Entrevistas

Pollyanna Rocha, vilã de "Cacau", apaixonou-se por um português: "A minha história de amor é digna de um filme"

A atriz brasileira Pollyanna Rocha, que dá vida à vilã Cony da novela "Cacau", esteve à conversa com a SELFIE.

Conheça Pollyanna Rocha, a atriz que dá vida à nova vilã de "Cacau"

Há oito anos, mudou-se para Portugal. O que foi mais desafiador nesta mudança? De que forma foi recebida? Quais as grandes diferenças que encontrou?
A mudança para Portugal foi uma jornada transformadora. Inicialmente, vim para passar um mês, mas acabei por decidir ficar! Deixar para trás o conhecido traz sempre dúvidas, mas também é uma oportunidade incrível de crescimento pessoal e profissional. Fui recebida com uma hospitalidade calorosa e uma generosidade que me fizeram sentir em casa imediatamente. As diferenças culturais, o ritmo de vida e a adaptação a um novo cenário foram desafiadores, mas também extremamente fascinantes. Sou uma entusiasta dos movimentos de mudança e adoro a renovação que eles trazem. Claro, houve momentos de dúvida, mas cada desafio superado apenas reforçou a certeza de que fiz a escolha certa.

Veio para viver um grande amor com um português que é hoje o seu marido. O que nos pode contar sobre esta história que a fez deixar tudo para trás e arriscar em nome do amor?
A minha história de amor com o meu marido é digna de um filme romântico. Conhecêmo-nos em circunstâncias improváveis no Brasil, em 2010, e mantivemos contacto através das redes sociais. Em 2015, vim passar um mês a Portugal e, como mencionei anteriormente, acabei por ficar. Apaixonei-me duplamente: por um português e por Portugal! Desde então, cada dia tem sido uma verdadeira aventura. Deixar tudo para trás foi um grande risco, mas o amor verdadeiro é um impulso irresistível que nos faz acreditar no impossível. A conexão que sentimos era tão forte que sabíamos que valia a pena qualquer sacrifício. Como diz o ditado: "O que tem de ser tem muita força." E tem sido exatamente assim!

E como foi a experiência de se apaixonar por Portugal enquanto viajavam pelo nosso país nos primeiros tempos? Como foi escolher o sítio para se estabelecerem?
Fizemos uma road trip inesquecível por Portugal, começando em Lisboa e passando por Tavira, Lagos, Sagres, Arrifana, Fátima, Penamacor, Monsanto, Serra da Estrela, Sortelha... demos um "saltinho" a Espanha... Cada lugar me encantava mais e mais. Foi um verdadeiro "golpe baixo", mas dos melhores! (risos) Apaixonar-me por Portugal foi como redescobrir o amor a cada nova paisagem. Cada cidade e vila trouxe novas descobertas, tradições e sabores. Decidir onde nos iríamos estabelecer foi um processo natural, uma combinação de encanto pelo local e das conexões emocionais que formámos ao longo do caminho. Optámos por um lugar que nos oferecesse a melhor qualidade de vida, próximo do grande centro, mas com a tranquilidade de que precisamos para fugir do ritmo acelerado.

E a nível profissional, quais foram os maiores desafios que encontrou? Chegou a trabalhar noutras áreas?
Os desafios profissionais foram diversos, mas o maior deles foi deparar-me com um mercado muito pequeno e fechado. Nem sempre há papéis para atores brasileiros, e é preciso furar a "bolha". Sempre fui uma pessoa múltipla e trabalhei em diversas áreas. A vida artística é super instável, e essa instabilidade acaba por afetar tudo. Entendi que era necessário procurar outras frentes e desenvolver novas habilidades, até para escolher melhor os trabalhos. Aqui em Portugal, tive a oportunidade de trabalhar com o meu marido, que é empresário e sempre apoiou todas as minhas decisões. Cada experiência que tive enriqueceu-me, permitindo-me crescer como atriz e como pessoa. Adaptar-me e explorar diferentes caminhos foi essencial para me manter ativa e criativa.

Integrar o elenco da "Cacau" e dar vida à vilã Cony tem sido uma oportunidade incrível para se dar a conhecer? As pessoas reconhecem-na na rua? O que lhe têm dito?
Sinto-me extremamente honrada e grata por fazer parte de um projeto desta magnitude e tão bem executado. Quando vi os nomes envolvidos, aceitei na hora: a autoria da Maria João Costa, de quem sou fã desde "Ouro Verde"; a direção geral do Edgard Miranda, com o seu extremo bom gosto e a sua experiência; a produção da Plural para a TVI; e um elenco que mistura atores portugueses e brasileiros super talentosos! Participar em "Cacau" tem sido uma oportunidade incrível. Dar vida a uma vilã é um desafio fascinante, e a reação do público tem sido surpreendente. Muitas pessoas reconhecem-me na rua e expressam a sua admiração, o que é muito gratificante. O que mais me impressiona é o alcance da novela, com muitos a dizerem que voltaram a assistir novelas por causa de "Cacau"! Não poderia estar mais feliz por fazer parte deste projeto.

O que nos pode revelar sobre o futuro da personagem na trama? Qual o desfecho que idealizou?
Posso dizer que a trama reserva muitas surpresas. Idealizei um desfecho, no qual a complexidade da vilã seja revelada, mostrando que até mesmo as personagens mais sombrias têm nuances e razões profundas para as suas ações. Espero que o público se emocione e se surpreenda com o que está por vir.

