Para a mulher que atravessa este umbral, a sensação é, muitas vezes, a de um exílio solitário. A sociedade, que idolatra a juventude, parece baixar as persianas quando o tema é o fim da idade fértil, como se o valor de uma mulher estivesse irremediavelmente ligado à sua capacidade de ovular.
O suor que não vem do esforço
O que ninguém lhe disse, nos jantares de amigas ou nas consultas de rotina, é que os calores não são apenas "calores". São labaredas de invisibilidade. Ela dá por si a meio de uma reunião importante, ou no meio do corredor do supermercado, a sentir um incêndio interno que lhe sobe pelo pescoço, tingindo o rosto de um rubor que parece gritar a sua idade ao mundo. É um desconforto físico, sim, mas é sobretudo um desconforto social. O tabu alimenta-se deste silêncio. Parece que se não falarmos sobre isso, talvez não esteja a acontecer. Mas está.
O nevoeiro na mente e o corpo estranho
Há também aquele "nevoeiro cerebral", também chamado de brain fog, que a faz esquecer-se de palavras simples ou do que ia fazer à cozinha. Não é demência, mas às vezes parece. Não é falta de inteligência, mas há quem pense que sim. Na verdade, é apenas o cérebro a tentar recalibrar-se sem o combustível dos estrogénios. E o corpo? Esse parece ter vontade própria. A gordura que se acumula na cintura, a pele que perde o brilho, seca, faz comichão. A líbido que decide tirar férias por tempo indeterminado. Ela olha-se ao espelho e, por vezes, não reconhece a estranha que a observa de volta.
Dicas práticas para habitar esta nova pele
Para que não se sinta sozinha neste deserto, existem estratégias que devolvem o controlo e a dignidade ao quotidiano.
A estratégia das camadas
Vestir-se com várias camadas de roupa de fibras naturais (algodão ou linho) permite-lhe despir-se rapidamente quando o "afrontamentos" ataca, sem perder a compostura.
O ritual do magnésio e da hidratação
Beber água fresca constantemente e consultar um especialista sobre a suplementação com magnésio pode ajudar a regular o sono e a ansiedade, dois dos pilares que mais sofrem nesta fase.
Lubrificação sem culpa
A secura vaginal é talvez o maior silêncio de todos. É preciso saber que os hidratantes vulvares e os lubrificantes à base de água são ferramentas de liberdade, não sinais de derrota. A vida sexual muda, mas não termina.
O poder da musculação
Não é apenas estética. Levantar pesos é, nesta fase, o melhor aliado contra a osteoporose e o melhor motor para acelerar o metabolismo que parece ter decidido hibernar.
O Fim é de um Ciclo, não da Mulher. A crónica da vida desta mulher (da sua vida) não termina aqui. A menopausa pode ser o momento em que deixa de cuidar do mundo para começar, finalmente, a cuidar de si. É um período de poda necessária para que algo novo floresça. Quando partilha o que sente, quando admite que está exausta ou que o seu corpo mudou, quebra o vidro que a isola.
Ao ler estas palavras, espero que sinta que não está a enlouquecer nem a desaparecer. Está apenas a mudar de estação. E, tal como no outono, a queda das folhas é apenas a preparação para uma estrutura mais forte, mais resiliente e, acima de tudo, profundamente sábia. Você, mulher, não está sozinha. Faz parte de uma legião de mulheres que, em silêncio, estão a reinventar o que significa ser madura com poder.
