Entrevistas

Miguel Moura revela tudo sobre o novo projeto e a nova vida em entrevista exclusiva

Em declarações exclusivas à SELFIE, Miguel Moura fala sobre o que mudou desde a chegada da filha, Ema, no passado mês de março, e ainda partilhou as novidades profissionais que estão a caminho.

Numa entrevista intimista e sem filtros, Miguel Moura abriu o coração para falar sobre a filha, Ema, que nasceu no passado mês de março, e o projeto que tem em mãos.

Recentemente, foste pai pela primeira vez. Como é que estás a viver esta nova etapa tão especial?
Fui pai recentemente e o sentimento é muito bom! O meu sentido de responsabilidade, de alerta, de amar... aumentou com o nascimento da Ema. Estou muito feliz com a paternidade e a gostar imenso de ser pai, de ter toda uma logística para sair de casa, para ir para o carro, para ir ao café, etc… Mudar fraldas, dar banho, fazer rir, o aconchego quando está mais tristonha, cantar para ela... Estou a adorar e todos me têm dito que esta é uma etapa que passa a correr e que tenho de aproveitar ao máximo. Acho que tenho conseguido aproveitar.

Como é que recebeste a notícia de que ias ser pai? Lembras-te do momento?
Lembro-me de tudo do dia em que a minha namorada me disse que estava grávida. Não me recordo da data, mas sei que foi no Rock in Rio, em Lisboa. A minha namorada tinha um artista favorito que gostava muito de ir ver, então, comprou dois bilhetes para irmos. E é interessante que, nesse dia, eu sem saber de nada, estava muito feliz, de lágrimas nos olhos, porque era um momento nosso, romântico, mas parecia que estava a sentir algo diferente naquele dia. Eu estava muito ansioso, à procura de algo, nervoso ao mesmo tempo… até que a Margarida, muito nervosa, abriu a mochila e sacou de lá algo tapado e disse-me ao ouvido: "Estou grávida." Eu não acreditei logo, mas ela deu-me o teste para a mão e disse: "Está aí." Desatei a chorar. Foi uma sensação louca. Sei que me deu a notícia por volta das 15h00/15h30 e eu só consegui parar de chorar por volta das 20h00. Fiquei mesmo contente. Depois, queria contar, mas não podia… porque há quem diga que nos três primeiros meses não se deve contar.

O que sentiste quando pegaste na tua filha ao colo pela primeira vez?
Não sei bem explicar! Obviamente que senti felicidade, mas, ao mesmo tempo, nervos, porque pensei: "Já cá está, agora, será que a consegues manter? Será que vai ser fácil?" Pensei em tudo! Claro que também pensei: "Será que vai cantar?"

Ser pai mudou a tua forma de ver a vida?
Ser pai mudou um pouco! Digo um pouco, porque, da minha pessoa já faz parte querer ser mais responsável, cuidadoso, etc… A Ema nasce e tudo o que já tinha aumentou. Agora, sinto que tenho um sentido de responsabilidade maior. Tenho medo, muito medo de não a poder ver crescer, de não lhe poder dar um prato de sopa, de não conseguir fazer por ela o que quero, de não conseguir ser pai. Até tenho dias em que penso com muita frequência nisso e fico um pouco mais "em baixo". Penso: "Como seria sem mim?" Mas não quero pensar nisso. Enfim, mudou a minha maneira de ver a vida, sim.

Como tem sido partilhar esta aventura da parentalidade com a Margarida? Sentes que a chegada do bebé vos aproximou ainda mais como casal?
Partilhar esta aventura com a Margarida tem sido espetacular, até porque nós dividimos tudo o que são tarefas, com a Ema e com a casa. Sinto que a Ema não nos aproximou nem afastou. A relação manteve-se igual, apesar de o sentido de amar ter crescido! Por um bebé nosso, que é uma parte de nós.

Já pensaram em dar um irmãozinho à Ema ou ainda é cedo para pensar nisso?
Se já pensamos em dar um irmãozinho à Ema? Já! Não vou dizer aqui qual é o nosso objetivo como pais, mas gostaríamos de ter mais filhos. Pensamos em dar um irmãozinho, mas, vendo o mundo como está, estamos a adiar essa hipótese. Faz-me confusão pensar que a Ema possa presenciar uma guerra. Espero que não. Mas vendo como está o mundo e vendo que a vida não está fácil para ninguém, estamos a adiar essa ideia. A Ema também é pequena e acho que seria difícil.

Costumam dizer que a Ema é mais parecida contigo ou com a mãe?
Geralmente, costumam dizer que é mais parecida com o pai, mas com os olhos da mãe! Olho azul! Mesmo que dissessem o contrário, ficaria feliz na mesma, porque ela é uma parte de mim e, desde que tenha saúde, é o principal.

Com esta nova fase, sentes que estás num dos momentos mais felizes da tua vida?
Sem dúvida que esta é a minha melhor fase de todas das que tenho passado. Tive uma altura em que me senti mais "em baixo" e a Ema é que me trouxe para cima.

