Entrevistas

Esgotamento, choro e luto: o impressionante testemunho de Paula Neves sobre "Anjo Selvagem"!

No dia do 32.º aniversário da TVI, a SELFIE conversa com a atriz Paula Neves sobre um dos projetos de ficção mais marcantes de sempre em Portugal: a novela "Anjo Selvagem".

Lembra-se da novela "Anjo Selvagem"? Veja como os atores estão muito diferentes!

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A TVI completa, esta quinta-feira, dia 20, 32 anos de emissões, muitos deles dedicados à ficção nacional. Transmitida entre 2001 e 2003, "Anjo Selvagem" é uma das novelas mais marcantes da estação de Queluz de Baixo e mudou, para sempre, a Trinca Espinhas. Correção: Paula Neves.

Ainda hoje, a atriz é chamada por muitos pela alcunha da personagem que interpretou no início do milénio. Passaram mais de duas décadas e as marcas deste projeto continuam-lhe cravadas na memória. Como se do presente estivesse a falar. A conversa de Paula Neves com a SELFIE é a prova disso mesmo.

A Mariana de "Anjo Selvagem" é o papel mais marcante da sua carreira?
Está-me tatuada na pele. Não fiz o luto dela, então, é um luto não resolvido.

Ainda hoje?
Ainda hoje.

E não pretende resolvê-lo?
Não. Está comigo.

Porque diz que não fez o luto desta personagem?
Não me apercebi que ia ter um desgosto tão grande quando ela acabasse. Não me apercebi do tamanho da minha vida que ela ocupava. Estava tão cansada e tão envolvida nas gravações... Tive um esgotamento a seguir. No último dia de gravações, ao sair da Plural, em Bucelas, caiu-me a ficha: "Não vou fazer mais a Mariana". Tive um ataque de choro convulsivo. Tive de parar o carro na berma. Fiquei com um desgosto de amor profundíssimo, que dura até hoje.

Como resolveu o esgotamento?
Fechada em casa, sentada numa varanda, com três gatos em cima.

Durante quanto tempo?
Oito meses. Não pus um pé na rua.

Sem procurar ajuda?
Só queria descansar. Eu sabia o que tinha: estava esgotada. Não conseguia ler, não conseguia ver televisão, não conseguia fazer ginástica, não conseguia estar na rua... Só conseguia estar sentada com os meus gatos.

Com apatia total?
Apatia total.

E como foi resolvido?
Passou. Recomecei a trabalhar, com a Maria de "Queridas Feras". Foi quando comecei o meu grande amor pelos animais e pela terra. Aí, a minha vida mudou completamente. Disse: "Chega da cidade, chega da confusão".

Imagina-se a voltar a vestir a pele da Trinca Espinhas?
Adoraria! Já desafiei o Zé Eduardo [Moniz, o Diretor-Geral da TVI], mas ele tem razão: as coisas tiveram o seu tempo.

Esta não foi a única personagem marcante que viveu na TVI. Assim de repente, lembro-me da Augusta de "Doce Tentação".
A Mariana não é a minha personagem preferida - "Anjo Selvagem", sim, foi o meu projeto preferido. Agora: a Augusta... A menina Augusta... A minha virgem de 30 anos que andava sempre excitada, com romances eróticos dentro de uma bíblia... Adorei, adorei! Encheu-me as medidas.

A TVI é a sua casa?
Completamente. A TVI e a Plural [a produtora responsável pelas novelas do canal]. Da Plural, conheço cada segurança, cada senhora da limpeza, cada parede, cada trabalhador que lá está... É a minha casa!

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