Como foi trabalhar com este elenco? Gostaria de destacar alguém? É muito diferente de trabalhar no Brasil?
Fui recebida de forma super carinhosa pelo elenco, o que tornou tudo ainda mais especial! Todos são muito interessantes e dedicados ao seu trabalho. Gostaria de destacar o meu colega Diogo Amaral, com quem mais contracenei. Ele foi extremamente generoso e profissional desde o primeiro dia. Já lhe agradeci pessoalmente, mas fica registado aqui também! E não posso deixar de mencionar a Alexandra Lencastre. Gravar com ela foi mágico, ela é uma gigante, super generosa, e nosso jogo cénico foi muito especial. Trabalhar com este elenco foi uma experiência enriquecedora. Cada colega trouxe algo único para o projeto, e a sinergia foi fantástica. Todos estavam muito envolvidos e apaixonados pelo projeto, e isso reflete-se! Acredito que a paixão e o respeito pela arte são os mesmos em qualquer parte do mundo, então, não sinto diferenças entre Brasil e Portugal. A energia e o compromisso de cada um tornaram o trabalho ainda mais gratificante. Adoraria reencontrar-me com estes talentosos atores em futuros projetos! A colaboração e a paixão que vivemos juntos foram incríveis, e espero que os nossos caminhos se cruzem novamente.

Que conselhos daria a outros atores que estão a pensar mudar-se para Portugal?
Quem sou eu para aconselhar? Há um ditado que diz: "Se conselho fosse bom, não se dava, vendia-se." Mas posso partilhar um pouco da minha experiência. O primordial é não comparar a sua trajetória com a de ninguém. Somos protagonistas das nossas narrativas, e comparar só nos enfraquece e tira o foco de nós mesmos. Esteja aberto para aprender e para se adaptar. O mercado é pequeno, mas acredito que há sempre espaço para profissionais dedicados. Com resiliência e autenticidade, as oportunidades surgirão. Trabalhar fora do meio artístico para garantir estabilidade material e mental não é vergonha nenhuma, muito pelo contrário! Valorize cada experiência, por menor que pareça. O que fizer, faça bem feito, pois há sempre alguém a observar! Mantenha-se fiel à sua paixão e continue a trabalhar arduamente; o reconhecimento virá.

Voltando ao campo pessoal, há três anos, foi mãe da pequena Lua. O que mudou na Pollyanna desde esse dia? É o seu maior papel?
Definitivamente, ser mãe é o meu papel principal e o maior desafio da minha vida! Educar um ser humaninho não é tarefa fácil, mas ver o mundo através dos olhos de uma criança é indescritível e faz-nos sentir mais vivos! Ser mãe da Lua mudou tudo para melhor. A maternidade trouxe uma nova perspetiva de vida, cheia de amor e propósito. O maior exemplo que dou à minha filha é através das minhas atitudes. Procuro sempre lapidar-me, tornar-me uma pessoa melhor, para ser uma mãe melhor. E, ainda assim, sei que vou errar muitas vezes, mas acho importante que ela veja que também falho. As crianças não fazem o que pedimos, mas repetem o que fazemos. Ser exemplo é essencial nesse sentido. Quero que a Lua cresça a ver a mãe feliz e realizada, porque os nossos filhos querem ver-nos felizes. Ser mãe é, sem dúvida, o meu maior papel e a maior alegria da minha vida!

Quando descobriu que estava grávida, o seu marido tinha sido diagnosticado com um cancro raro. A fé foi o vosso pilar? Como foi lidar com essa dualidade de sentimentos? Hoje, são ainda mais fortes e unidos?
Descobri que estava grávida um dia antes do meu marido entrar no centro cirúrgico no IPO, em plena pandemia, quando nem sequer podia acompanhá-lo. Foi um período de intensas emoções. A fé e o amor foram os nossos pilares. A notícia da gravidez trouxe a esperança no meio da adversidade. Juntos, enfrentámos o tratamento com coragem. Não foi fácil; ele lutava pela vida, enquanto eu gerava uma nova vida. Definitivamente, ficámos mais fortes e unidos. E a nossa pequena Lua veio literalmente iluminar as nossas vidas! Esta dualidade de sentimentos, entre o medo e a esperança, fez-nos perceber a força que temos como família. Hoje, somos ainda mais próximos e agradecidos por cada momento juntos.

Quer nos bons, quer nos maus momentos, como tem gerido o facto de estar longe da família?
Eu saí de casa cedo. Sou de Brasília e, aos 18 anos, fui estudar na renomada escola de atores CAL, no Rio de Janeiro. Estar longe da família é desafiador, mas faz parte do contexto da minha vida desde então. O preço que se paga é alto. Perdi os meus pais enquanto estava longe, com uma diferença de três anos entre as duas perdas. Isso dá-nos outras coisas, mas tira-nos a convivência diária. Os meus pais também saíram de casa cedo para construirem a vida noutro estado, então, nós entendíamo-nos. Ser imigrante é ter sempre saudade. Contudo, a tecnologia mantém-nos conectados e ajuda a encurtar a distância com os meus irmãos e amigos que estão no Brasil! Aprendi a valorizar cada momento juntos, mesmo à distância. Em bons ou maus momentos, a saudade é uma constante, mas o amor e o apoio da família continuam a ser uma força inabalável na minha vida.

Onde e como é que se imagina daqui a cinco anos, a nível pessoal e profissional?
Eu só quero ter saúde para ver minha filha crescer, viver de acordo com a minha verdade, desenvolver-me cada vez mais como pessoa e artista, poder navegar mais entre o mercado brasileiro e o mercado português. Estou completamente aberta para a vida e com a sensação de estar apenas a começar!

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