Estive à conversa com Jorge Aragão, que atuou na passada quinta-feira, dia 5, no Casino Estoril, naquela que foi a celebração em Portugal dos 50 anos de carreira.
Jorge, a sua música atravessa gerações e continua atual. O que pensa que mantém o samba vivo e próximo das pessoas, mesmo com tantas mudanças no mundo e no meio musical?
Acho que se trata de uma lembrança afetiva. Há aqui muita sorte da minha parte envolvida também, porque, apesar de ser um compositor de uma época diferente, a geração que está por aí agora foi ouvindo as minhas músicas através dos pais e avós. Ficou quase uma relação familiar.
O samba está cada vez mais forte em Portugal. O que significa para si trazer a sua música ao público português?
É uma conquista que, às vezes, nem consigo expressar na sua totalidade. Sinto-me em casa, no meu bairro, onde convivo todos os dias a cantar aqui em Portugal. É a mesma coisa. Sinto-me como se estivesse no meu quintal, a cantar totalmente à vontade.
As suas letras falam muito do quotidiano, do amor, da identidade cultural. As canções nascem mais da observação da vida ou de experiências pessoais?
A maioria é mesmo fruto de observação. Gosto de saber tudo o que está ao meu redor, de perceber as mudanças no mundo. Enquanto idoso que sou, tenho visto tanta coisa a acontecer, tantas mudanças. Registo isso em casa, como se estivesse a conversar com alguém. Letras sobre experiências pessoais são muito poucas.
Ao celebrar 50 anos de carreira, quando olha para trás, quem é o Jorge Aragão de hoje em relação ao jovem que começou no samba? O que mudou e o que permaneceu intacto em si?
Não acho que tenha mudado muita coisa em mim. Estou a trazer um reflexo apenas de uma vida que levei tão naturalmente. Sempre quis registar aquilo que o momento me fazia sentir para poder escrever. Nem percebi que o tempo passou. Ainda bem.
Se pudesse deixar uma mensagem ao público português, qual seria?
Que tenha sempre esperança e que viva tudo o que for apresentado. Que tenha as suas percepções cada vez mais aguçadas. Desejo que a saúde e a alegria estejam sempre perto de vós. Eu, enquanto o pai do céu deixar, vou estar por aqui com muito prazer em cantar e irei voltar a cantar sempre que possível.
Oiça, agora, um tema de Jorge Aragão.
