Crónicas

"O fim do 'Nós', o início do 'Eu': guia prático para recomeçar após uma traição", por Tatiana A. Santos

Dizer que o divórcio é apenas "o fim de um capítulo" pode soar a pouco quando esse capítulo termina com o impacto de uma traição. Na verdade, a sensação é mais a de que alguém entornou café sobre as páginas da nossa história e nos deixou a tentar ler as entrelinhas.

Psicóloga Clínica Sénior | Consultora em Welness e Bem-Estar | CP 844
  • 13 mai, 19:05
Casal

Na SELFIE, sabemos que a vida real não tem filtros de Instagram quando o assunto é o coração. Por isso, fomos procurar respostas na Psicologia Positiva. Não para lhe dizer para "sorrir e seguir", mas para lhe mostrar que é possível reconstruir uma base sólida quando o chão parece ter fugido.

 

1. Validar a ferida (sem se deixar definir por ela)

A psicologia positiva não ignora a dor. A traição gera um choque real no nosso sistema de segurança. É normal sentir raiva, desorientação e aquela vontade súbita de procurar respostas que, muitas vezes, o outro não sabe dar.

A estratégia: pratique a autocompaixão. Trate-se como trataria a sua melhor amiga. Se ela estivesse a sofrer, não lhe diria "supera isso já!". Diria: "Eu sei que dói, mas eu estou aqui". Dê nome às emoções, mas não as deixe tomar o lugar de quem você é.

 

2. O foco no Crescimento Pós-Traumático

Existe um conceito fascinante chamado Crescimento Pós-Traumático. Significa que, após um evento difícil, muitas pessoas descobrem uma nova apreciação pela vida e forças que nem sabiam que tinham.

A estratégia: identifique as suas Forças de Caráter. É uma pessoa resiliente? Criativa? Justa? Use essas ferramentas para redesenhar a sua rotina. Se a sua força é a "curiosidade", use-a para aprender algo que sempre adiou enquanto estava casada. O "Eu" que emerge agora é mais consciente.

 

3. Evitar o "Tribunal da Mente"

O julgamento consome uma energia vital. Tentar encontrar culpados ou remoer o erro do outro é como tomar veneno à espera que a outra pessoa morra. Na psicologia positiva, o perdão não é sobre o outro — é sobre a sua própria liberdade.

A estratégia: mude a narrativa. Em vez de se ver como "a pessoa que foi traída", tente ver-se como "a pessoa que agora tem a oportunidade de desenhar uma vida que lhe faça sentido". O objetivo não é absolver o comportamento alheio, mas sim retirar-lhe o poder de controlar o seu presente.

 

4. Cultivar micro-momentos de bem-estar

Não precisa de estar em euforia 24 horas por dia. Precisa apenas de equilibrar a balança emocional com pequenas doses de dopamina natural.

A estratégia: utilize o exercício das Três Coisas Boas. Todas as noites, anote três coisas pequenas que correram bem (o sabor do café, uma mensagem de apoio, o silêncio da casa). Isto treina o seu cérebro para procurar a luz, mesmo quando o horizonte ainda parece nublado.

 

Um Lembrete Importante

Seguir em frente não é uma linha reta. Haverá dias de sol e dias em que o edredão será o seu melhor amigo. O seu valor é intrínseco, inabalável e independente de promessas quebradas. Respire fundo. O próximo capítulo ainda não foi escrito, mas a caneta está, finalmente, de volta à sua mão.

Força, coragem e, acima de tudo, amor-próprio.

Tatiana A. Santos
Psicóloga Clínica Sénior | Consultora em Welness e Bem-Estar | CP 844

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