Entrevistas

Saudades da televisão? Pedro Barroso faz revelação curiosa!

Em declarações exclusivas à SELFIE, o ator Pedro Barroso falou sobre a vida longe da televisão e as saudades que começa a sentir de trabalhar no pequeno ecrã.

A vida longe da televisão, as saudades que já sente do pequeno ecrã e a ligação a algumas das pessoas mais importantes da respetiva vida foram os temas abordados nesta entrevista intimista e sem filtros, concedida por Pedro Barroso à SELFIE.

A rotina de treinos tem ocupado um lugar especial na sua vida?
Há vários anos que treino todos os dias — esta rotina sólida faz parte da minha vida e do meu equilíbrio…Mas, nos últimos tempos, tenho-me aprimorado ainda mais, ajustando horários, rotinas e igualmente a minha própria vontade de evolução. Os treinos dividem-se entre o trabalho físico, as sessões com acompanhamento do Fábio Pires, e, mais recentemente, um desafio que me apaixonou: o Jiu-Jitsu.

Tenho de agradecer à minha equipa da BPT11, unidos, ao Sérgio Robalo ao Ricardo e, em especial, ao Kevin, por me guiarem neste novo caminho. Este mundo traz consigo um código de conduta, disciplina e valores que me têm inspirado muito. Foi uma verdadeira saída da zona de conforto. Até aqui, o único desporto de combate que tinha experimentado era o boxe, mas o Jiu-Jitsu é muito mais complexo — exige destreza, serenidade, precisão e a capacidade de estar presente em cada detalhe.

Tem sido surpreendente e desafiante, mas acima de tudo gratificante. É um complemento perfeito para o meu trabalho e para a minha energia, ajudando-me a manter corpo e mente alinhados. O desporto, para mim, é essa base: um alimento diário para que tudo esteja no lugar certo.

Treinar com um PT muda tudo?
Muda, sim, mas no meu caso é mais do que isso. Ter a possibilidade de voltar a trabalhar com o Fábio Pires é um verdadeiro privilégio. Já tínhamos trabalhado juntos há uns cinco anos, ali na transição, no final de A Herdeira, e reencontrá-lo agora, nesta fase, foi especial. Pela forma como ele trabalha, pela boa energia que transmite e pelo código de conduta que segue, o Fábio é como um relojoeiro — vai afinando cada detalhe com uma precisão e uma paixão enormes.

Quando voltei a treinar com ele, não estava propriamente fora de forma, mas não me sentia no meu melhor. E agora, prestes a entrar nos 40, coloquei-me o objetivo de atingir um nível que nunca tinha alcançado. Há um compromisso maior, um cuidado diferente, não só a nível físico, mas também no superar-me em todas as frentes. O Fábio faz parte deste meu novo estágio de vida — e essa parceria tem sido determinante para esta evolução.

Já está afastado há algum tempo do pequeno ecrã. Tem saudades das novelas e das séries?
Já começo a sentir essa saudade, sim. Curiosamente, foi algo que surgiu mais nos últimos meses - talvez nos últimos cinco -, porque até então consegui gerir isso com tranquilidade, fruto das minhas escolhas e da forma como fui conduzindo a minha carreira. Foi um tempo que escolhi e acolhi da melhor forma, e que me deu liberdade para explorar outros talentos, outros negócios e para me superar noutros contextos.

Houve apostas que foram claramente vencedoras, como o facto de me dedicar à comunicação no online e ser várias vezes referenciado pela Forbes como um dos homens mais influentes. Mas, no fundo, a representação é a minha casa-mãe. É onde consigo soltar toda a minha criatividade, explorar emoções profundas e, claro, é também daí que vem o reconhecimento do público, que me dá lastro para abraçar outros projetos com consistência.

Começa a existir essa vontade de voltar a trabalhar a um nível emocional intenso, de me desafiar e de me rasgar por dentro em cena. Por isso, neste momento, preparo-me física e mentalmente para estar no meu melhor quando surgirem bons projetos. É continuar a caminhar com tranquilidade, fazer a minha parte… e deixar que aquilo que tiver de vir, venha.

