Entrevistas

Associação de Fuzileiros mantém viva a ajuda às comunidades afetadas pelas tempestades

Joana Freitas Araújo entrevistou para a SELFIE o presidente da Associação de Fuzileiros, Carlos Teixeira Moreira.

  • 3 jul, 14:26

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Estive à conversa com o presidente da Associação de Fuzileiros, Carlos Teixeira Moreira, sobre uma das muitas ações de solidariedade que estão a ser desenvolvidas.

Desde os primeiros momentos após as tempestades que assolaram o nosso País que a Associação de Fuzileiros esteve no terreno. Que marcas ficaram desse contacto direto com as pessoas e instituições atingidas?
A Associação de Fuzileiros é feita de pessoas. Os seus dirigentes são pessoas. Reagimos com base nos valores. Nos valores humanistas dos portugueses que vincamos pela nossa passagem pela Marinha, nos Fuzileiros, mas também com sentido de eficácia. No caso da situação da tragédia originada inicialmente pela Tempestade Kristin e que se prolongou no que veio a ser designado por comboio de tempestades, a reação, a perceção inicial foi de alguma confusão sobre a gravidade do que aconteceu em algumas regiões. Fruto da intensidade e da consequente incapacidade dessas populações fazerem chegar a realidade vivida, pela rotura nas infraestruturas elétricas, de comunicações e até de vias de comunicação. Assim que se tomou consciência, a Delegação de Fuzileiros do Douro Litoral, por via das atividades profissionais dos seus associados, preparou de imediato lonas pretas e outros bens essenciais e dirigiu-se a Leiria, ao centro de entrega. Os nossos associados filiados no Núcleo da Suíça, através de conhecimentos pessoais, fizeram chegar geradores a Leiria, Marinha Grande e a Carnide, neste caso a uma creche e a um lar de idosos. Nestes dois casos, foram iniciativas que se podem dizer comuns à de todos os portugueses. Nós também o somos. Possuímos, como outras instituições de natureza social, uma capacidade de mobilização coletiva, no nosso caso baseado na camaradagem. A Associação de Fuzileiros, por seu lado, desencadeou um apelo aos associados destinado a obter bens de primeira necessidade e eventuais donativos, para serem transformados em bens, em cooperação com o Projeto Gratitude, uma dessas instituições de natureza social, destinados inicialmente a Leiria. Ora, à Tempestade Kristin seguiu-se o comboio de tempestades e tomamos consciência de que a situação mais gravosa estava, no início de fevereiro, em Alcácer do Sal e assim a entrega de bens foi realizada no Centro de Recolha que a Autarquia havia estabelecido. Quer em Leiria, quer em Alcácer do Sal, nos Centros de Recolha instalados a afluência era enorme, o que revela o lado humanista do Povo português.

Este ano, o apoio será entregue ao Agrupamento de Escuteiros 674 de Pombal e à Associação Social, Cultural e Desportiva de Casal Galego. O que representa para a Associação poder ajudar estas duas instituições em particular?
O Dia do Fuzileiro tem uma tradição de a ele se associar um tema agregador. Este ano, neste trabalho conjunto entre o Corpo de Fuzileiros e a Associação de Fuzileiros, uma ideia foi a de que, após aquele impulso inicial de acorrer às comunidades afetadas, algumas necessidades se mantinham, mas estava, de certa forma, fora da agenda mediática, e que nesse sentido deveríamos fazer algo para que não ficassem esquecidas... como dizemos: 'Não deixar ninguém para trás!' Procurar usar aquela eficácia que referi anteriormente, sabendo que somos humanistas e solidários e que à volta do Dia do Fuzileiro há um grande envolvimento dos nossos camaradas, de todo o País e até estrangeiro, das suas famílias e dos seus amigos. A seleção destas duas instituições decorreu de uma articulação muito próxima entre quem esteve no terreno, os Fuzileiros das unidades operacionais do Corpo de Fuzileiros e que, por essa via, percecionou a realidade com olhos de conhecimento acrescido, e as autarquias. Ao longo dos anos de funcionamento da Associação de Fuzileiros são recorrentes as iniciativas de natureza solidária, sempre voltadas para a satisfação de necessidades materiais e com diferentes entidades ou até pessoas. Recordo, a título de exemplo, do apoio aos Bombeiros, Forças de Segurança e Serviços de Saúde, em alimentação, no decorrer da Pandemia de Covid. Mas também as iniciativas de recolhas de alimentos desenvolvidas pela Delegação de Fuzileiros de Trás-os-Montes, em Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela para uma instituição de solidariedade social, em cada cidade. As iniciativas da Delegação de Fuzileiros do Algarve para o refúgio Aboim Ascensão e o apoio à atividade de vela adaptada. O caso da Delegação de Fuzileiros do Minho, com a Casa da Criança e a já referida Delegação de Fuzileiros do Douro Litoral no apoio à Ucrânia, só para dar alguns exemplos, porque são recorrentes. No caso de apoios de natureza solidária dirigidas a pessoas temos o exemplo do apoio à família afetada por um incêndio no Montijo, na qual o pai salvou as filhas de morrerem queimadas e que perderam tudo o resto ou o caso de um camarada nosso cujo neto precisa de apoio e para o qual continuamos a recolher tampas de plástico e realizamos dois eventos culturais para obter fundos. Ajudar o Agrupamento de Escuteiros 674 de Pombal e a Associação Social, Cultural e Desportiva de Casal Galego representa, assim, uma continuidade de estarmos presentes com o nosso sentido de serviço público e de solidariedade. Não deixando ninguém para trás!

