Há perguntas que parecem simples até ao momento em que somos confrontados com elas. "És mesmo feliz a trabalhar na área do social?" é uma delas.
Mais do que sobre trabalho, concretização pessoal ou vocação. É sobre identidade. E, não, não acho que a área em que trabalhamos nos defina por si só.
Eu gosto de falar com pessoas. E essa vai ser sempre a premissa, independentemente da área do jornalismo em que me encontrar.
Talvez seja irrelevante a área. Talvez nunca tenha sido sobre o social. Nem sobre plataformas, métricas, tendências ou formatos. Talvez tenha sido sempre sobre pessoas. Sobre aquele instante em que nos esquecemos da câmara, do microfone ou até das perguntas preparadas.
Gosto desse momento. Gosto da pausa antes de uma resposta. Gosto de observar pessoas à procura das palavras. Gosto quando uma conversa deixa de parecer uma entrevista.
E talvez seja isso que me prende, independentemente do segmento de jornalismo em que trabalho.
Porque as áreas mudam constantemente. O digital muda. As redes mudam. O algoritmo decide uma coisa nova todas as semanas. O que hoje é essencial amanhã parece ultrapassado. Mas há coisas que não mudam assim tanto: a necessidade de contar histórias, de ouvir alguém, de tentar perceber o que existe do outro lado.
A verdade é que nunca quis trabalhar em social. Mas talvez sempre tenha querido, desde o início, trabalhar com pessoas.
E talvez a sorte esteja precisamente aí: descobrir que aquilo de que gostamos no nosso trabalho vai muito além do segmento.
