Estive à conversa com Diogo Carapinha que, depois da passagem pelo programa "The Voice", da RTP!, e do lançamento do primeiro álbum, decidiu apresentar um novo registo, que cruza o fado e o flamenco.
O que o inspirou a fazer esta viragem tão arrojada?
Comecei a cantar fado em 2012 e, desde então, sempre quis fundir a sonoridade do fado com outros estilos musicais. Cada vez que o cantava sentia a necessidade de lhe dar algo de diferente, mas sem saber bem o quê! O meu álbum 'Estórias' surge já como uma tentativa de trazer algo diferente ao fado. Após algumas tentativas, não muito bem aceites pelo meio mais tradicionalista do fado, decidi parar e seguir outro registo. Depois desta pausa no fado e de uma vasta procura de sonoridades diferentes, encontrei alguém que trouxe de volta este sonho de misturar o fado com outros registos: o Bluay. Sem me conhecer, e apenas ouvindo a minha voz, soube logo dizer que eu trazia o fado na voz e que isso tinha que ser trabalhado. Aceitei, com algum receio, claro, mas também com muita alegria e motivação consoante as canções iam surgindo.
Conciliar a carreira musical com a de enfermeiro não deve ser fácil. Como é que equilibra esses dois mundos? Sendo uma tão emocional e a outra tão exigente?
Há alturas em que é muito fácil conciliar, outras em que nem por isso. Para poder conciliar estes dois mundos nas fases mais difíceis, tenho que prescindir do meu descanso e da minha vida pessoal.
O que nem sempre é fácil para mim sentir que estou a falhar à família e aos amigos com este distanciamento nestes momentos. Mas eles compreendem. É o que me vale!
Este novo trabalho traz uma alma intensa, pude comprová-lo ao vivo no 'Dois às 10'. O que quer que as pessoas sintam quando o ouvem agora?
Aquilo que eu quero que as pessoas sintam é a intensidade deste novo projeto! Quero que oiçam as melodias e as letras destas canções e as sintam como uma transformação, que não é só minha, mas também deles. Quero que sintam a necessidade de dançar, cantar, bater o pé ou apenas fazer ligeiros movimentos corporais e que, sem darem conta, contagiem as pessoas ao seu redor a fazer o mesmo.
