma crítica, desenvolver novas competências e crescer como pessoa. Acredito que todos deveriam ter a oportunidade de estudar e de evoluir, independentemente do percurso que escolham seguir. No meu caso, regressar aos estudos já em idade adulta fez-me perceber ainda mais o valor da aprendizagem contínua. O conhecimento nunca ocupa espaço e pode abrir portas em momentos que nem imaginamos. Acho essencial que o Ensino seja cada vez mais acessível e adaptável às diferentes realidades das pessoas, porque estudar não deve ser um privilégio, mas sim uma possibilidade real para todos.
O que o levou a tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação? Como concilia as diversas áreas a que se dedica?
A escolha surgiu naturalmente, porque sempre tive um grande interesse por esta área. Ao longo da minha carreira, trabalhei em Televisão, Cinema, Música, Teatro e também em projetos de comunicação e marketing, então, fazia todo o sentido aprofundar os meus conhecimentos de forma mais estruturada. O desafio de conciliar todas as áreas a que me dedico é grande, mas, ao mesmo tempo, muito estimulante. Organizar bem o tempo é essencial, mas acho que quando se faz algo com paixão tudo se torna mais fácil. Além disso, vejo cada projeto como uma extensão do outro. Seja a contar histórias no teatro, na Música ou num projeto de comunicação, tudo passa pela criatividade e pela capacidade de ligar pessoas. Estudar ajudou-me a ter ainda mais ferramentas para gerir melhor o meu trabalho e entender o impacto da comunicação em todas as áreas. Por isso, foi uma decisão muito acertada e que tem feito toda a diferença na minha vida profissional.
Ultimamente, ouvimos falar com frequência no uso intensivo da Inteligência Artificial. O projeto "Futuro Brihante" recorre a imagens produzidas por esta inteligência: considera este um novo perigo para as novas gerações?
A Inteligência Artificial (IA) é uma ferramenta poderosa que pode trazer muitas vantagens, mas também levanta questões importantes. No caso do projeto Futuro Brilhante, a utilização de IA para gerar imagens reflete a evolução do mercado e da tecnologia, e a forma como estas ferramentas já fazem parte do nosso dia a dia. O mais importante é sabermos utilizá-las de forma ética e responsável. O perigo não está na tecnologia em si, mas na forma como é usada. Acho fundamental que as novas gerações aprendam a questionar, a distinguir o real do artificial e a utilizar a IA de forma consciente, sem perder o pensamento crítico e a criatividade humana. No fundo, a tecnologia deve ser um complemento e não uma substituição do talento, do esforço e da autenticidade das pessoas.
Além deste projeto com a Universidade Autónoma de Lisboa, que outros projetos tem para 2025?
2025 promete ser um ano cheio de desafios e projetos entusiasmantes! Um dos grandes destaques será o lançamento do filme "O Lugar dos Sonhos", realizado pelo Diogo Morgado, no qual tive o privilégio de participar. Mal posso esperar para ver o resultado final e partilhar esta experiência com o público. Estou ansioso e espero que seja um dos filmes portugueses mais vistos do ano nos cinemas! Foi um projeto feito com muita dedicação e acredito que o público vai sentir isso. No Teatro, vou continuar em digressão com "A Noite", que tem sido um projeto incrível, e também com o musical "Garfield", que continua a encantar o público de todas as idades. Mas há ainda outro desafio que me entusiasma muito: estou a desenvolver uma nova peça de teatro que aborda temas atuais da nossa sociedade e que são muito importantes para mim. Este projeto é muito especial para mim e estou ansioso para lhe dar vida em palco. Além disso, estou com muita vontade de voltar a entrar num novo projeto em Televisão. A TV tem um impacto enorme e é um meio no qual gosto muito de trabalhar, por isso, espero que 2025 traga essa oportunidade. Sinto saudades desse ritmo e do impacto que este meio tem no público. Na Música, vou continuar a gravar e a lançar novas canções, e quem sabe até colaborar com artistas que admiro. Quero também continuar com o CineSpot, projeto no qual analiso filmes e séries, e trago não só críticas, mas também curiosidades e debates sobre os temas que cada série ou filme aborda, e quero levá-lo para outro nível, explorando ainda mais conteúdos sobre Cinema e séries. E claro, o mestrado em Comunicação Aplicada continua a ser um desafio paralelo, que me tem ajudado a crescer e a aprofundar conhecimentos para aplicar em novos projetos. Vai ser um ano cheio e desafiante, mas exatamente como eu gosto! Quero focar-me em vários projetos que já estão em andamento, mas também estou aberto a novas oportunidades que possam surgir.
