Manuel Luís Goucha abre exceção e fala sobre o pai: "Hoje, tenho pena"
Em conversa com Luís Osório, Manuel Luís Goucha recuou no tempo e falou sobre o pai.
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Ivan Silva
- 15 abr, 12:46
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Manuel Luís Goucha esteve à conversa com Luís Osório no podcast "Vividos" e, a certa altura, abriu uma exceção para falar sobre o pai.
"No meu livro da vida, o meu pai é uma página em branco, não absolutamente, porque privei com ele", começou por dizer o apresentador, enumerando, de seguida, o que "herdou" da personalidade do familiar.
"Acho que tenho o gosto pela vida, o lado lúdico da vida, porque a minha mãe não teve esse lado. Tenho coisas da minha mãe... o ser pouco sociável, é da minha mãe, mas o lado lúdico da vida, o gostar de viajar é do meu pai", contou.
"Quando digo que é uma página em branco, é porque eu sei muito pouco dele. Hoje, quando olho para trás, poucas vezes faço uma viagem ao passado, mas agora estou a escrever um livro que me obriga a isso e também é interessante, penso que perdi oportunidades - não me penalizo porque não vale a pena chorar sobre o leite derramado: 'Mas por que é que não me sentei, até mesmo com a minha mãe, para saber coisas sobre o meu pai'. Sei muito pouco sobre ele, tenho uma vaga memória de uma ourivesaria na Rua da Assunção, que era do meu avô paterno, Heliodoro Goucha, que morre mais tarde e acompanhei essa última fase dele, mas sempre distanciado. Não há aqui uma ligação de afeto ao lado paterno de forma alguma, porque não pode haver quando o afeto não é cultivado ao longo dos anos. Não é ao fim de 18 anos, 21, que era a maioridade, que despertaria em mim um sentimento filial. Mas parecia-me um homem muito simpático, com esse lado lúdico da vida, sempre rodeado de amigos, ou de falsos amigos, interesseiros, porque ele vivia muito melhor do que a minha mãe", explicou Manuel Luís Goucha.
"Tenho pena. Hoje, tenho pena de não me ter sentado a saber coisas dele. Penso: 'Por que é que não fui à procura das raízes dele, que vêm de Rio Maior? Quem era aquele homem, quem era o pai dele, quem foi a mãe dele?'. Não conheci a mãe dele, conheci a segunda mulher do meu avô, uma mulher muito interessante, com ar de mulher nórdica", continuou.
"A partir do momento em que venho para Lisboa, foquei-me muito", disse, ainda.
Por fim, o apresentador falou sobre o dia da morte do pai. "No dia da morte do meu pai, não senti nada. Vou dizer uma coisa que possivelmente vai perturbar muitas pessoas, mas têm que entender - se não entenderem, não é a vida delas, não me preocupa: eu tinha uma viagem marcada para Paris nesse fim de semana e o meu pai morreu numa quinta-feira. Foi o Rui quem me deu a notícia, a minha mãe não queria que o Rui me dissesse isso porque sabia da viagem que eu tinha agendada. Ele perguntou-me: 'Vais desmarcar a tua viagem?. Eu ia sozinho e disse que não sabia, que tinha de ter um tempo para pensar se isso estava a mexer comigo. Não mexeu. Ele foi mais do que o progenitor, eu estive algumas vezes com ele, contudo não há uma ligação de amor entre mim e o meu pai", recordou.
"Quando ele falece, eu não senti nada. Hoje tenho uma curiosidade que certamente não vou resolver em saber que homem era este, mas eu centrei-me muito naquilo que quis para a minha vida, ser independente, ser um bom profissional de televisão. A minha vida foi só focada no trabalho e ficou muita coisa de parte. Não posso ter saudades de algo que não tive na vida, que foi um pai", rematou Manuel Luís Goucha.
