"Há exactamente sete anos, esta imagem, capturada pelo grande Gonçalo Delgado, foi uma das 18 que alguém denunciou, na minha então página oficial, como contendo pornografia, o que, convenhamos, no limite, é elogioso para mim. Obrigado, antes de mais, por isso", começou por escrever Pedro Chagas Freitas, numa longa reflexão que partilhou no Instagram, que intitulou: "Ensaio sobre o vazio."
"A verdade é que o resultado dessas 18 denúncias (que o Facebook, por serem 18 e porque, para uma máquina, a quantidade é um valor intocável, aceitou como verídicas) foi este: a referida página, que durante quase uma década fui alimentando diariamente e na qual já tinha mais de um milhão e duzentos mil seguidores (sim: um milhão e duzentos mil seguidores, espalhados pelos quatro cantos do mundo e que conquistei a pulso), acabou por ser eliminada. Repito: eliminada. Caput. Finito", relatou o escritor.
De seguida, Pedro Chagas Freitas constatou: "No lugar dela está agora um imenso vazio. Um vazio que deveria fazer-nos pensar. Um vazio que comprova, de modo inexorável, que a maldade prevalece quando são as máquinas e os algoritmos que comandam. O ódio vence. O ódio venceu. É mais paciente. A maldade infiltra-se como ferrugem, trabalha no silêncio. É assim que triunfa. O vazio é apenas mais um espaço que se pode habitar. Eu, por hábito e vocação, nunca deixei de habitar o vazio."
No final, o escritor deixou uma impactante mensagem e uma promessa: "Quem fez a denúncia pode ficar com essa vitória: a do ódio, a da maldade. Deixo-lhe esse prémio e presto-lhe a vassalagem: é um mestre do rancor, um ninja do ressabiamento. Fiquei com uma certeza: saí desta experiência sem aquela página, mas comigo. Com as minhas ideias mais vivas do que nunca. É o que tem bastado para alcançar o que pretendo. Não duvido que assim continuará a ser. Nestes sete anos, reconquistei, um a um, mais de 500 mil desses leitores. Ainda estou longe do que tinha, eu sei; mas continuarei, podem ter a certeza. Contem comigo."
