Entrevistas

Kiara Timas: "Por mais que tentem apagar a nossa luz, somos nós que decidimos o nosso brilho"

Com um novo álbum a solo previsto para 2025, Kiara Timas esteve à conversa com a SELFIE e contou-nos tudo.

Kiara Timas, que em 2007 integrou o elenco dos "Morangos Com Açúcar" e fez parte das Just Girls, esteve à conversa com a SELFIE sobre a carreira a solo e os projetos para 2025.

Tantos anos depois das Just Girls, o que é que a motiva a apostar numa carreira a solo?

Antes mesmo de entrar nas Just Girls, a música já fazia parte de mim. Comecei cedo com aulas de canto e, depois da banda, a paixão continuou. Segui uma carreira a solo de forma consistente, explorando o meu próprio som e a minha identidade. Em 2017, lancei um álbum soul-pop-jazz, que tocou na Smooth FM, e ao longo dos anos fui trabalhando com vários artistas incríveis. Tive também a honra de fazer parte do espetáculo "Uma Mulher Não Chora", de Renato Júnior, no qual dividi o palco com vozes extraordinárias como Simone de Oliveira, Rita Redshoes, Ana Bacalhau, Luanda Cozzetti, Viviane, Sofia Escobar, Katia Guerreiro, Maria João, entre outras… Foi uma experiência mágica, que nos levou a algumas das mais icónicas salas de espetáculo do país, incluindo os Coliseus de Lisboa e do Porto. Quando, no ano passado, recebi o convite para o concerto de reunião dos "Morangos com Açúcar", no Passeio Marítimo de Algés, já estava a preparar este novo projeto, que finalmente vai ver a luz do dia em 2025! Este álbum é muito especial para mim e vai trazer vários singles lindos, começando com "Miúda", que saiu a 31 de janeiro e cujo videoclip conta com a participação especial da incrível atriz Sara Norte. Estou muito entusiasmada por partilhar esta nova fase com o público e prometo que, ao longo do ano, haverá ainda mais surpresas!

 

Há algum artista que a tenha inspirado nesta nova fase artística?

A música nunca saiu da minha vida, sempre continuei a cantar, a dar concertos, e a criar a solo. Para mim, a inspiração vem de muitos lugares: das experiências que vivo, das histórias que ouço, das emoções que me atravessam. Cada momento pode transformar-se numa melodia, cada sentimento pode dar origem a uma letra. Este novo projeto reflete tudo isso, é uma viagem autêntica pelo que sou e pelo que quero partilhar com quem me ouve.

 

Qual foi a inspiração por detrás do single "Miúda"?

O single "Miúda" nasceu da vontade de contar uma história com a qual muitas pessoas se podem identificar. Fala sobre crescer, errar, aprender e, acima de tudo, encontrar força para mudar. É uma música sobre autodescoberta e sobre o poder de escolher caminhos que realmente nos fazem bem. A letra reflete essa jornada, uma miúda que se perde entre ilusões e desafios, mas que, com o tempo, percebe que a vida ensina e que o amor, para ser verdadeiro, precisa de cuidado. Também toca num tema importante: as marcas que as palavras e as atitudes dos outros podem deixar. Muitas vezes, as pessoas passam por momentos difíceis, seja pelo peso das próprias escolhas ou pela forma como são tratadas pelos outros. O bullying, por exemplo, pode criar feridas invisíveis, mas ninguém deve carregar essa dor sozinha. O single "Miúda" traz uma mensagem de força e esperança, mostrando que, por mais que os outros tentem apagar a nossa luz, somos nós que decidimos o nosso próprio brilho. No fim, tudo se trata de aprender a ouvir a nossa própria música e dançar ao ritmo certo – sem medo de sermos quem somos.

 

Com quem gostava de gravar um tema?

Adoro colaborar com artistas que trazem emoção e autenticidade à música. Para mim, o mais importante não é o nome, mas a conexão artística e a forma como as vozes e as histórias se complementam. Gosto de trabalhar com quem sente a música da mesma forma que eu, com verdade, paixão e entrega. Se a energia for certa, a magia acontece naturalmente!