Podemos dizer que "A Herdeira" foi um divisor de águas na sua carreira? Que memórias tem desse trabalho?
Sem dúvida. A Herdeira foi um dos trabalhos mais intensos e transformadores que já fiz, e que exigiu de mim uma entrega absoluta — física, emocional e criativa. O Roni Raña começou como um antagonista carregado de dureza e contradições e acabou por se tornar um protagonista cheio de camadas emocionais. Essa transição obrigou-me a aprofundar o meu trabalho de supressão, de envolvimento e de spacing — a forma como me coloco no espaço, como escuto e reajo — para manter a verdade da personagem em cada cena.

Um dos maiores desafios e também um dos maiores privilégios deste projeto foi mergulhar na comunidade cigana. Fiz questão de honrar a cultura e os seus valores: a forma como se vestem, dançam, comem, vivem os códigos de conduta, a língua original, o romano… Tudo isso foi parte essencial da minha construção do personagem. Não era apenas interpretar, era respeitar e representar com autenticidade.

Este foi um projeto vencedor pela sua extensão e densidade, reconhecido pela TVI, ao ponto de estar novamente a ser repetido - prova do seu sucesso. Mas um trabalho desta dimensão não vive só do ator: exige uma equipa inteira comprometida, desde o elenco até à produção. Foi um verdadeiro trabalho de conjunto, bilingue, e uma experiência que me deu um salto diferenciado na carreira.

Já tinha sido nomeado para Melhor Ator anteriormente, mas aqui arrisquei de forma diferente. Foi um processo que me marcou profundamente, e que confirmou que a representação, para mim, é também um ato de entrega, de respeito e de risco calculado.

Os "Morangos com Açúcar" também são um ponto essencial no seu percurso. Essa série foi uma verdadeira escola?
Sem dúvida. Os "Morangos com Açúcar" foi o meu ponto de partida na televisão e uma verdadeira escola - não apenas de representação, mas também de disciplina, ritmo de trabalho e convivência. Foi ali que aprendi o que era estar num set todos os dias, lidar com a pressão de entregar resultados num ritmo intenso e, ao mesmo tempo, manter a frescura e a verdade da personagem.

Ao contrário de alguns colegas que, por vezes, falam menos bem deste projeto, para mim Morangos foi um marco muito importante, não só para mim como ator, mas também para tantos outros que conseguiram vingar, mostrar o seu trabalho e o seu talento, ou revelar um rasgo diferenciado graças à série. Foi um projeto que marcou a televisão nacional e que deu palco a novos talentos em várias frentes — atores, técnicos, operadores de câmara que hoje são realizadores… Toda a indústria beneficiou desse viveiro criativo.

A minha personagem, o Mário, permitiu-me explorar uma energia muito própria e aprender com colegas e equipas técnicas que já tinham uma experiência sólida. Foram meses de aprendizagem contínua e de perceber que esta profissão exige muito mais do que talento — exige resiliência, compromisso e espírito de equipa.

Olho para trás com muito orgulho e gratidão por ter feito parte dessa história. Ter sido o Mário dos Morangos com Açúcar é algo que guardo com carinho e que reconheço como uma base fundamental do meu percurso.

Qual seria o papel ideal para si, neste momento? Seja em televisão, cinema ou teatro…
Neste momento da minha vida e carreira, o papel ideal seria algo que me desafiasse a todos os níveis — físico, emocional e criativo. Um personagem com várias camadas, que me obrigasse a ir fundo, a explorar vulnerabilidades e forças, e que me colocasse perante dilemas humanos reais.

Tenho uma ligação muito forte a histórias que falem sobre família, paternidade, relações intensas e o reencontro com a nossa essência. Talvez um papel que me permitisse cruzar essa vertente emocional com alguma exigência física, aproveitando também a preparação que tenho feito nos últimos anos. Gosto de personagens que exigem trabalho de campo, pesquisa, imersão cultural — como aconteceu com A Herdeira, por exemplo.

