Mais do que um nome, é uma filosofia japonesa que celebra a beleza das imperfeições. Desde as paredes cuidadosamente trabalhadas com veios dourados, até à estátua recuperada da antiga loja de ferragens que ocupava o espaço, cada detalhe conta uma história de resiliência, amizade e paixão pela gastronomia.
A aventura começou em janeiro de 2024, quando Gabriela Mendes da Costa e Mário Mendes da Costa decidiram deixar os empregos. Numa tarde de conversa com Bruno Mascarenhas e Filipe Pereira, surgiu a ideia do restaurante. Convencer Gabriela foi a etapa seguinte, e o sorriso da equipa ao recordar esse momento prova que valeu cada desafio. Entre a procura do local ideal, a elaboração do plano de negócios e os atrasos e imprevistos da obra, a equipa descobriu talentos inesperados, finalizando pessoalmente muitos dos trabalhos.
Percebo que não há luta de egos nesta equipa, as decisões são tomadas em conjunto, da carta aos vinhos. Uma cozinha aberta onde o wasabi se rala perante o olhar dos clientes. Nada da pasta verde impostora que se encontra em todo o lado. Aqui, o wasabi é o rizoma vivo, picante subtil, essência nipónica. Viciada em wasabi fresco me confesso. E posso afirmar que é uma excelente antevisão para o que se segue.
O menu de degustação é uma celebração de frescura e técnica:
Sakizuke: Carapau curado em sal e vinagre, fumado, com puré de bimi, micro coentro e azeite infusionado de coentros. Melhor puré de sempre, de uma delicadeza e sabor sem igual.
Mukozuki: Robalo em molho Tosazu, acompanhado de micro rabanete. Sem dúvida um dos meus momentos preferidos.
Sashimi: Lula gigante dos Açores com zeste de lima, Pargo curado em folha kombu, e Sarrajão da família do Bonito dos Açores. Um trio inesquecível! A lula estava perfeita e com uma textura que nunca tinha experimentado, parecia manteiga.
Yakimono: Peito de codorniz curado e grelhado, shimeji salteado em manteiga e sake, e batata-doce caramelizada.
Wagyu A5 Miyazaki e Toro: Levemente grelhados na grelha japonesa com Binchotan, acompanhados de gema de ovo curada, paprika e sal de extração terrestre.
Suimono: Caldo de Dashi com miso, amêijoas salteadas com sake, alho e coentro, azeite de coentros e micro coentro. Um momento que também serve para para limpar o palato.
Edomae Sushi: Trio de niguiri. De cavala curada em sal e vinagre, lírio (o meu peixe preferido) com sumo de lima e Toro, este último levemente braseado com Binchotan, madeira de carvalho de Wakayama, que confere calor uniforme e um toque subtil de fumo.
Na sobremesa é servido um Manjar Branco, inspirado numa receita da mãe de Bruno Mascarenhas. Acompanha com puré de ameixa japonesa.
E qual é o prato imperdível para os clientes experimentarem? "O trio de nigiris", escolha unânime da equipa. Apesar de o favorito da equipa ser o creme de bimi com carapau fumado, inesperado, leve e complexo. Já o prato mais requisitado pelos clientes é o menu de degustação, uma experiência completa que revela a essência do Kintsugi: simplicidade elevada à perfeição, matéria-prima premium, respeito pela tradição nipónica e um toque português que torna cada prato único.
Aqui, a tradição nipónica serve-se com alma lusa. "Os vinhos, portugueses e fora do comum, mudam com o menu, dando palco a produtores pequenos de todo o país", resume Mário. No final da refeição celebramos com sake.
No Kintsugi, a beleza sabe a mar, a casa, a vitória. É, sem dúvida, um espaço para quem procura cozinha japonesa autêntica, sofisticada e com alma, onde cada detalhe importa e cada imperfeição é celebrada. Um restaurante onde o wasabi é fresco, a amizade é a base e a experiência transcende a refeição.
Muito obrigada a toda a equipa! Foi realmente inesquecível!
Cozinha: Gabriela Mendes da Costa, Filipe Pereira, Bruno Mascarenhas;
Sala: Mário Mendes da Costa, Ian Pereira;
Copa: Carolina Fernandes.
Morada e contactos:
https://www.instagram.com/kintsugi.porto/
Rua De Santo Ildefonso, 220, Porto
+351 968 188 623