Como foi fazer parte do filme "Lugar dos Sonhos", realizado pelo Diogo Morgado?
Foi uma experiência incrível! O Diogo Morgado é um realizador com uma visão muito clara e apaixonada pelo que faz. Trabalhar com ele foi um grande privilégio. O ambiente no set foi super profissional, mas, ao mesmo tempo, descontraído, o que tornou as filmagens ainda mais especiais.
Que importância tem este novo desafio na sua carreira?
O filme tem uma história muito envolvente e acredito que vai tocar muitas pessoas. Fazer parte deste projeto foi um desafio muito gratificante e mal posso esperar para que o público veja o resultado final! Este projeto foi muito especial para mim, porque representa mais um passo na minha carreira no Cinema e uma oportunidade de continuar a crescer como ator. Cada novo desafio traz algo de diferente. "O Lugar dos Sonhos" permitiu-me explorar novas nuances enquanto intérprete, trabalhando com uma equipa incrível e um realizador que admiro. Além disso, o Cinema tem um impacto muito forte nas pessoas e poder fazer parte de histórias que emocionam e inspiram é algo que valorizo muito. Este filme tem uma mensagem poderosa, e saber que ajudei a dar-lhe vida é, sem dúvida, algo muito significativo para mim.
O que nos pode contar sobre a sua personagem?
Ainda não posso revelar muitos detalhes, mas o que posso dizer é que a minha personagem tem um papel importante na narrativa e contribui para o desenvolvimento da história de uma forma inesperada. Foi um desafio interessante, porque exigiu que explorasse novas camadas na interpretação, trazendo uma abordagem diferente daquilo que já fiz antes. Mal posso esperar para que o público conheça o filme e descubra tudo por si próprio!
A parceria com o Diogo Morgado tem acontecido em diferentes ocasiões: é uma relação de amizade que vai além do trabalho?
Sem dúvida! O Diogo é um profissional incrível, mas também uma pessoa com quem tenho uma grande amizade e pela qual sinto uma enorme admiração. Já trabalhámos juntos em vários projetos e isso criou uma ligação natural baseada no respeito mútuo e na partilha de ideias. Além do Cinema e do Teatro, temos uma visão muito semelhante sobre a forma como a arte pode impactar as pessoas, e isso faz com que as colaborações fluam de forma muito autêntica. Claro que no set o profissionalismo está sempre em primeiro lugar, mas, fora do trabalho, há sempre espaço para boas conversas, inspiração e muitas gargalhadas.
Sabemos que está a fazer também um musical, uma peça e ainda continua em estúdio. Como consegue conciliar tudo?
Com muita organização… e café! A verdade é que adoro aquilo que faço, e quando estamos apaixonados pelos projetos em que estamos envolvidos tudo se torna mais fácil. Claro que exige muito planeamento, disciplina e, às vezes, algumas noites mal dormidas, mas vale sempre a pena.
Se tivesse de escolher entre a Música, o Teatro, o Cinema e a Televisão, qual destas áreas escolhia?
Essa é daquelas perguntas impossíveis de responder! Cada área acaba por se complementar. A energia do palco ajuda-me a trazer mais presença para a Música, e o trabalho em estúdio dá-me uma perspetiva diferente sobre a interpretação. No fundo, tudo está ligado e isso motiva-me ainda mais a continuar. E, claro, tenho uma equipa incrível que me ajuda a manter tudo alinhado. Sem isso, seria bem mais complicado! Cada uma destas áreas tem um lugar especial na minha vida e todas me desafiam de formas diferentes. O Teatro dá-me a adrenalina do palco e o contacto direto com o público, o Cinema permite-me contar histórias de uma maneira mais intensa e visual, a Televisão tem o impacto imediato e a proximidade com as pessoas, e a Música é a forma mais pura de expressão emocional para mim. Se tivesse mesmo de escolher… acho que tentava arranjar uma forma de juntar tudo! No fundo, sou movido pela paixão por contar histórias, seja através da voz, da interpretação ou da Música. Enquanto puder fazer um pouco de tudo, estarei feliz!