Mais do que o formato - seja televisão, cinema ou teatro - interessa-me a densidade da história e o impacto que ela pode ter nas pessoas. Quero projetos que me façam sair da zona de conforto e que, ao mesmo tempo, deixem uma marca no público

Há já algum tempo que se dedica aos trabalhos manuais com a Pedro Barroso Jewelry. Cada peça conta uma história e passa uma mensagem?
Sim. A joalharia representa muito mais do que um simples adorno — é uma expressão emocional, simbólica e íntima. E essa missão ganha um significado ainda mais especial devido ao meu afilhado, o querido Périto, que inspirou parte do que crio hoje. Ele luta desde muito novo contra um tumor cerebral raro, perdeu a visão e, ainda assim, é uma fonte de coragem e amor que me marcou profundamente.

Num gesto muito pessoal, fiz uma tatuagem em Braille com a frase "Tu és o meu super-herói", em homenagem a ele. Essa sensibilidade levou-me a incorporar o Braille nas minhas criações - não como um detalhe estético, mas como símbolo de inclusão, conexão e afeto.

Cada peça que produzo tem alma e é pensada para criar uma ponte emocional com quem a usa. A personalização, o toque, o simbolismo - tudo isso visa despertar emoções, aproximar pessoas e criar laços que transcendam o visual. É tocar e sentir.

Sinto um profundo agradecimento a cada pessoa que escolhe uma peça minha. Elas permitem que meu trabalho continue a ser uma forma de transformar matéria em memória, espaço em sentimento. E, acima de tudo, celebrar conexões que perduram como o amor que sinto pelo Périto - esse "super-herói" da minha vida.

E tem alguma peça favorita?
É difícil escolher apenas uma, porque cada peça carrega consigo uma história, uma intenção e, muitas vezes, a energia de quem a inspirou. Mas confesso que tenho um apego especial às criações que nasceram ligadas ao Braille — talvez por estarem intimamente relacionadas com o meu afilhado Périto e com a mensagem de inclusão e afeto que quero passar com a Pedro Barroso Jewelry.

Essas peças não são apenas joias, são formas de comunicação. São símbolos que se podem tocar e sentir, e que carregam um peso emocional muito grande. Gosto de pensar que, mais do que adornar, elas aproximam, criam pontes, eternizam sentimentos.

No fundo, a minha peça favorita é sempre aquela que carrega um pedaço de história e que, ao chegar às mãos de alguém, começa uma nova. É esse ciclo de criação, entrega e conexão que me mantém apaixonado por este projeto.

Qual a maior lição que já aprendeu com o seu afilhado?
O Périto ensinou-me muito mais do que alguma vez poderia imaginar. Ele mostrou-me o que é a verdadeira coragem, a capacidade de manter a luz mesmo quando tudo à volta parece escuro. Ver a forma como ele enfrenta a vida, mesmo depois de perder a visão, é uma lição constante sobre resiliência, esperança e amor incondicional.

Com ele aprendi que o mais importante não é aquilo que vemos, mas aquilo que sentimos. Que podemos encontrar beleza, alegria e sentido em detalhes que muitas vezes passamos por cima na correria do dia a dia. O Périto lembra-me que estar presente é o maior presente que podemos dar a alguém, e que a ligação humana vai muito além do que é visível.

Essa aprendizagem não fica só na vida pessoal — influencia também o meu trabalho, a forma como crio e como me relaciono com o que faço. Ele é uma inspiração diária, e tenho orgulho em dizer que, mais do que meu afilhado, é um dos meus maiores mestres de vida.

Existe um antes e depois, após ser pai?
Sem dúvida. Ser pai muda tudo - a forma como vejo o mundo, como organizo o meu tempo e até a forma como me cuido. Antes, muitas das minhas decisões eram centradas no meu percurso e nos meus objetivos. Hoje, a prioridade é estar presente e criar um ambiente onde o meu filho possa crescer seguro, amado e confiante.

Há uma profundidade nova em tudo o que faço. A vida deixa de ser apenas sobre conquistas pessoais e passa a ser sobre legado — o que deixo, o que ensino, o que ele vai levar para o futuro como exemplo. Ser pai trouxe-me mais paciência, mais atenção ao detalhe e uma sensibilidade diferente para entender as emoções, tanto as minhas como as dos outros.

É um amor que não se consegue medir nem explicar totalmente. É visceral, transformador e, ao mesmo tempo, extremamente simples: é querer estar lá em todos os momentos, sejam eles grandes conquistas ou pequenos gestos do dia a dia.

