O corpo humano é maioritariamente água. Os músculos, o cérebro, o sangue, até os ossos – todos dependem dela para funcionar. Na boca, essa dependência é ainda mais evidente.
A primeira vítima da desidratação
Já reparou como a boca fica quando passa muito tempo sem beber água? Aquela sensação pegajosa, pastosa, a dificuldade em engolir, são os primeiros sinais de que o corpo está a pedir água.
A saliva é composta por 99% de água. É ela que humedece os alimentos, que protege os dentes da cárie, que neutraliza os ácidos das bactérias. Sem água suficiente, a produção de saliva diminui. E quando a saliva escasseia, todo o equilíbrio da boca se rompe.
Há uma razão pela qual as pessoas com boca seca têm muito mais cáries e doenças gengivais. Não é descuido, é falta daquilo que protege naturalmente.
O que acontece quando não bebemos água suficiente
Quando o corpo está desidratado, as células entram em sofrimento. Funcionam em modo de poupança, a um ritmo mais lento. A regeneração dos tecidos, esse processo contínuo de renovação celular, fica comprometida.
Na boca, isto tem consequências concretas. As gengivas tornam-se mais frágeis. Pequenas agressões do dia a dia provocam feridas que demoram mais a cicatrizar. As células da mucosa oral renovam-se de forma mais lenta e imperfeita.
Há também a questão do fluxo sanguíneo. A água é essencial para manter o sangue fluido e capaz de transportar oxigénio e nutrientes. Quando bebemos pouca água, as gengivas recebem menos oxigénio, menos nutrientes, e têm mais dificuldade em reparar os danos.
A água como veículo de limpeza
Cada vez que bebemos um gole de água, estamos a fazer uma lavagem suave na boca. Os resíduos alimentares são arrastados, as bactérias soltas são removidas, o pH da boca é neutralizado.
Quem bebe água regularmente promove esta limpeza natural. Quem não bebe, deixa que os resíduos e as bactérias se acumulem, criando um ambiente favorável à cárie e à doença periodontal.
Há quem substitua a água por café ou refrigerantes. Essas bebidas trazem açúcares e ácidos que prejudicam a saúde oral. Além disso, o café é diurético e pode contribuir para a desidratação e os refrigerantes atacam o esmalte dos dentes. A água simples continua a ser insubstituível.
O que a ciência tem mostrado
Estudos mostram que pessoas com boa hidratação têm menor incidência de cáries, menos problemas gengivais e uma recuperação mais rápida após procedimentos dentários.
Há também trabalhos que relacionam a desidratação crónica com o agravamento de doenças periodontais. Sem água, a produção de saliva diminui, as defesas naturais enfraquecem, as bactérias proliferam, a inflamação instala-se.
Nos idosos, a questão é ainda mais premente. Com a idade, a sensação de sede diminui e muitas pessoas deixam de beber água na quantidade necessária. A boca seca é uma queixa frequente e está na origem de muitos problemas orais.
O que podemos fazer no dia a dia
Beber água. Simples, certo? Não esperar pela sede, porque a sede já é sinal de que o corpo está ligeiramente desidratado. Ter sempre uma garrafa por perto, ir bebendo ao longo do dia, em pequenos goles.
Começar o dia com um copo de água em jejum. Levar uma garrafa para o trabalho e estabelecer a meta de a esvaziar até ao fim do dia. Comer frutas e vegetais ricos em água, como melancia, pepino, laranja.
A água e a regeneração
A água está no centro de todo o processo de regeneração celular.
Na boca, esta regeneração é particularmente visível. As gengivas curam, as pequenas feridas fecham, o esmalte dos dentes é protegido pela saliva. Tudo isto depende da água.
Vale a pena pensar nisto da próxima vez que agarrar num copo. Aquele gesto simples, quase mecânico, de beber água, é afinal um dos mais importantes que podemos fazer pela nossa saúde oral. Pela saúde de todo o corpo.
