Joana Marques quebra o silêncio sobre polémica com Mafalda Matos: "Não posso considerar que esteja bem e equilibrada"
Joana Marques reagiu ao vídeo em que Mafalda Matos aparece, em lágrimas, a censurar um episódio da rubrica "Extremamente Desagradável" de que foi protagonista.
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Dúlio Silva
- 3 ago, 19:27
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Joana Marques está envolvida numa nova polémica. Desta vez, a controvérsia nasceu de um episódio da rubrica "Extremamente Desagradável" - inserida no programa da Rádio Renascença "As Três da Manhã", que a humorista conduz com Ana Galvão e Inês Lopes Gonçalves - dedicado a Mafalda Matos e ao autismo de que a atriz diz ter sido diagnosticada. A atriz acabou por gravar um vídeo para o Instagram, no qual surge a chorar.
Agora, no podcast "O que fazer quando tudo arde", do jornal Público, Joana Marques responde a quem a acusa de gozar com pessoas autistas. "Não tenho por hábito responder, porque, senão, seria um trabalho sem fim. Felizmente, não acontece sempre nesta escala tão grande, mas acontece todas as semanas haver uma minipolémica com alguém que se sente muito ofendido com alguma coisa. Portanto, acho que, se começasse a responder, abriria um precedente e, depois, não conseguiria sair disso. Não faria mais nada. Teria de cancelar o podcast, porque não faria mais nada que não responder às pessoas e sobretudo, no fundo, tentar chamá-las à razão", começou por dizer a comediante.
Alertando que as pessoas "não têm de concordar" com ela, a humorista gostaria de "tentar fazê-las ver que, gostando ou não do que foi dito, nunca houve um gozo com o autismo". "Ou seja, acho que é uma interpretação demasiado literal e é um problema com o qual me confronto várias vezes. Mesmo no caso dos Anjos, uma das coisas que eles diziam era 'Não posso permitir que os meus filhos vão para a escola e lhes digam que o pai é um assassino porque assassinou uma canção'. Acho que isto é o expoente máximo da literalidade e de como nós todos estamos a perder um bocadinho a capacidade de perceber coisas como a ironia", lamentou.
"Neste caso, acho que é muito fácil reduzir isto a 'gozou com o autismo' e a esta ideia de 'é proibido'. Quando, na verdade, acho que, quem ouviu o podcast inteiro... Também percebo que, hoje em dia, dá trabalho despender 15 minutos. Eu própria sou vítima disso. Muitas vezes, não tenho paciência para ler tudo e fico-me por títulos. E também me arrependo, porque, muitas vezes, passamos ao lado da verdadeira questão. Acho que, ouvindo, facilmente se percebe que, no fundo, ali o alvo da sátira era, como é muitas vezes naquilo que faço, a exposição de uma questão. Neste caso, a questão era aquilo que me pareceu ser um autodiagnóstico - mas até pode não ser. Um diagnóstico, seja ele qual for, de autismo, neurodivergência, PHDA... O que eu estava a analisar era como aquela pessoa em concreto se define. Até põe como a sua biografia de Instagram autista, como se essa fosse a sua única característica. Respeito quem não ache engraçado, porque isso vai sempre acontecer, mas deu-me vontade de rir a ideia de ‘vou jogar às cartas com os meus amigos neurodivergentes’. Uma espécie de clube e quase uma guetização das pessoas neurodivergentes. Acho que é o contrário do que pretendemos. É quase como se um neurodivergente só pudesse dar-se com outro. O exagero de todas as publicações daquela pessoa... De repente, quase ter tido a sua personalidade capturada pelo autismo e dizer 'Tenho aqui o meu namorado. Somos os dois superautistas'... Esse exagero é que me deu vontade de rir e acreditei que poderia dar a algumas outras pessoas", explicou Joana Marques.
Considerando que, "se calhar, 50% achou graça e 50% achou deplorável", a autora de "Extremamente Desagradável" não deixou de apontar: "Acredito que, destes 50% que achou deplorável, alguns não terão ouvido, estão a extrapolar uma questão e não estão completamente a par dela. Outros, devem ter ouvido e acharam que disse coisas intoleráveis. Também respeito isso."
Joana Marques prosseguiu o raciocínio referindo que Mafalda Matos "tornou o autismo na sua bandeira". "Parecia quase a embaixadora da neurodivergência", observou, assumindo que achou graça ao início do vídeo em que a atriz reage ao episódio de que foi alvo. Mas logo a expressão mudou: "Com o andamento da coisa, deixou de me dar vontade de rir, porque achei... Não vou fazer eu qualquer diagnóstico. Não sei se é ou se não é autismo - não tenho razão para duvidar. Mas não posso considerar que uma pessoa que faz um vídeo daqueles é uma pessoa que esteja bem e equilibrada. Portanto, espero que tenha ajuda e que melhore. Obviamente, nunca é minha intenção deixar as pessoas nesse estado. Acho é que, muitas vezes, as pessoas têm de fazer a análise de porque estão naquele estado. Nunca ninguém tem poder de deixá-las assim se elas não estiverem já, à partida, fragilizadas ou vulneráveis por alguma outra questão", notou, deixando claro que "não conhece" Mafalda Matos "de lado algum", ainda que já tenha dedicado um outro "Extremamente Desagradável" à artista.
