Numa entrevista intimista, concedida ao programa "Alta Definição", Nininho Vaz Maia fez uma viagem no tempo e recordou a infância, nomeadamente a vida no bairro.
"O bairro tem esse balanço. Tem muita coisa boa, essa união, acredito que crescemos com um coração diferente. No sentido de amar os meus, respeitar toda a gente, não olhar a cores. Mas no bairro vês muita dificuldade, isso fez-me ser mais humano. Os problemas são reais, sem dúvida", assinalou, sublinhando, de seguida, essas dificuldades.
"Há coisas que se calhar uma criança não tinha de ver. Há 20 anos, via coisas e assistia a coisas que não quero que os meus filhos assistam. Víamos pessoas mortas, víamos pessoas caídas, porque assim foi a vida que escolheram ou não conseguiram sair dela. Ver pessoas caídas sem perceber que já não estavam cá, porque era normal estarem ali sentadas a drogarem-se e afinal já não estavam a dormir ou com a moca a descansar, simplesmente já tinham partido", acrescentou.
Um dos momentos mais difíceis na infância de Nininho Vaz Maia foi a prisão do pai: "Com dez ou 11 anos, vi-me sem o meu pai. Estava lá quando foi condenado. Em tribunal, lembro-me de correr atrás da carrinha". Contudo, para o artista, o pai, "mesmo nos erros, sempre é um exemplo".
"Um pai faz muita falta no crescimento dos seus filhos. Mas, depois, voltamos à normalidade. Todos nós [os amigos] não tínhamos o pai ou a mãe. Não tive quem me guiasse, mas tive muito amor."
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