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Polémica na Eurovisão. Nemo devolve troféu: "Até as mais belas canções perdem o sentido"

Nemo venceu o Festival da Eurovisão 2024 pela Suíça.

A polémica da Eurovisão continua sem fim à vista. Depois de vários países terem anunciado a retirada do certame após Israel ter sido autorizado a participar, Nemo, artista que, em representação da Suíça, venceu o Festival da Eurovisão em 2024, anunciou que vai devolver o troféu conquistado então.

"No ano passado, venci a Eurovisão e recebi um troféu", escreveu o artista, antes de continuar: "E embora manifeste gratidão à comunidade e a tudo o que esta experiência me ensinou, como pessoa e como artista, sinto que o troféu já não tem lugar na minha estante."

"A Eurovisão diz representar unidade, inclusão e dignidade para todos. Esses valores faziam-me valorizar o concurso. Mas a participação continuada de Israel, durante aquilo que uma Comissão de Inquérito Independente da ONU concluiu ser um genocídio, mostra um conflito claro entre esses ideais e as decisões tomadas pela organização da Eurovisão", continuou Nemo, antes de sublinhar: "Isto não tem a ver com indivíduos ou artistas. O concurso foi usado para suavizar a imagem de um Estado acusado de atos graves, ao mesmo tempo que a organização insiste que a Eurovisão não é política. E quando devido a esta contradição vários países se retiram da competição, devia ficar claro que algo está errado. Por isso, decidi devolver o meu troféu no quartel-general da EBU [que organiza o festival] em Genebra. Com gratidão e uma mensagem clara: pratiquem aquilo que defendem."

"Se os valores que celebramos em palco não são vividos fora dele, então até as mais belas canções perdem o sentido. Aguardo o momento em que palavras e ações se alinhem. Até lá, este troféu é vosso", rematou Nemo.

Na caixa de comentários da publicação, Iolanda, que representou Portugal na Eurovisão em 2024, escreveu: "Para sempre do lado certo da história."

Aquando da participação no certame, Iolanda já se tinha manifestado, apresentando-se na passadeira turquesa (onde desfilam os representantes de todos os países, marcando assim o início dos espetáculos ao vivo do concurso), em Malmö, na Suécia, com um vestido de uma marca palestiniana e as unhas pintadas com o padrão do keffiyeh, um lenço que é símbolo da resistência palestiniana.

Recorde-se que, esta semana, a maioria dos concorrentes do Festival da Canção, em Portugal, manifestaram a sua indisponibilidade para representarem Portugal, caso ganhem o concurso. Outros países, como Espanha, Países Baixos, Irlanda e a Islândia, já se retiraram oficialmente da competição.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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