"Nem amigos, nem namorados. Então, afinal, o que são?", pela psicóloga Vera de Melo
Dormem na mesma cama. Passam fins de semana juntos. Há mensagens todos os dias, cumplicidade, ciúmes, intimidade emocional e a sensação de que existe alguma coisa especial. Mas os beijos nunca acontecem. O sexo nunca chega. E a conversa que podia esclarecer tudo é constantemente adiada.
- 15 jul, 15:27
As melhores imagens de Vera de Melo na SELFIE
Vera de Melo goza férias na Grécia
Vera de Melo apresenta novo livro na Feira do Livro de Lisboa
Rodeada de amigos e família, Vera de Melo lança mais um livro
Vera de Melo na Festa do Livro em Celorico de Basto
Vera de Melo arrasa na Festa das Camélias
Vera de Melo lança livro "Tu Nasceste para Colorir a Vida"
Vera de Melo mostra-se em biquíni!
Vera de Melo recarrega energias na Grécia!
Vera de Melo envia abraço... em forma de livro! E já pode ser seu
Não vai acreditar no que Vera de Melo fez em criança: "Fugi e disse que não tinha sido eu"
Vera de Melo lança novo livro: "Acredito que o nosso coração é uma bússola invisível"
Psicóloga Vera de Melo fala sobre novos projetos: "Vou sair da minha zona de conforto"
Psicóloga Vera de Melo cria estratégias para ajudar os pais a afastarem os filhos dos ecrãs
Em preto e dourado, Vera de Melo roubou as atenções na gala de aniversário da TVI!
Vera de Melo: "Aqueles momentos marcaram-me e definiram a pessoa que sou hoje"
Não são apenas amigos. Mas também nunca chegam a ser um casal.
A psicologia chama a isto uma relação ambígua. Um vínculo onde existe proximidade suficiente para alimentar a esperança, mas não compromisso suficiente para dar segurança. É precisamente esta indefinição que torna estas relações tão difíceis de viver.
O nosso cérebro não gosta da incerteza. Quando não sabemos o que o outro sente, tentamos preencher os espaços em branco com interpretações. "Hoje foi mais carinhoso, talvez esteja apaixonado." "Hoje afastou-se, talvez tenha medo." Entramos num ciclo de esperança e desilusão que desgasta emocionalmente muito mais do que uma resposta clara.
Muitas destas relações mantêm-se porque ambos recebem alguma coisa. Há companhia, carinho, apoio emocional e uma sensação de pertença. Mas também existe medo. Medo de estragar a amizade, medo de ouvir um "não", medo de assumir sentimentos que podem não ser correspondidos. Enquanto ninguém arrisca, tudo fica suspenso.
Por vezes, há ainda outra realidade: uma das pessoas quer mais. A outra gosta da proximidade, do conforto e da atenção, mas não deseja construir uma relação amorosa. Não é necessariamente manipulação. Muitas vezes, é falta de clareza consigo própria. O problema é que a ambiguidade prolongada acaba quase sempre por magoar alguém.
Há um sinal que merece atenção: se a relação dura meses ou anos sem evoluir, apesar de existirem oportunidades para isso, talvez a resposta esteja precisamente na ausência de evolução. Porque quem quer construir uma relação encontra, regra geral, uma forma de o mostrar.
Isso não significa que todas as amizades com grande intimidade tenham de terminar num namoro. Significa apenas que vale a pena perguntar se ambos estão a viver a mesma relação ou se cada um está a contar uma história diferente.
A forma mais saudável de sair desta prisão emocional continua a ser a mais difícil: conversar. Não para pressionar o outro, mas para perceber onde cada um está. Uma conversa pode doer durante alguns minutos. A incerteza pode doer durante anos.
Há relações que não acabam porque ninguém diz que sim.
Mas também não começam porque ninguém tem coragem de perguntar.
E, às vezes, o maior sofrimento não nasce da rejeição.
Nasce de ficar eternamente à espera de uma resposta que nunca chega.
