Caso Nininho Vaz Maia: afinal, o que é branqueamento de capitais?
O cantor Nininho Vaz Maia foi constituído arguido por suspeitas de branqueamento de capitais. Gustavo Silva, advogado e antigo inspetor da PJ, explicou à CNN Portugal que crime é este.
- 6 mai 2025, 17:16 Dúlio Silva e Agência Lusa
O que significa "branqueamento de capitais associado ao tráfico de droga", o crime que envolve Nininho Vaz Maia
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Nininho Vaz Maia foi constituído arguido por suspeitas de branqueamento de capitais, na sequência das buscas realizadas, esta terça-feira, dia 6, no âmbito de uma investigação por tráfico de droga por via aérea, adiantou à agência Lusa fonte policial.
Gustavo Silva, advogado e antigo inspetor da Polícia Judiciária (PJ), esteve presente na emissão da CNN Portugal para explicar que crime é este que envolve o conhecido o cantor. "O branqueamento de capitais, ao fim e ao cabo, é uma forma de dinheiro obtido através de um crime, portanto, de origem ilícita, ser trazido e dar-lhe uma forma lícita. É a chamada lavagem de dinheiro, simplificando na comunicação. O que é que isto implica? Implica que se comprove o cometimento de um crime a montante. Branqueamento de capitais é um crime autónomo, mas tem de haver um crime provado a montante", fundamentou.
"Neste caso, por aquilo que são as notícias, porque ainda temos pouca informação, naturalmente, o que estará em causa poderá ser o tráfico de droga e a forma encontrada para trazer, ao fim e ao cabo, para o circuito lícito, do dia-a-dia, bancário e legal, dinheiro obtido de forma ilícita", acrescentou Gustavo Silva.
Entretanto, a equipa do cantor emitiu um comunicado, no qual confirma que, "pelas 07:00 horas da manhã, a Polícia Judiciária se dirigiu à casa de Nininho Vaz Maia, no âmbito de uma investigação em curso". "Foram realizadas buscas e o Nininho foi acompanhado para prestar declarações, colaborando desde o primeiro momento com as autoridades", afiançam os representantes do artista.
A nota prossegue com uma garantia: "Importa deixar absolutamente claro que o Nininho está inocente e que confiamos plenamente na Justiça e estamos certos de que tudo será esclarecido com brevidade. Reafirmamos total disponibilidade para colaborar com as autoridades em tudo o que for necessário, mas rejeitamos qualquer associação precipitada."
"Queremos ainda agradecer o enorme carinho dos fãs e o respeito da imprensa até ao momento. O vosso apoio faz toda a diferença", agradece ainda a equipa de Nininho Vaz Maia.
Num comunicado entretanto divulgado, a Polícia Judiciária (PJ) diz que realizou 33 buscas domiciliárias e não domiciliárias na região da Grande Lisboa, no âmbito da operação SKYS4ALL "que culminou com a detenção de dois cidadãos nacionais e a constituição de três arguidos", um deles Nininho Vaz Maia.
"A operação teve em vista a recolha de prova, sobre as presumíveis atividades ilícitas, de um grupo criminoso, que se dedicava ao tráfico de estupefacientes por via aérea e branqueamento de capitais", explica esta força de investigação criminal.
Além do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram ainda apreendidas cinco viaturas, duas armas de fogo, uma elevada quantidade de dinheiro em numerário, diverso material de comunicações e documentação, acrescenta a PJ.
Em causa está a alegada prática dos crimes de tráfico de estupefacientes e de substâncias e métodos proibidos, além de branqueamento de capitais.
Na operação SKYS4ALL, estiveram empenhados 80 elementos da PJ, um juiz de instrução criminal e um magistrado do Ministério Público.
As buscas estiveram a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, da PJ.
As investigações prosseguem, sob a direção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures, distrito de Lisboa.
