A tempestade Kristin arrasou a região centro de Portugal, deixando um rasto de destruição e muitas pessoas desalojadas.
No Instagram, são muitos os relatos dos afetados pela situação, como é o caso de João Portugal que partilhou um emotivo desabafo com os seguidores.
"Na noite da passagem de ano, pedi apenas que 2026 fosse um pouco melhor. Bastou um mês para se tornar o pior ano da minha vida — e, principalmente, da vida de muita gente que, de um momento para o outro, ficou sem casa, sem teto, sem comida, sem luz, sem água e sem uma vida que construiu ao longo de muitos anos com muito esforço, mas que num ápice perdeu tudo. Um inferno vivido em Leiria, Marinha Grande, Vieira de Leiria e noutras zonas próximas afetadas", começou por relatar o cantor dos Excesso.
"Houve mortos e feridos, pessoas e animais. Parte-me o coração a quantidade de animais desaparecidos!", acrescentou.
"Quando tudo aconteceu, eu estava em Vidago, em trabalho. Só consegui voltar no dia seguinte. Acompanhar tudo à distância, sem poder fazer nada, foi desesperante. Senti uma impotência enorme", confessou o fotógrafo, questionando de seguida: "E deixo uma pergunta direta: por que é que, em tempos de guerra, o governo mobiliza milhões para fora, mas, quando o seu próprio povo perde quase tudo numa catástrofe natural extrema, o Estado vira a cara e assobia para o lado? Pior ainda, com campanhas eleitorais vazias enquanto famílias perdem tudo. Só quem viveu isto sabe o que dói."
"Quando cheguei ao meu estúdio e vi aquele cenário, fiquei desolado. Não tanto pelas perdas materiais, mas pela história e pelos anos de vida ali construídos. Mas nada é mais grave do que as famílias que ficaram literalmente sem casa, sem comida, sem água e sem eletricidade. A essas pessoas deixo o meu respeito e total solidariedade, no que precisarem", continuou João Portugal, deixando uma nota de esperança: "No meio de tanta dor, o que mais emociona é a entreajuda: um povo que, mesmo destruído, ainda encontra força para ajudar o vizinho do lado. Em 2017 foram os incêndios. Agora, esta tempestade levou consigo parte da esperança que ainda restava no nosso cantinho do Oeste!".
Veja, agora, a partilha realizada por João Portugal.
