Duarte tinha apenas oito anos quando o pai, Paulo Pereira da Cruz, foi assassinado a mando da mãe, Maria das Dores. Na altura da tragédia, o irmão mais velho, David Motta, fruto de um anterior relacionamento da mãe, ainda terá tentado ficar com a guarda da criança, mas o tribunal decidiu que tal não faria sentido, dado que o filho mais velho de Maria das Dores era menor de idade.
Duarte foi então entregue aos avós paternos e recusou, a partir desse dia, qualquer contacto com a mãe, Maria das Dores, que foi condenada a 23 anos de prisão, tendo cumprido 16.
Atualmente, Duarte tem 25 anos, é médico e tem uma banda, conforme contou David Motta, em entrevista a Manuel Luís Goucha, no programa "Goucha".
"Ele, hoje em dia, para além de ser médico, tem uma banda e isso trouxe-nos alguma satisfação porque, à distância, virtualmente, podemos acompanhá-lo. E também me alegra a direção artística da banda porque, apesar de ele ter sido um miúdo que cresceu em sofrimento, com a ausência da mãe e do pai, com os avós que fizeram o melhor por ele, mas que educado em colégios da Opus Dei, com uma educação muito conservadora, alegra-me o facto de ter acesso a conteúdo na internet e ver que o meu irmão também pinta a cara com maquilhagem", contou David Motta, que mantém relação com a mãe.
O apresentador questionou se o jovem tem esperança de que o irmão venha a restabelecer laços com a mãe. "Perdeu-se a relação totalmente. Eu gostaria, mas a intuição diz-me que é muito complicado ou quase impossível (restabelecer a relação). E Isso entristece-me bastante, mais pela minha mãe. Sei que se isso algum dia acontecer terá de ser sempre depois da partida da avó, o avô paterno já morreu", explicou David Motta, acrescentando que chegou a tentar entrar em contacto com o irmão, numa altura em que a mãe estava doente, mas que não terá tido sucesso: "Não foi o melhor momento."
Ao longo do tempo em que esteve presa, também Maria das Dores terá tentado contactar o filho mais novo e, no livro que escreveu, deixou-lhe uma mensagem direta: "Duarte, perdoa-me. A minha sentença não é a prisão, é saber que, por aquilo que te fiz, não mereço voltar a ver-te. Mas, se algo desejaria, antes de morrer, era que um dia pudéssemos voltar a estar os três, juntos outra vez."
Veja, agora, o vídeo com as declarações de David Motta.