Que semelhanças encontra entre si e o Santiago?
Vejo no Santiago, desde muito cedo, uma vontade intrínseca de se desafiar. É algo que reconheço em mim e que me deixa orgulhoso. No outro dia, fomos aos trampolins, e reparei como ele não se deixa ficar na zona de conforto: desafia-se, arrisca. Houve um momento em que fiquei com as mãos na cabeça a pensar “ele não vai saltar daí”… e ele saltou. E o mais curioso é que ele não me quer ali por perto a apaparicá-lo ou a segurar-lhe — quer-me presente, quer que eu veja, que eu esteja atento, mas que o deixe conquistar o salto sozinho.

Enquanto pai, é maravilhoso assistir a isto. Poder levá-lo aos treinos de Jiu-Jitsu, vê-lo atento a cada detalhe, perceber a energia vibrante que tem, os rasgos de vitalidade que são meus, e, ao mesmo tempo, notar a forma organizada e minuciosa como observa tudo. O Santiago é, de certa forma, uma extensão minha.

O meu compromisso é continuar a dar-lhe não só o melhor caminho, mas, sobretudo, os melhores exemplos. Estar presente, dar aquilo que eu não tive, para que ele possa olhar para mim e ver um guia, um porto seguro. Esse é, talvez, o maior legado que posso deixar.

No fundo, a vida torna-se mais bonita e simples quando percebemos que basta estar, dizer a palavra certa, ser cuidadoso, dar amor, indicar um caminho e, quando necessário, saber dizer “não”. Estamos a descobrir-nos um ao outro, e acredito que, com o tempo, mais semelhanças vão surgir. Esse processo, alimentado pelo amor, é um dos maiores privilégios da minha vida.

Recentemente viveu um momento único com o Périto no surf. Como guarda esse momento?
Foi absolutamente especial. O Périto é uma inspiração diária para mim — pela forma como enfrenta a vida, pela coragem com que se desafia e pela capacidade de encontrar alegria em cada experiência, mesmo com todas as dificuldades que já enfrentou.

Estar ali, ao lado dele, a partilhar a energia do mar, foi mais do que um simples momento de lazer. Foi uma prova viva de superação, de resiliência e de liberdade. O surf exige entrega, equilíbrio e confiança - e vê-lo, com aquela determinação genuína, a viver cada segundo, foi emocionante.

Guardo esse dia como um daqueles momentos que ficam tatuados na memória, porque não foi apenas sobre ondas ou pranchas - foi sobre celebrar a vida, as vitórias pequenas e grandes, e sobre a ligação única que temos. Sempre que penso nisso, sinto uma mistura de orgulho, gratidão e motivação para continuar a criar memórias assim.

Tem algum arrependimento?
Olho para o passado com gratidão - acredito que cada passo, mesmo os mais difíceis, me trouxe até aqui. Já partilhei nas minhas redes um momento de clareza interior: "Aprendi que se aprende com o erro. Que crescer não significa festejar o aniversário. Que o silêncio é a melhor resposta quando se ouve algo que te magoa. Que deixar ir importa."

Entendo os arrependimentos como oportunidades para aprender e não como fardos a carregar. Se pudesse mudar algo, talvez teria lidado com algumas mágoas com mais tranquilidade. Mas, no fundo, tudo o que vivi moldou a minha forma de estar e de ser hoje. Hoje sei valorizar quem está presente mesmo nos momentos mais difíceis, e percebi que trabalhar é algo que vai muito além do dinheiro — trata-se de caminho, de entrega, de significado.

Por fim, com quem gostaria de tirar uma selfie?
Se pudesse, seria com os meus avós, que já partiram, mas que foram os meus verdadeiros criadores. Foram eles que me deram amor, educação, valores e o exemplo que carrego até hoje. Tudo o que sou tem muito deles.

Essa selfie, para mim, teria um valor incalculável - não pela fotografia em si, mas pelo momento de poder estar novamente com eles, olhar-lhes nos olhos e agradecer. Seria a forma de eternizar num registo físico aquilo que já trago gravado no coração.

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