Entrevistas

Empresária Cila Santos: "Vão amar-te e odiar-te pelo mesmo motivo, por seres quem és"

Joana Freitas Araújo entrevistou para a SELFIE a empresária e mentora Cila Santos.

Relações públicas - "Dois às 10" e "Em Família"
  • 6 mar, 08:01
Cila Santos

Estive à conversa com a empresária e mentora Cila Santos, uma "prova viva de que quem tem medo do ridículo não alcança o extraordinário".

Quem é a Cila Santos?
A Cila Santos é uma mulher que nunca se calou, mesmo quando tinha motivos para se calar. Sou mentora, empresária, comunicadora… CEO da HN Hit Nails e da Elite Mind and Business, escritora do livro "A Tua Verdade Incomoda", mas, acima de tudo, sou desbloqueadora de pessoas. Eu ajudo mulheres a saírem do "eu não consigo" para o "eu ensino outras a conseguirem". Intensidade, visão e construção são três palavras que me definem. E sou prova viva de que quem tem medo do ridículo não alcança o extraordinário.

Sempre foi empreendedora ou a HN nasceu de uma necessidade muito concreta?
A HN nasceu de uma necessidade de mudança de vida, financeira, emocional e de sobrevivência. Mas a verdade é que eu sempre fui empreendedora na mentalidade. Desde nova que eu não aceitava viver no modo automático. Eu queria mais, eu pensava maior, eu vendia antes de saber que estava a vender. Eu sempre quis chegar mais longe, mesmo quando vivia com escassez. A empresa HN Hit Nails nasceu da necessidade, mas cresceu por causa da visão e da missão de poder mudar a vida de centenas de profissionais da área da beleza.

Houve algum medo inicial? Pensou em desistir?
Medo houve sempre. Pensei muitas vezes, vezes sem conta, mas para mim desistir nunca foi opção. Tive medo de falhar? Sim. Tive medo de não ser suficiente? Sim. Tive medo de ser julgada? Sim. Mas sabe o que eu aprendi? O medo nunca desaparece, nós é que crescemos mais do que ele. Houve momentos difíceis, muito difíceis. Mas eu sempre pensei: "Se eu parar agora, tudo o que vivi até aqui não terá valido a pena e muitas pessoas vão ficar pelo caminho". Eu não nasci para ser uma história interrompida, eu nasci para inspirar outras pessoas a alçarem o sucesso também.

Empreender em Portugal é mais difícil do que se pensa?
Empreender é difícil em qualquer lado. Mas em Portugal tens de provar duas vezes mais, muitas das vezes. Existe medo de arriscar. Existe mentalidade pequena. Existe crítica gratuita. Mas também digo uma coisa: quem espera que o País ou as oportunidades mudem para começar… nunca começa. Eu decidi não esperar pelo contexto perfeito. Decidi tornar-me maior do que o contexto.

Em que momento percebeu que já não queria só construir a sua marca, mas ajudar outras pessoas a construir as delas?
Quando percebi que o meu maior talento não era vender produtos, mas sim desbloquear pessoas. Houve um momento em que comecei a receber mensagens de mulheres a dizer: "Cila, tu fizeste-me acreditar"; "Eu comecei por tua causa" ou "Cila, eu voltei a tentar". E, aí, eu percebi: o meu verdadeiro negócio não são unhas. É mentalidade, é identidade, é coragem. Foi aí que nasceu a mentora.

Qual é o erro mais comum que vê nos empresários que a procuram?
Esperarem sentir-se prontos para começar. Querem mais cursos, mais validação, mais aprovação. Mas o problema não é falta de conhecimento, é falta de decisão. Muitos sabem muito, mas comunicam pouco. Têm talento, mas escondem-se. Querem crescer, mas têm medo de ocupar o lugar que já é deles. E ninguém cresce escondido.

O que diria a alguém que quer começar mas tem medo?
Que medo não é um sinal para parar, é um sinal de crescimento. Não esperes confiança para começar, Começa onde estás e com o que tens e a confiança vem depois. E lembra-te disto: as pessoas vão amar-te e odiar-te pelo mesmo motivo, por seres quem tu és. Então, que ao menos sejas inteira e verdadeira 

Descreva o seu percurso em três palavras.
Coragem, construção e impacto.

Joana Freitas Araújo
Relações públicas - "Dois às 10" e "Em Família"

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