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"Por que razão é que quer adotar ou ter filhos? Você nunca será mãe!": Rui Maria Pêgo reage... assim!

Recorrendo ao Instagram, o comunicador Rui Maria Pêgo deixou uma importante reflexão sobre a maternidade.

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Neste domingo, dia 3, celebra-se o Dia da Mãe e, no Instagram, alguns famosos têm destacado a data festiva.

Foi o caso de Rui Maria Pêgo, que prestou uma homenagem à mãe, Júlia Pinheiro. "A minha mãe foi o meu primeiro país. As mães têm essa capacidade: são a terra e as fronteiras antes de percebermos onde é que um começa, e outro acaba. E, suspeito, quando tudo acabar, antes de expirarmos, será nelas que pensaremos. Não imagino, na entrevista com a Morte, que se fale muito do PIB", começou por assinalar na legenda de uma fotografia antiga, na qual posa com a apresentadora.

"Não é muito justa a profissão de mãe. Ter de fazer alguém crescer e evitar que seja um psicopata. Ter de fazer alguém inventar-se sem ter de desenhá-lo em demasia. Ter de fazer alguém descobrir o mundo sem o trancar em casa, apesar dos golpes que possam acontecer, logo ali, numa visita curta à mercearia. Ferve o chão recheado de possibilidades de alegrias e violências e mudanças, mas é só segunda-feira. Combate-se, porque o bicho pequeno não quer sumo, está com calor, gostava de ir à Disney, quer ser astronauta, prefere verde, só verde, nada mais do que verde, e ainda assim uma mãe por mais que não possa com o filho, gosta dele, e arranja-lhe o sumo, e inventa verde, nem que seja numa imagem da selva do Bornéu descoberta, entre prantos, nas imagens do Google", acrescentou.

De seguida, Rui Maria Pêgo acrescentou: "Era-se mãe antes do Google. Pelo menos, tenho essa ideia. Impressiona-me muito que não haja a palavra para aquilo que acontece a um pai ou uma mãe após o horror de perder um filho. Fica-se sem definição, é tão inominável que a língua não quer pactuar com o conceito. Sem nome, sem letras, sem dor? Impossível. Aparentemente, existe a palavra no hebraico antigo, mas não tenho agora uma Torá à mão."

"Entretanto, há órfãos, milhões, hoje, com uma âncora na barriga, vasculhando o dia à procura de sinais das mães que já se ausentaram para o Futuro. Sou conhecido muitas vezes por ser um Filho da Mãe. Ainda que seja imensas outras coisas. Aquário é só uma delas. Fã de tarot online é outra. Há 11 anos, inventei uma série sobre todas essas ideias velozes sobre o que sou, como somos, até onde podemos ir na ideia de seguir uma mãe. Não é fácil ser filho, nem ser mãe. Mas continuo a achar que, de todos os dons que me foram dados na chegada a Portugal, o maior é a teimosia de acreditar que posso amar e inventar o mundo como a minha mãe. E rir de tudo. Muito", desabafou, antes de recordar: "Um dia, num programa meu, numa rádio grande, um convidado que doravante será definido como 'Oráculo da Nação', disse-me: 'Rui, por que é que quer adotar ou ter filhos? Você nunca será mãe!'. E tinha razão. Falta-me talento. As mães são naves maiores do que a vida. Disso não tenho a menor dúvida."

"Bom Dia das Mães a todes xs que as têm, que o são, que sonham ser, e que procuram as suas", desejou, no final da mensagem.

Veja, agora, a imagem partilhada por Rui Maria Pêgo na galeria de fotografias que preparámos para si.

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