Enquanto muitos celebram o amor romântico, eu vou estar a falar da relação que determina todas as outras: a relação que tens contigo.
No "Evento Inteligência Emocional: da teoria à prática", vou subir ao palco no bloco da Felicidade com uma afirmação que incomoda:
A Felicidade é uma Escolha.
E antes que alguém pense que é uma frase bonita para redes sociais, deixo claro: não é confortável. Não é leve. Não é simplista.
Disseram-nos muita coisa. Que para sermos felizes temos de estar sempre bem. Que não podemos ter pensamentos negativos. Que quando encontrarmos o amor certo, o trabalho certo, a vida certa…então seremos felizes.
Ensinaram-nos que felicidade é uma meta. Um prémio. Um destino.
E é aqui que começa o erro. A felicidade não é ausência de dor.
Não é perfeição. Não é estatuto. Não é controlo. É maturidade emocional.
Vivemos presos a armadilhas invisíveis: o crítico interior que nunca se cala, a comparação constante, o perfeccionismo que promete excelência, mas entrega ansiedade, a necessidade de controlar tudo para não falhar.
Chamamos a isto exigência. Mas muitas vezes… é medo.
Medo de não sermos suficientes. Medo de falhar. Medo de sermos vistos na nossa vulnerabilidade.
No palco, vou desafiar 600 pessoas a fazer algo que raramente fazemos: assumir responsabilidade pela forma como pensamos. Porque a felicidade começa quando paramos de complicar aquilo que pode ser vivido com mais leveza.
Ser feliz é aprender a separar o que depende de nós do que não depende.
É escolher, conscientemente, a narrativa interna.
É decidir não alimentar pensamentos que nos sabotam.
É interromper padrões automáticos.
Não é negar tristeza.
Não é eliminar frustração.
Não é fingir que está tudo bem.
É não dramatizar tudo.
É não transformar cada erro numa identidade.
É não confundir exigência com autoataque.
No trabalho, vou dizer algo provocador: produtividade não define valor humano.
Felicidade profissional começa em limites claros e expectativas alinhadas.
Na parentalidade, felicidade não é perfeição.
É presença consistente, mesmo nos dias difíceis.
Nos relacionamentos, felicidade não é intensidade constante.
É segurança.
É comunicação honesta.
É não te abandonares para não perderes alguém.
Ser feliz não é sentir alegria todos os dias.
É escolher, todos os dias, como queres viver contigo e com os outros.
Desdramatizar.
Desconsiderar o que não acrescenta.
Descomplicar.
No dia 14 de fevereiro, não vou ensinar truques motivacionais.
Vou propor consciência, reflexão.
Porque a felicidade não é um direito garantido.
É uma responsabilidade emocional.
E quando alguém percebe isto, algo muda.
Deixa de esperar que o mundo alinhe primeiro.
Deixa de culpar circunstâncias.
Deixa de adiar bem-estar para "quando tudo estiver certo".
E começa realmente a viver!
No Auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, naquele palco, perante 600 pessoas, vou fazer uma pergunta simples e desconcertante:
Se a felicidade depende em parte de ti… o que estás a escolher todos os dias?
Porque felicidade não é acaso.
Não é sorte.
Não é destino.
É decisão. É Escolha!
E isso muda tudo.
Portanto se a felicidade é uma escolha, a pergunta não é se podes ser feliz.
É se estás disposto a assumir essa responsabilidade.
