Entrevistas

Segredos e novidades: Tozé Brito abre o coração em franca entrevista!

Joana Freitas Araújo entrevistou para a SELFIE Tozé Brito.

Relações públicas - "Dois às 10" e "Em Família"
  • 17 set 2025, 15:07
Tozé Brito - Festival Cristina ComVida
Tozé Brito - Festival Cristina ComVida

Estive à conversa com Tozé Brito, que me falou sobre a respetiva carreira e partilhou duas novidades.

Tozé, quando é que percebeu que a música seria o seu caminho de vida?
Aos 15 anos, quando, no Porto, onde nasci, quatro grandes amigos e eu criámos o Pop Five Music Incorporated, comecei a sonhar com isso. Aos 18, quando integrei, a convite do José Cid, o Quarteto 1111, tive a certeza de que, como maior ou menor sucesso, a música seria o meu caminho de vida.

Quem foram os seus grandes mestres ou referências musicais no início da carreira?
Quando troquei as lições de piano pela viola tinha 12 anos, os The Beatles apareceram nesse mesmo ano e revolucionaram o meu gosto musical, tal como o fizeram com milhões de pessoas. 
Depois, aos poucos, ouvi constantemente os inevitáveis Rolling Stones, Bob Dylan e Simon & Garfunkel, até descobrir Tom Jobim, toda a grande música brasileira, Joan Manuel Serrat, Cole Porter e o Great American Songbook nas vozes de Bennett e Sinatra. Aos 20 anos, apaixonei-me pela música de James Taylor e dos Crosby, Stills, Nash & Young. A partir daí e até hoje, fui e vou descobrindo sempre novas referências musicais, mas diria que as que me influenciaram até aos 20 anos são como os primeiros amores, nunca os esqueceremos.

Como nasceu o Quarteto 1111 e qual foi a inspiração por trás do nome?
Quando cheguei ao Quarteto 1111, o grupo já existia há dois anos, mas sei que teve a sua origem no Conjunto Mistério, até José Cid se ter juntado a ele. O nome do 1111 vem do número de telefone da casa onde o grupo ensaiava, em S. João do Estoril, que era o 261111. Daí até encontrar o nome foi um passo.

As suas palavras são cantadas por vários artistas, entre eles Adelaide Ferreira ("Papel Principal"), as Doce — que venceram o Festival da Canção em 1982 com o tema "Bem Bom" —, Paulo de Carvalho, Cândida Branca Flor e Luís Represas. O que sente por ter criado músicas que fazem parte da identidade cultural do nosso País?
Muito mais do que escrever e compor para mim mesmo ou para os grupos de que fiz parte, nestas quase seis décadas de música o que mais prazer me deu fazer foi escrever para dezenas de intérpretes portugueses de várias gerações. Saber que muitas dessas canções passaram o teste do tempo e que 30, 40, 50 anos depois de terem sido escritas continuam a ser lembradas e cantadas hoje por muitos, é a maior recompensa que alguém na música pode ter. Em arte, a intemporalidade é talvez o único factor que não é subjetivo.

O público português acompanha-o há décadas. Que importância tem, para si, essa fidelidade? Que poder tem a música na vida de uma pessoa e na sociedade? Que conselho recebeu, e de quem, que ainda o acompanha até hoje?
Quando escrevemos e cantamos, fazêmo-lo sempre para chegar ao maior número possível de pessoas, para lhes dar prazer. É muito gratificante sentir que não só o conseguimos, mas que a nossa música ajudou por vezes muita gente a ser mais feliz. Quantas vezes uma canção nos alegrou, apaixonou, nos alertou para problemas pessoais ou sociais? Creio que muitas. É esse o poder da música. E o melhor conselho que incorporei na minha vida até hoje veio do filósofo José Ortega Y Gasset e de uma frase sua: "Eu sou eu e as minhas circunstâncias". Independentemente do que sentimos e do que mais gostamos, nunca podemos esquecer as circunstâncias em que estamos inseridos. Só assim me foi possível escrever mais de 400 canções para dezenas de artistas, cada um com a sua personalidade e as suas circunstâncias individuais.

Que valores da sua família procura transmitir às gerações mais novas?
Os mesmos que procurei transmitir às minhas filhas. O amor, nas suas diferentes formas - amizade, respeito, solidariedade, bondade - acima de tudo. Juntamente com a liberdade, não há nada de mais importante.

Neste momento, de quem se lembra quando sorri?
Sorrio sempre que me lembro dos meus pais, avós, irmãos e me apercebo de que sou hoje o mais velho da família, depois de, há 74 anos, ter sido o mais novo. Sorrio quando me lembro da vida feliz que vivi e continuo a viver. 

Como gostaria de ser lembrado pelas futuras gerações de músicos e ouvintes?
Gostava que continuassem a lembrar a minha música e não necessariamente a mim.

Há novidades para breve?
Há um livro que escrevi, reli, não gostei e estou a escrever de novo e a escrita de canções para o álbum que em 2026 será editado para comemorar 60 anos de música. Para breve, é tudo e não é pouco!

Joana Freitas Araújo
Relações públicas - "Dois às 10" e "Em Família"

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