Há alguma rotina que já seja "vossa"? Algum momento do dia  que não abdicas?
Durante o dia, não abdico de brincar com a Ema. Tal como não abdico de tocar viola e de compor. Tudo tem o seu momento e tempo. Acho que há tempo para tudo.

Tens alguma rotina especial com o bebé? Banhos, canções, histórias…?
Gosto de dar banho à Ema, de mudar as fraldas também. Não gosto de contar histórias, mas gosto de as cantar. Aliás, não é não gostar, mas acho que não tenho perfil para tal. Prefiro cantar, mesmo. Gosto de passear com a Ema, gosto de lhe cortar as unhas, embora, às vezes, aconteça cortar a mais. No futuro, vou gostar, de certeza, de lhe dar a sopinha.

Gostavas que ela seguisse a mesma carreira do pai?
Essa pergunta… Não vou mentir, claro que gostava que ela cantasse - e melhor do que eu. Mas ela vai crescer e vai ser ela a decidir o que quer seguir. Ela, um dia, o dirá.

Que valores vais querer passar-lhe no futuro?
Gostaria de passar à Ema o que me foi ensinado: a saber respeitar o próximo, a ser bondosa e generosa, a não se deixar enganar por ninguém (convém), no fundo, a ser uma boa menina. Também vou querer passar que, para ter as coisinhas dela, terá que se esforçar. Não haverá facilidades, tudo é difícil, mas, quando se ganha, sentimos um profundo orgulho em nós próprios por termos conseguido alcançar a meta. Vou querer ensinar isso à Ema!

Como estás a conciliar a rotina de pai com a carreira musical? Tem sobrado tempo para a música? Estás a preparar alguma novidade?
Tenho conciliado muito bem a rotina de pai com a carreira musical. Durante o dia, estou em casa, ajudo no que posso e faço a minha parte como pai. À noite, quando tenho concertos, é tranquilo, porque a Margarida fica com a Ema. Às vezes, elas até vão aos concertos. Quando não tenho concertos à noite e a Ema já está a dormir, fico em casa até altas horas a compor canções. Algumas delas já vão sair no meu disco que estou a preparar com o Hélder Moutinho. Ele está a ajudar-me imenso, é ele quem está a produzir o meu disco, é com ele que partilho ideias e vice-versa, é uma pessoa gigante.

Como é o teu relacionamento com os fãs? Sentiste um apoio ainda maior nesta nova fase da tua vida?
O meu relacionamento com os fãs é espetacular. Os fãs são uma família que ganhei. Não tenho palavras para agradecer aos fãs por todo o apoio, toda a força e todo o carinho que me têm dado. Os fãs são quem faz também o artista. Muitos dizem que não. Mas eu não concordo. O artista é artista pelos fãs, pela equipa que trabalha com ele, pelos músicos que o acompanham… Esse, sim, é o verdadeiro artista. Eu sou um sortudo por ter estes fãs comigo e espero vir a ganhar ainda mais com o tempo. Tive uma fase em que fiquei sem trabalhar na música durante seis ou sete meses, mas os meus fãs foram incansáveis. Nos grupos de fãs, estavam sempre a partilhar conteúdo e a dizerem: "Não vamos esquecer o nosso Miguel." Isso marcou-me muito pela positiva, claro. Adoro os meus fãs! Também há outra coisa que acho que é importante dizer: não há um único concerto que faça em que eu não esteja com os fãs no final do espetáculo! Porque eles merecem! Muitos vão de longe para estarem connosco, por isso, para além de partilharmos com eles as nossas canções, sinto o dever de partilhar um momento único com eles. Estar com eles pessoalmente faz toda a diferença. A pessoa que partilha o momento nunca mais se vai esquecer e vai sentir: "Vim de longe, mas valeu a pena."

O que dirias ao Miguel da tua infância/adolescência?
Ao Miguel da minha infância/adolescência, diria que esteve bem! Nunca se envolveu em problemas, nunca seguiu pelas cabeças de outros jovens, nunca teve vícios, pensou sempre antes de agir, fosse em que circunstância, fosse. Por isso, diria que esteve bem e que está a conseguir concluir os seus objetivos. Acho que é isso.

És hoje o homem que imaginavas ser?
Não! Sempre imaginei que, um dia, seria um homem com posses para poder cuidar e proteger a família. Ainda não o sou.

Olhando para trás, guardas algum arrependimento?
Sim! Estou arrependido de não ter estudado música no conservatório para compor com mais facilidade. Eu faço-o, mas é com o que sei e utilizando a minha criatividade, a minha imaginação, etc… Sinto que poderia ser diferente! Também sei que posso estudar em qualquer altura! E é o que vou fazer: investir em mim! Não tenho mais arrependimento nenhum, porque as más experiências e as escolhas que fazemos já estão traçadas no nosso destino. São fases de aprendizagem, fases de crescimento e fases que nos ensinam a não ser como determinadas pessoas ou a não seguir mais por ali.

Onde é que te imaginas daqui a 5/10 anos?
Já imaginei várias vezes. Daqui a 5/10 anos, imagino-me a passar por grandes palcos e a ouvir o público a cantar as minhas canções de uma ponta à outra com verdade. Espero estar bem profissional e pessoalmente e ter todos aqueles que tenho hoje junto de mim.

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