Sendo o Ricardo um ex-"moranguito", não podemos deixar de lhe perguntar o que tem achado destas novas temporadas e dos novos atores dos "Morangos Com Açúcar"...
É sempre especial ver os "Morangos com Açúcar" a regressarem, porque foi um projeto marcante para muitas gerações, incluindo para a minha. A série teve um impacto gigante na ficção nacional e ajudou a lançar muitos talentos, por isso, acho incrível que continue a dar novas oportunidades a jovens atores. Tenho acompanhado as novas temporadas e é engraçado ver como a produção se adapta aos tempos atuais, mantendo a essência que sempre fez dos "Morangos Com Açúcar" um fenómeno. Cada geração traz o seu próprio estilo e a sua linguagem, e acho que isso é essencial para que a série continue a ser relevante. Quanto aos novos atores, acredito que estão a fazer um ótimo trabalho. Entrar num projeto com tanto peso histórico não é fácil, mas vejo muito talento e dedicação. Espero que esta nova fase continue a abrir portas a muitos jovens e a inspirar futuros artistas, tal como aconteceu comigo e com tantos outros colegas.
Recentemente, divulgou nas suas redes sociais a tentativa de assalto que sofreu e que o levou a ser hospitalizado. Consegue descrever o que este episódio mudou na sua vida?
Foi uma experiência difícil, mas, acima de tudo, fez-me refletir sobre o que realmente importa. Situações como esta fazem-nos perceber a fragilidade da vida e a importância de valorizar cada momento, as pessoas que nos rodeiam e a nossa própria segurança. O que mudou foi a minha perspetiva sobre certos aspetos do dia a dia. Fiquei ainda mais atento ao meu bem-estar e ao das pessoas à minha volta. Ao partilhar o que aconteceu, quis também alertar para a importância de estarmos conscientes dos perigos, mas sem deixar que o medo nos controle. Prefiro focar-me na recuperação e seguir em frente ainda com mais força e determinação.
E no campo amoroso, sente-se pronto para abrir o coração de novo?
O coração segue o seu próprio ritmo e, neste momento, estou focado nos meus projetos, na minha carreira e no meu crescimento pessoal. Acredito que tudo acontece no tempo certo e que o mais importante é estarmos bem connosco próprios. O amor é algo bonito e, quando for para acontecer, acontecerá naturalmente. Até lá, vou vivendo o presente, rodeado de boas pessoas e a aproveitar cada fase da vida.
Depois dos 30, o relógio biológico já começa a dar horas?
Acho que cada pessoa tem o seu próprio "relógio" e o que importa é sentirmos-nos bem com o nosso percurso e com as nossas escolhas. Não sinto pressão nenhuma nesse sentido. Estou focado em viver a vida ao máximo, a fazer aquilo de que gosto e a aproveitar cada oportunidade que surge. Se, um dia, esse "despertador" tocar, logo vejo o que faço com ele! Até lá, continuo a curtir o momento e a construir um futuro que me faça feliz.
Nesta fase da sua vida: guarda algum arrependimento? Algo que faria de forma diferente?
Acredito que tudo acontece por uma razão e que até os erros fazem parte do crescimento. Claro que há momentos em que olho para trás e penso que poderia ter feito algumas coisas de maneira diferente, mas, no fundo, todas as experiências - boas ou más - ajudaram a moldar quem sou hoje. Se há algo que talvez mudasse seria aprender a ter mais paciência comigo mesmo e a não querer fazer tudo ao mesmo tempo. Mas, ao mesmo tempo, essa vontade de abraçar vários desafios foi também o que me trouxe até aqui. Por isso, mais do que arrependimentos, vejo as aprendizagens e sigo em frente.
