Cate Blanchett declara guerra à IA: atriz lança ferramenta para impedir o uso da sua imagem e voz
A vencedora de dois Óscares está na linha da frente da defesa dos direitos digitais. Cate Blanchett apresentou uma nova plataforma que permite a qualquer pessoa decidir se quer - ou não - que a Inteligência Artificial utilize a sua identidade.
-
Ana Albernaz
- 26 jun, 08:26 com Lusa
Cate Blanchett na Selfie
Elton John e Cate Blanchett distinguidos em Davos
Cate Blanchett arrasa no Dubai International Film Festival
Cate Blanchett na antestreia do filme "Thor: Ragnork"
Cate Blanchett está a tomar uma posição firme face ao crescimento da Inteligência Artificial. A atriz australiana apresentou oficialmente um registo público de consentimento que pretende devolver às pessoas o controlo sobre a utilização da sua identidade por sistemas de IA.
A iniciativa foi apresentada no Parlamento Europeu, em Bruxelas, numa sessão que contou com a presença da própria atriz, da diretora executiva da RSL Media Nikki Hexum, e da eurodeputada Eva Maydell.
"Na era da Inteligência Artificial [IA], a sua identidade é a sua propriedade intelectual e todos têm o direito de decidir como a IA pode ou não utilizá-la", disse a atriz Cate Blanchett, produtora e cofundadora da RSL Media.
A ferramenta, denominada Human Consent Register, encontra-se disponível online, no site http://rslmedia.org/, e permite aos utilizadores registarem elementos que fazem parte da sua identidade, como o nome, a imagem ou a voz, autorizando ou proibindo a sua utilização por plataformas de Inteligência Artificial.
Segundo Cate Blanchett, "o registo de consentimento humano gratuito da RSL Media dá a todos uma voz e uma forma de agir em relação às permissões de IA, ajudando a preservar e proteger a confiança em todo o panorama de IA em constante evolução".
O sistema foi desenvolvido para particulares, mas também poderá ser utilizado por agentes, representantes e gestores de artistas.
Numa fase posterior, a plataforma passará ainda a permitir a proteção de criações artísticas e marcas registadas, alargando o seu alcance à propriedade intelectual.
Recorde-se que a preocupação de Cate Blanchett com o impacto da Inteligência Artificial não é recente. Em janeiro deste ano, a atriz juntou-se a mais de 800 artistas numa carta aberta que acusava as grandes empresas tecnológicas de "roubo" pela utilização de conteúdos criativos para treinar sistemas de IA.
