Pedro Chagas Freitas partilhou, nas redes sociais, um irrepreensível texto sobre o Papa Francisco, que morreu na passada segunda-feira, dia 22, aos 88 anos.
"Só os deuses que sorriem nos salvam. Francisco ensinou-nos a omnisciência de Deus — mas sobretudo do sorriso. Num planeta onde a sabedoria se mede em palavras difíceis, semblantes sérios, sobrancelhas franzidas, ele teve a ousadia obscena de sorrir. Um pecado imperdoável para os eruditos da tragédia, os teólogos da amargura, os especialistas em gravidade existencial. Ele sorria", começou por escrever.
"Sorria como quem sabe. Como quem viu a miséria humana, cheirou a podridão dos bastidores da fé, escutou os segredos mais imundos da carne. Ele mostrou-nos que o sorriso, por vezes, sabe mais do que todos os tratados. Não julga, não pesa, não acusa. Compreende", continuou Pedro Chagas Freitas.
"Um sorriso pode ser a forma mais pura da omnipresença: cabe em qualquer rosto, cura muitas feridas, chega antes da palavra, fica depois do silêncio. Terá ido a sorrir. Deus pode vir assim (porque não?): numa gargalhada velha, cansada, mas infinita. Um sorriso que diz: 'Eu vi tudo. Ainda assim, amo'. Amemo-nos, pois", rematou o escritor.
Veja, agora, a publicação.