No culminar do dia 4 de Julho, no Dia do Fuzileiro, com a entrega deste apoio solidário, que mensagem gostaria de deixar aos portugueses e como podem todos juntar-se a esta missão e ajudar quem ainda procura recuperar a normalidade das suas vidas?
Essa pergunta remete-me para o que somos enquanto comunidade, enquanto povo, que politicamente vive num Estado de Direito. E aí recupero uma afirmação que o antigo presidente dos Estados Unidos escreveu, há pouco tempo, referindo-se à questão ao serviço público e ao nosso papel enquanto cidadãos, que outro presidente americano, Abraham Lincoln, tinha usado, em alusão às liberdades individuais e à democracia: cada um de nós deve fazer a sua parte, trabalhar da forma mais dedicada que podermos, o mais responsáveis que soubermos, mas que, no fim, há coisas que nós não vamos conseguir fazer sozinhos. Que há algumas coisas que só conseguimos fazer em conjunto. Num mundo em que o individualismo aparenta querer tomar a primazia, onde só conta o que lhe dá utilidade, continuamos a acreditar que cada vez mais se torna evidente que há coisas que só conseguimos fazer em conjunto e que não deixar nenhum dos nossos cidadãos para trás cria coesão e harmonia social. E é com este pensamento que este projeto foi edificado. Cada um de nós estar atento ao que se passa ao seu lado e não deixar de ajudar. Seja individualmente, seja agregando esforços. Esta nossa iniciativa visa, fundamentalmente, contribuir para que essa consciência coletiva esteja presente. No caso das tempestades, há portugueses que ainda não têm a sua vida normalizada. Ainda há necessidades, como é o caso do Agrupamento de Escuteiros 674 de Pombal e a Associação Social, Cultural e Desportiva de Casal Galego. Para ajudar, no âmbito desta iniciativa, já obtivemos o gerador de emergência para a Associação Social, Cultural e Desportiva de Casal Galego, oferecido pelos associados afetos ao Núcleo de Fuzileiros da Suíça, e gostaríamos de lhes poder oferecer uma máquina de lavar roupa para apoio aos seus mais de 100 utentes. No caso do Agrupamento de Escuteiros 674 de Pombal gostaríamos que pudessem reconstruir a sua sede. Como podem todos juntar-se a esta missão? Desde logo, contribuindo com donativos para a conta bancária PT50 0007 0000 0022 1710 7672 3, discriminando para que entidades deve ser canalizado o valor doado e oferecendo bens, máquinas de lavar e secar roupa, de grande capacidade, para a IPSS Casal Galego e materiais para a reedificação da sede do Agrupamento de Escuteiros, a serem entregues na Escola de Fuzileiros, na Associação de Fuzileiros, no Barreiro ou em cada uma das nossas Delegações ou Núcleos.

Joana Freitas Araújo
Relações públicas - "Dois às 10" e "Em Família"

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