Entrevistas

Paulo Sousa estreia-se numa experiência "muito especial"

Pela primeira vez, o cantor Paulo Sousa deu voz a uma personagem de animação e descreve a experiência como a concretização de um sonho antigo, abrindo caminho para novos desafios na área das dobragens.

Paulo Sousa

Conhecido pelo percurso enquanto cantor, Paulo Sousa soma agora uma nova vertente artística ao currículo: a dobragem de animação. O convite surgiu de forma inesperada, mas acabou por marcar um ponto de viragem no seu percurso criativo, reforçando a ligação à voz, à música e à expressão artística.

A entrada de Paulo Sousa no universo das dobragens aconteceu graças a uma referência da área em Portugal.

"A oportunidade surgiu através da Mila Belo, que é uma referência enorme na área da dobragem em Portugal. Tive a sorte de fazer alguns workshops com ela e, no meio desse processo, acabou por surgir este convite. Foi daqueles momentos em que percebes que investir em aprender e experimentar coisas novas pode mesmo abrir portas inesperadas", conta o músico, em exclusivo, à SELFIE.

Dar voz a uma personagem animada revelou-se uma experiência profundamente marcante para Paulo Sousa, que sempre nutriu uma ligação especial ao universo dos desenhos animados.

"Foi mesmo muito especial. Sempre adorei desenhos animados e, durante anos, a ideia de dar voz a uma personagem parecia mais um daqueles sonhos bonitos que ficam guardados numa lista mental. Por isso, quando finalmente aconteceu, teve um peso emocional grande para mim", confessa.

Sobre a personagem à qual deu voz no filme de animação "Jungle Beat 2", Paulo Sousa conta tudo: "Dei voz ao Fneep, um alien gelatinoso cor-de-laranja, quase como uma pequena 'gelatina falante', com uma personalidade muito própria. Trabalhámos a voz num registo mais agudo, um pouco mais infantilizado, para ir ao encontro da energia e da forma de estar da personagem. Foi o máximo este processo. Percebi que existe aqui um lado criativo e técnico que me entusiasma mesmo muito, e que talvez já estivesse lá - só ainda não tinha tido oportunidade de o explorar."

O entusiasmo é tal que o cantor não esconde a vontade de repetir a experiência: "Sem dúvida alguma! Nos workshops já tinha sentido que a dobragem era a área que mais me puxava, mas, depois de ter feito o filme, esse interesse ficou ainda mais forte. Fiquei mesmo com vontade de continuar, de evoluir e de fazer mais. Espero que este tenha sido só o início de um caminho que possa continuar a explorar."

Paulo Sousa destaca ainda os desafios técnicos que a dobragem implica, muitas vezes desconhecidos do público: "Os workshops com a Mila Belo e a Renata Belo foram essenciais para perceber melhor este mundo. Até lá, não fazia ideia de como funcionava o processo, seja em locução publicitária, seja em dobragem. E quando passamos para a prática, percebemos rapidamente que não é tão simples como parece. Um dos maiores choques foi perceber que não vemos o filme completo enquanto dobramos, o que obriga a um nível de concentração e interpretação grande com base em pequenos excertos. Depois, há toda a questão da sincronização com os lábios da personagem, o timing exato das falas e a capacidade de transmitir emoção apenas com a voz."

Paralelamente à dobragem, o cantor continua a apostar em outras áreas artísticas. "Recentemente, voltei à música e estou a preparar o lançamento de um novo single. Além disso, em setembro vou integrar o elenco do musical 'Rosaline, a ex do Romeu', no Auditório dos Oceanos, no Casino Lisboa, onde vou interpretar a personagem Páris. Estou muito entusiasmado com tudo o que está a acontecer, porque sinto que este ano está cheio de experiências novas, mas todas elas ligadas a algo que sempre fez parte de mim: a voz, a música e a expressão artística."

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