 

Como é que tem sentido a reação do público ao seu "regresso"?

Para mim, não é bem um regresso, porque a música sempre fez parte da minha vida. Mas é verdade que, para muita gente, este momento pode estar a ser visto dessa forma. O que realmente importa é sentir o carinho do público, que tem sido incrível! Ver as pessoas a cantarem, a identificarem-se com a minha música e a partilharem as suas emoções comigo é algo que me enche o coração. Só posso estar grata por todo o apoio e amor que tenho recebido. Isso dá-me ainda mais vontade de continuar a criar e a partilhar esta viagem musical com todos. Quantos mais formos, melhor.

 

Quem é hoje o seu público?

Hoje, o meu público é uma mistura bonita de diferentes gerações. No álbum que lancei a solo em 2017, a minha música chegou a um nicho mais exigente, um público atento aos detalhes, às letras e à musicalidade. Agora, com este novo trabalho, sinto que essa base continua comigo, mas que se tem expandido. Há quem me acompanhe desde sempre e há também quem esteja a descobrir-me agora. E isso é maravilhoso! No fundo, a minha música é para todos os que sentem, que vivem e que encontram nela um pedaço da sua própria história.

 

Para quem ainda não ouviu este single, como é que o descreveria?

O single "Miúda" é uma canção envolvente, com uma melodia cativante e uma mensagem forte. É um tema que mistura emoção e leveza, falando sobre crescimento, escolhas e a importância de nos rodearmos de amor verdadeiro. A letra traz uma conversa sincera, quase como um conselho, sobre aprendermos com a vida e encontrar o nosso próprio caminho.

Musicalmente, tem uma sonoridade envolvente, que nos transporta para um lugar de reflexão, mas, ao mesmo tempo, nos faz querer cantar e sentir cada palavra. Quem ouvir este single vai, certamente, encontrar nela um pedaço da sua própria história.

 

Quais os planos para os próximos meses?

Os próximos meses vão ser muito especiais! Tenho várias surpresas preparadas, incluindo o lançamento de novos singles ao longo do ano, até à chegada do álbum. Cada música traz um pedaço desta nova fase, e mal posso esperar para partilhá-las convosco! Além disso, há concertos a caminho, que estão a ser preparados com muitas surpresas. Nada me dá mais prazer do que subir ao palco e sentir a energia do público. Quero levar esta música ao máximo de pessoas possível e criar momentos inesquecíveis com quem me acompanha. Vai ser um ano cheio de emoção, música e conexão. Fiquem atentos, porque isto é só o começo! 

 

Tem algum ritual antes de entrar em palco?

Sim, tenho alguns rituais que me ajudam a estar focada e conectada antes de entrar em palco! Antes de mais, gosto de me isolar um pouco, de respirar fundo e de me concentrar na minha energia. Tento sempre acalmar a mente, relembrando-me do motivo pelo qual estou ali: para partilhar a minha música e me conectar com as pessoas que estão na plateia. Gosto também de fazer alguns exercícios vocais para soltar a voz, e, claro, há sempre um momento de gratidão, em que fecho os olhos e me lembro de como sou sortuda por poder viver essa experiência. Quando me sinto pronta, vou até ao palco com a certeza de que a energia da plateia vai ser a minha aliada. Cada concerto é único, e esse momento de preparação é uma forma de estar verdadeiramente presente e de me entregar à música.

 

Olhando para trás, guarda algum arrependimento? Algo que fizesse diferente?

Olhar para trás é sempre uma oportunidade de aprendizagem, mas não tenho grandes arrependimentos. Cada passo que dei, cada decisão tomada... ajudou-me a chegar onde estou hoje, com mais experiência e clareza sobre o que realmente importa. Se fosse para fazer algo diferente? Talvez confiasse ainda mais em mim mesma em certos momentos e fosse mais paciente com o processo. Mas, no fundo, tudo faz parte de uma jornada que é única e só minha, e cada erro ou acerto me moldou da forma que precisava para ser quem sou hoje. Acredito que tudo acontece por uma razão e que não há necessidade de arrependimentos.

