"Tad e a Lanterna Mágica" chega aos cinemas portugueses esta quinta-feira, 27 de agosto, e traz de volta Tad, Sara, Múmia, Jeff e Belzoni para uma nova aventura. Este é o quarto filme da saga criada por Enrique Gato e, desta vez, a história começa com a descoberta da misteriosa Lanterna Mágica das Mil e Uma Noites. Um desejo acaba por desencadear uma viagem no tempo que ameaça alterar o curso da História.
Mas havia uma questão importante antes do início do filme: será que dois adolescentes, um deles que nem acompanhou os filmes anteriores, conseguiriam entrar nesta aventura sem se sentirem perdidos?
A resposta de Clara, de 14 anos, é clara!: "Achei a história do filme interessante. Mesmo não tendo visto os filmes anteriores, consegui perceber bem a história e estava tudo muito giro e bem encadeado."
E esta acaba por ser uma das vantagens do filme. Embora faça parte de uma saga, "Tad e a Lanterna Mágica" não exige que o espectador tenha um doutoramento em Tad para perceber o que está a acontecer. A aventura apresenta as personagens, estabelece rapidamente o problema e atira-as para uma viagem através de diferentes épocas e civilizações.
E há um detalhe que pode surpreender quem pensa que está perante "apenas" mais um filme de animação: a História tem um papel bastante importante na aventura. A viagem leva Tad e companhia por diferentes períodos e lugares, recuperando referências a civilizações, personagens e acontecimentos históricos. A própria premissa assenta na possibilidade de mexer no passado e, consequentemente, alterar o presente.
Há passagens pela antiga Grécia, pelo Médio Oriente e por cenários ligados a lendas como a de Ali Babá e os Quarenta Ladrões. A aventura passa ainda pela mítica cidade perdida de Païtiti. É precisamente aqui que o filme consegue juntar entretenimento e pequenas doses de cultura, sem transformar a sessão numa aula de História.
Se há coisa que não falta durante os cerca de 94 minutos de duração é humor. E há espaço para referências que podem escapar aos mais novos, mas arrancar uma gargalhada aos adultos. Entre as várias piscadelas de olho, encontramos referências à cultura popular portuguesa, incluindo um dos temas mais icónicos de "Panda e os Caricas", mas também momentos que fazem lembrar universos cinematográficos bastante diferentes. Sim, há espaço até para "Mad Max"!
A mistura é propositadamente improvável e ajuda a manter o ritmo de uma história que está constantemente a saltar entre aventuras, perseguições e situações absurdas.
Outro dos elementos que chama a atenção é a forma como o filme brinca com um tema muito atual: a inteligência artificial. Sem deixar que a tecnologia domine a história, "Tad e a Lanterna Mágica" introduz referências que dialogam com o mundo em que os espectadores vivem hoje e há até um robot de inteligência artificial que, ao início, é visto como uma ameaça, mas que assume um papel muito relevante na história.
É uma escolha particularmente interessante num filme pensado para um público familiar, porque permite que diferentes gerações encontrem referências diferentes na mesma história. Os mais novos podem reconhecer situações e conceitos do seu quotidiano, enquanto os adultos encontram outras referências e piadas pelo caminho.
Duarte, de 15 anos, foi um pouco mais exigente na avaliação, mas, mesmo assim, o saldo é positivo: "Achei o filme bom, podia ser melhor mas chega a ser um filme com humor engraçado, as personagens foram bem utilizadas na história. O argumento é interessante e diferente e, no geral, vale a pena assistir."
Ou seja: não estamos perante o filme que vai necessariamente mudar a história da animação, mas também não é essa a sua missão.
"Tad e a Lanterna Mágica" quer, acima de tudo, entreter. E fá-lo através de uma aventura rápida, colorida, cheia de referências e com personagens que têm espaço para brilhar.
O veredicto dos adolescentes
Depois de mais de uma hora e meia de aventura, qual foi então o resultado do nosso pequeno teste? Clara e Duarte não saíram do cinema a pedir para rever imediatamente os três filmes anteriores. Mas também não saíram a perguntar quando podiam ir embora.
Clara destaca a história e considera que conseguiu acompanhar tudo mesmo sem conhecer os filmes anteriores. Duarte é mais crítico, reconhece que o filme poderia ser melhor, mas destaca o humor, as personagens e a originalidade da história.
E há uma conclusão comum: vale a pena assistir.
