Pedro Chagas Freitas revela: "O fígado do Benjamim faz dois anos"
Nas redes sociais, Pedro Chagas Freitas partilhou um impressionante texto.
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Ivan Silva
- 23 jun, 08:37
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O filho de Pedro Chagas Freitas, Benjamim, foi submetido a um transplante de fígado há precisamente dois anos. Uma data que o escritor fez questão de destacar nas redes sociais, esta segunda-feira, dia 22.
"O fígado do Benjamim faz dois anos. Há dois anos, um órgão estranho instalou-se no corpo do meu filho, graças à mestria da equipa comandada pela espectacular Catarina Cunha. Suspeito que adoro a Catarina e a sua equipa mais do que a mim próprio; suspeito mesmo que são as pessoas que mais adoro no mundo depois das pessoas que eu amo: adoro-lhes um amor que vem do fundo do poço, do fundo da esperança; não me parece que haja amor maior do que esse", começou por exprimir.
"E ainda dizem que não existem milagres, não é? É dia de festa. Já houve bolo, saltos, carros nas pistas, palmas, músicas cantadas e dançadas, pândega, forrobodó. Tem de haver tudo o que se põe nas festas de aniversário quando se quer fingir que a normalidade venceu. E venceu. A nossa normalidade é esta: comprimidos a horas certas, consultas periódicas, exames de rotina com o coração na boca, sempre com o coração na boca, e sempre com abraços a salvar-nos do medo, e acima de tudo uma criança que tem o privilégio de ser criança, e uma mãe e um pai que têm o privilégio de serem mãe e pai dessa criança. A felicidade nesta vida é tão simples, não é?", continuou.
"Há dois anos, o planeta parou. Foram treze horas em que o tempo deixou de existir: treze horas a ver a porta do bloco fechar-se e a sentir o mundo encolher; treze horas de bisturis, de sangue, de fé agarrada com fita adesiva, de uma lágrima que secou de tanto ser interrompida pelo terror absoluto; treze horas em que vi os outros a viver e quis gritar: 'O meu filho está aberto por dentro e vocês estão a comer croissants'. Acho que estou sempre feliz quando o meu filho não está doente, e quando não estou basta lembrar-me de que ele não está doente para ficar feliz", escreveu, ainda, Pedro Chagas Freitas.
"Hoje, o Benjamim corre, ri, salta no sofá, na escola, passa o dia a inventar histórias. Tem uma cicatriz no abdómen e luz nos olhos. Vamos festejar este renascimento como loucos. A vida é isso: a loucura primordial. Ou então um salto com órgãos em segunda mão e uma esperança reciclada. O fígado do Benjamim faz dois anos. Nós fazemos o que sabemos fazer desde então: sobrevivemos, amamos, somos fanáticos do tédio, celebramos até à última gotinha os dias cheios de nada. Façam o mesmo sempre que puderem, sim?", rematou.
Veja, agora, a publicação.