 

E como está o seu coração? Que planos tem para a sua vida no campo pessoal? Que sonhos gostava de realizar?

O meu maior desejo é que a minha música chegue a um público vasto, que ressoe com as pessoas, independentemente de onde estejam. A música tem esse poder mágico de atravessar fronteiras, e é esse tipo de conexão que procuro: criar algo que toque o coração de quem ouve. Acredito que o reconhecimento é uma consequência natural de um trabalho genuíno e consistente. Já estive nesta jornada há muito tempo, sempre a evoluir, a criar e a dar o meu melhor. Hoje, sinto que, mais do que nunca, o meu trabalho está a encontrar um público que reconhece a minha dedicação e a minha autenticidade. Para mim, é essencial que as pessoas vejam não só a música, mas o percurso e o esforço que estão por trás dela. O reconhecimento é sempre algo que se constrói com o tempo, e eu continuo a acreditar que, quando estamos verdadeiramente entregues ao nosso propósito, ele acaba por chegar da forma mais bonita e gratificante. E, sem dúvida, o que me motiva é saber que o melhor ainda está por vir!

 

É hoje a mulher que sonhavas ser?

Sim, de certa forma, sinto que sou a mulher que sempre sonhei ser, com coluna vertebral, e com a sabedoria que só o tempo pode dar. Ao longo da minha jornada, aprendi a valorizar quem sou, as minhas escolhas e a minha autenticidade. Não sou perfeita, mas sou exatamente quem precisava ser para viver a minha verdade e abraçar o que me faz feliz. Claro, ainda tenho muitos sonhos e coisas que quero conquistar, mas estou em paz com o caminho que escolhi e com conseguir dormir descansada com a cabeça na almofada. Cada passo, cada desafio... moldou-me e fez-me mais forte. Hoje, sou uma mulher mais segura, mais confiante e mais conectada com o que realmente importa. E, sim, continuo a sonhar, porque a vida é feita disso, de crescer, evoluir e nunca deixar de acreditar nas possibilidades.

 

O que diria à Kiara da sua infância/adolescência?
À Kiara da minha infância/adolescência, diria: "Acredita mais em ti, confia no teu poder e não tenhas medo de seguir o teu coração, mesmo quando os outros tentarem dizer-te o que fazer. Não precisas de ter todas as respostas agora, mas vai seguindo a tua intuição, porque ela vai guiar-te para lugares incríveis. Vai cometer erros, sim, mas lembra-te de que fazem parte do processo e vão tornar-te mais forte. O que realmente importa é seres fiel a ti, nunca perderes a tua essência e sempre, sempre dares o teu melhor. Acredita no teu brilho, porque és capaz de coisas maravilhosas."

Onde e como se imagina daqui a 5/10 anos?

Daqui a 5 ou 10 anos, imagino-me a continuar a crescer na minha música, mas também na vida pessoal. Espero ter levado o meu trabalho a novos públicos, explorado novos horizontes e colaborado com artistas incríveis. Quero ver a minha música como uma forma de expressão ainda mais rica, evoluída, que continue a tocar as pessoas de uma maneira profunda e verdadeira. No plano pessoal, imagino-me mais equilibrada, com mais tempo para viver as coisas simples da vida, sem deixar de lado a minha paixão pela música. Quem sabe... também adorava ver o meu trabalho reconhecido de uma forma mais ampla, e, claro, continuar a partilhar momentos especiais com quem me acompanha ao longo deste caminho.

Acima de tudo, vejo-me a viver com gratidão por cada passo dado e por tudo o que ainda está por vir. Estou ansiosa para o que o futuro trará, com fé de que, em cada ano, vou aprender mais, criar mais e ser mais feliz. 

 

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