Luís Caeiro fala sobre conquista: "Afinal, ainda há quem goste de me ouvir"
Joana Freitas Araújo entrevistou para a SELFIE o vencedor do programa "Simply The Best", Luís Caeiro.
- 2 jun, 16:29
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Estive à conversa com Luís Caeiro sobre o facto de ter vencido o programa "Simply The Best", da TVI.
Tu ganhaste concursos, correste o mundo a cantar… mas sentes que Portugal ainda não te deu o lugar que mereces?
Ganhei muitos concursos, televisivos e as Grandes Noites de Fado. Não é que Portugal ainda não me tenha dado o lugar que mereço, mas espero sempre mais.
Venceres o "Simply The Best" foi finalmente a tua segunda oportunidade ou ainda estás à espera da verdadeira?
O "Simply The Best" foi a oportunidade da minha vida. Mesmo que não tivesse ganhado, serviria para a reafirmação e para mostrar às pessoas que continuo aqui a lutar por aquilo que mais amo, cantar! O facto de ter vencido e com 85% dos votos tranquilizou-me porque cheguei à conclusão que, afinal, ainda há quem goste de me ouvir.
O fado salvou-te de quê?
O fado salvou-me de muita coisa, sobretudo de me afogar nas mágoas do stress do dia-a-dia e ajudou-me também na libertação da alma.
Qual foi a maior desilusão que viveste no mundo da música e nunca contaste publicamente?
A maior desilusão é a falta de oportunidades que deveriam dar a quem merece, a quem tem valor e não a quem paga ou pede cunhas.
Se a Amália estivesse viva e te ouvisse cantar hoje, o que gostarias que ela dissesse sobre ti?
Se a Amália fosse viva, até teria medo que ela falasse de mim. Tenho medo de a desiludir, mas tudo faço para que o legado dela e a voz dela - que jamais serão esquecidos - sejam lembrados por mim em qualquer parte do mundo.
Depois de tantos anos a lutar pela música, o que ainda falta ao Luís Caeiro para ser verdadeiramente feliz?
Conquistar o meu lugar no mundo da música e conseguir ajudar quem precisar no início da carreira.
As tuas filhas conhecem o fadista Luís Caeiro, mas o que mais gostarias que elas admirassem no homem por trás da voz?
O que mais gostaria que as minhas filhas admirassem no pai seria a persistência, a verdade e a fé num caminho leal e sincero!
Ser pai mudou a forma como cantas o fado? Há dores e emoções que hoje interpretas de maneira diferente?
Ser pai mudou completamente a minha forma de cantar, eu canto apenas o que sinto, as minhas filhas e a minha mulher são os meus amores maiores, o sentimento aumenta no peito e quando o coloco nas palavras torna-se mágico.
O que podemos esperar do Luís Caeiro nos próximos tempos? Há novos projetos?
Nos próximos tempos podem esperar um repertório novo, com a mesma forma de cantar, a mesma essência e uma nova verdade. Quanto a projetos, quero muito gravar algo meu, a minha identidade, o meu fado! Eu canto para mim, para as pessoas e pelas pessoas! Pelo meu público que nunca me abandona.