Se pudesse voltar atrás no tempo, voltaria a que momento?
É difícil escolher apenas um momento, porque cada fase da vida tem algo especial. Mas talvez voltasse à minha infância, aquela altura em que tudo era mais simples e genuíno, sem preocupações ou pressões. Era só viver o momento, brincar e sonhar sem limites. Ou, então, voltava ao início da minha carreira, mas com o conhecimento que tenho hoje! Talvez algumas decisões fossem diferentes, mas a verdade é que cada experiência me trouxe até aqui, por isso, não trocaria nada do meu percurso. Prefiro focar-me no presente e no futuro, porque ainda há muito por viver e conquistar!
É hoje a pessoas que imaginava? Sente-se realizado?
Acho que ninguém cresce exatamente como imaginava, porque a vida surpreende-nos sempre pelo caminho. Mas, olhando para trás, sinto que estou num bom lugar. Tenho orgulho no percurso que fiz, nas oportunidades que agarrei e nos desafios que superei. Realizado? Em muitos aspetos, sim! Mas sou daquelas pessoas que está sempre à procura do próximo objetivo, do próximo desafio. Acredito que o crescimento nunca pára e que a realização vem mais do caminho do que do destino final. Enquanto sentir essa vontade de evoluir, sei que estou no rumo certo.
O que gostaria de dizer ao Ricardo da sua juventude?
Diria para ter calma, para confiar mais no processo e para não querer ter tudo resolvido de imediato. A vida tem o seu próprio ritmo e, por mais que queiramos acelerar as coisas, tudo acontece no tempo certo. Também lhe diria para aproveitar mais o presente, sem tanta ansiedade pelo futuro. Para arriscar sem medo do erro, porque os falhanços fazem parte do caminho e ensinam mais do que qualquer sucesso imediato. E, acima de tudo, diria para continuar a acreditar nos seus sonhos, porque, com trabalho e resiliência, eles acabam sempre por se concretizar da forma mais inesperada.
Qual é o segredo da eterna juventude e constante boa disposição?
Se descobrisse esse segredo, vendia e ficava milionário! Mas acho que passa muito por manter o espírito leve, rir sempre que possível e rodear-me de pessoas que me fazem bem. A energia que damos ao mundo é a energia que recebemos de volta. Também ajuda não levar a vida demasiado a sério. Claro que há responsabilidades e desafios, mas saber encontrar humor até nas situações mais complicadas faz toda a diferença. E, claro, cuidar de mim, tanto física como mentalmente. No fundo, acho que o verdadeiro segredo é continuar curioso, ter sempre vontade de aprender e nunca perder a capacidade de sonhar. Isso mantém qualquer pessoa jovem!
O que sente que ainda lhe falta fazer?
Falta sempre fazer alguma coisa! Sou uma pessoa que está constantemente à procura de novos desafios, por isso, há sempre mais um projeto para concretizar, mais um sonho para realizar. Gostava de explorar ainda mais o Cinema e a Televisão, talvez até internacionalmente. Na Música, quero lançar mais trabalhos e crescer nesse universo. No Teatro, tenho a peça que estou a desenvolver e quero vê-la ganhar vida em palco. E, claro, falta viver muita coisa, conhecer novos lugares, aprender mais, evoluir como pessoa. Enquanto houver essa vontade de crescer, nunca sentirei que já fiz tudo.
Onde é que se imagina daqui a 5/10 anos?
Essa é sempre uma pergunta difícil, porque a vida tem uma maneira engraçada de surpreender. Mas imagino-me a continuar a fazer o que amo, a trabalhar em Cinema, Televisão, Teatro e Música, sempre a desafiar-me e a explorar novas oportunidades. Gostava de ter mais projetos internacionais, tanto no Cinema como na Música, e talvez até explorar o mundo da realização ou da produção de forma mais ativa. Também quero continuar a evoluir na comunicação e no marketing, porque essa é uma área que me fascina e na qual sei que ainda posso crescer muito. Acima de tudo, imagino-me feliz, rodeado de pessoas que me fazem bem, com novos desafios pela frente e sempre com a mesma paixão pelo que faço. O resto... deixo com o Universo.
