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Mistério adensa-se: banqueiro português alvo de "suicídio provocado" em Maputo?

Adensa-se o mistério em torno da morte de Pedro Ferraz Reis, administrador português que trabalhava em Maputo, Moçambique.

O Governo português vai enviar uma equipa para Moçambique, que inclui elementos da Polícia Judiciária e do Instituto de Medicina Legal, para acompanhar as investigações à morte do português Pedro Ferraz Reis, administrador do banco moçambicano BCI.

"Na sequência dos contactos com as autoridades de Moçambique, decorridos ao longo desta semana, e no quadro de cooperação entre autoridades policiais e judiciárias de ambos os países, seguirá neste fim de semana para Maputo uma equipa composta por elementos da Polícia Judiciária e do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses", adianta o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Justiça, num comunicado conjunto, divulgado este sábado, dia 24. A equipa "acompanhará as investigações da morte do empresário Pedro Ferraz Reis, em estreita cooperação com as autoridades judiciárias e policiais", acrescenta.

A morte de Pedro Ferraz Reis chocou a comunidade portuguesa e moçambicana e a disponibilidade para a cooperação na investigação com Portugal é vista localmente como positiva e pouco comum. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) de Moçambique disse na passada quinta-feira, dia 22, à Lusa que ainda não encerrou a investigação à morte do português e que decorrem diligências.

"Segundo o relatório médico-legal, assim como as provas encontradas no local e a disposição das mesmas provas, dúvidas não existem de ter sido suicídio. Entretanto, é preciso apurar, porque pode ter sido suicídio, mas [o] suicídio, se calhar, pode ter sido provocado. Então, há esses elementos que precisam de ser ainda apurados", disse o porta-voz do Sernic, Hilário Lole.

O Sernic anunciou na passada terça-feira, dia 20, que o português, de 56 anos, se suicidou numa unidade hoteleira em Maputo, contrariando a primeira versão - da polícia - de homicídio. De acordo com a polícia de investigação moçambicana, o cidadão português e administrador do banco BCI, subsidiária em Moçambique do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do também português BPI, tirou a própria vida na casa de banho daquela unidade hoteleira de luxo no centro de Maputo com recurso a instrumentos cortantes, nomeadamente facas, e ingestão de veneno para ratos.

Nessa conferência de imprensa, foram apresentadas imagens de videovigilância do português a comprar os instrumentos e o veneno. Anteriormente, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo, Marta Pereira, avançou que a morte do cidadão português era resultado de homicídio e que investigações estavam em curso, com base nas imagens de videovigilância do referido hotel, acrescentando que o crime aconteceu na segunda-feira, pelas 23:46 horas, e que se tratou de "um homicídio voluntário".

Entretanto, uma petição online com mais de 8.600 assinaturas até ao dia de hoje aponta "a incongruência das explicações" sobre a morte do gestor português.

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