Internado há cerca de três meses, Nuno Markl fez um sentido desabafo nas redes sociais.
"E, de repente, um gajo português, em 2026, num quarto de hospital na longa recuperação de um AVC, sente que uma monumental aventura de vingança escrita em França no século XIX foi escrita para si. É este o poder dos livros. Nunca tinha lido 'O Conde de Monte Cristo', mas, se calhar, li-o na altura certa", começou por escrever.
"Mergulhei nestes dois volumosos tomos e vivi décadas em dez dias, no mais metódico, milimétrico, filosófico e paciente plano de vingança. E paciência e método tem sido a minha vida desde o fim de Novembro. A minha aventura é diferente. Não tenho ninguém de quem me vingar, no entanto, talvez do AVC ou do Nuno Markl antigo, o que descurou a saúde e viveu para o trabalho", continuou.
"'Aguardar e ter esperança', diz Edmond Dantès, numa carta que tomo como um pouco endereçada também a mim. Bateu muito certo. Em miúdo, Alexandre Dumas divertiu-me deveras com 'Os Três Mosqueteiros', mas na idade adulta, com o Conde, deu-me um banquete de sentido da vida. Feliz por ter voltado a ler com este apetite", rematou Nuno Markl.
